“Ele nada a uma certa distância da praia, em braçadas pausa...
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Ano: 2025
Banca:
IBGP
Órgão:
PBH Ativos S.A.
Provas:
IBGP - 2025 - PBH Ativos S.A. - Analista Administrativo
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IBGP - 2025 - PBH Ativos S.A. - Analista Contábil |
IBGP - 2025 - PBH Ativos S.A. - Analista Econômico Financeiro |
Q4349751
Português
Texto associado
INSTRUÇÃO: Para responder a questão, leia atentamente o texto a seguir:
Homem no mar
De minha varanda vejo, entre árvores e telhados, o mar. Não há ninguém na praia, que resplende ao sol. 0 vento é
nordeste, e vai tangendo, aqui e ali, no belo azul das águas, pequenas espumas que marcham alguns segundos e morrem,
como bichos alegres e humildes; perto da terra a onda é verde.
Mas percebo um movimento em um ponto do mar; é um homem nadando. Ele nada a uma certa distância da praia, em
braçadas pausadas e fortes; nada a favor das águas e do vento, e as pequenas espumas que nascem e somem parecem ir
mais depressa do que ele. Justo: espumas são leves, não são feitas de nada, toda sua substância é água e vento e luz, e o
homem tem sua carne, seus ossos, seu coração, todo seu corpo a transportar na água.
Ele usa os músculos com uma calma energia; avança. Certamente não suspeita que um desconhecido o vê e o admira
porque ele está nadando em uma praia deserta. Não sei de onde vem essa admiração, mas encontro nesse homem uma
nobreza calma, sinto-me solidário com ele, acompanho o seu esforço solitário como se ele estivesse cumprindo uma
bela missão. Já nadou em minha presença uns trezentos metros; antes, não sei; duas vezes o perdi de vista, quando ele
passou atrás das árvores, mas esperei com toda confiança que reaparecesse sua cabeça, e o movimento alternado de seus
braços. Mais uns cinquenta metros, e o perderei de vista, pois um telhado o esconderá. Que ele nade bem esses cinquenta
ou sessenta metros, isto me parece importante; é preciso que conserve a mesma batida de sua braçada, e que eu o veja
desaparecer assim como o vi aparecer, no mesmo rumo, no mesmo ritmo, forte, lento, sereno. Será perfeito; a imagem
desse homem me faz bem.
É apenas a imagem de um homem, e eu não poderia saber sua idade, nem sua cor, nem os traços de sua cara. Estou
solidário com ele, e espero que ele esteja comigo. Que ele atinja o telhado vermelho, e então eu poderei sair da varanda
tranquilo pensando – "vi um homem sozinho, nadando no mar; quando o vi, ele já estava nadando; acompanhei-o com
atenção durante todo o tempo, e testemunho que ele nadou sempre com firmeza e correção; esperei que ele atingisse um
telhado vermelho, e ele atingiu".
Agora não sou mais responsável por ele; cumpri o meu dever, e ele cumpriu o seu. Admiro-o. Não consigo saber em
que reside, para mim, a grandeza de sua tarefa; ele não estava fazendo nenhum gesto a favor de alguém, nem construindo
algo de útil; mas certamente fazia uma coisa bela, e a fazia de um modo puro e viril.
Não desço para ir esperá-lo na praia e lhe apertar a mão; mas dou meu silencioso apoio, minha atenção e minha estima
a esse desconhecido, a esse nobre animal, a esse homem, a esse correto irmão.
CAMPOS, Paulo Mendes. In: SANTOS, Joaquim Ferreira dos. As cem melhores crônicas brasileiras (Org. e int.). Rio de Janeiro: Objetiva, 2007. p. 108-109.
“Ele nada a uma certa distância da praia, em braçadas
pausadas e fortes...”. Sintaticamente, é INCORRETO
afirmar sobre o fragmento sublinhado nesse trecho: