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Q1687021 Medicina

Uma mulher de 30 anos de idade procura atendimento médico queixando-se de zumbido no ouvido direito. Relata que não notou nenhuma diferença em sua audição, porém o que a incomoda muito é o barulho quando a casa está em silêncio, pois, no ouvido dela, o zumbido é percebido, e isso a deixa muito angustiada. Ela nega tonteira ou vertigem desde o início do sintoma. Afirma que viveu um período de estresse emocional e questiona se esse estresse pode estar relacionado ao zumbido. Durante o período de pandemia de Covid-19, seu trabalho está sendo realizado em home office e, por causa do zumbido, nota dificuldade em memorizar e raciocinar, o que trouxe prejuízos para o desempenho de seu trabalho. Informa que percebeu ter apresentado dores de cabeça e no pescoço desde que o zumbido começou e que, ao usar o computador para trabalhar, o zumbido aumenta. Nega uso de medicamentos de forma contínua. O médico que a atendeu inicialmente solicita audiometria que está normal.


De acordo com esse caso clínico e com base nos conhecimentos médicos correlatos, julgue o item a seguir.


O médico que atende essa paciente pode tranquilizá-la quanto à sua queixa de dificuldade em desempenhar o trabalho dela, pois o zumbido não tem relação com a parte cognitiva. Esse quadro pode estar relacionado apenas com o estresse emocional gerado pela pandemia em função do isolamento social, do medo da doença e da morte e da mudança de rotina de trabalho, por exemplo.

Alternativas

Gabarito comentado

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Gabarito: E (Errado)

Tema central da questão: O tema principal é a relação entre zumbido (tinnitus) e possíveis alterações cognitivas, como memória e concentração, afastando a ideia de que o zumbido seria apenas reflexo de fatores emocionais.

É comum, em concursos de Medicina, testar o entendimento de que o zumbido pode ser multidimensional e ir além dos aspectos apenas auditivos. Os dados clínicos apresentados — zumbido unilateral, audiometria normal, ausência de vertigem ou perda auditiva, piora com fatores de estresse e incômodo funcional — remetem ao diagnóstico de zumbido subjetivo com provável associação psicossomática e repercussão cognitiva.

Explicação da alternativa correta: A alternativa E é correta pois a literatura médica contemporânea evidencia que pacientes com zumbido podem apresentar piora de funções cognitivas, principalmente atenção, memória e concentração. De acordo com estudo na Frontiers in Neurology (Li et al., 2023): “O zumbido está significativamente associado à diminuição do desempenho em tarefas cognitivas, destacando a necessidade de avaliação global desses pacientes.”

O raciocínio de atribuir as queixas cognitivas unicamente ao estresse emocional ou isolamento é limitado e não condiz com as melhores práticas clínicas. A SBFa (Sociedade Brasileira de Fonoaudiologia) e estudos sistemáticos recentes reforçam que o impacto do zumbido deve ser abordado de maneira multidisciplinar, incluindo otorrino, psicologia e neurologia, conforme o Manual de Avaliação da Sociedade Brasileira de Otorrinolaringologia.

Análise crítica das alternativas:

  • Errado afirmar que o zumbido não impacta a função cognitiva: há evidências científicas robustas indicando o contrário.
  • Pegadinha comum: O vínculo entre fatores psicossociais e sintomas auditivos existe, mas não exclui os efeitos diretos do zumbido sobre cognição. Fique atento a alternativas que simplificam ou fragmentam a relação sintomatológica.

Dica de prova: Sempre que a questão negar associação entre sintomas clínicos relevantes (zumbido e função cognitiva), busque respaldo científico e desconfie de alternativas absolutistas.

Referência: “O zumbido pode prejudicar significativamente atenção e memória, impactando negativamente a qualidade de vida.” (Manual de ORL da ABORL/CCF, 2ª ed., p. 229)

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Comentários

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A afirmação presente na questão está incorreta. O zumbido no ouvido pode, sim, afetar a cognição e o desempenho de uma pessoa em atividades que exigem concentração, memória e raciocínio. O desconforto emocional também pode estar relacionado ao aumento do zumbido, mas não pode ser descartada a possibilidade de outras causas, como problemas auditivos ou neurológicos. Portanto, é importante que o médico avalie a paciente de maneira mais aprofundada, investigando outras possíveis causas do zumbido e seu impacto na qualidade de vida da paciente.

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