Em relação à anestesia e analgesia de animais domésticos, q...
Gabarito comentado
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Tema central: analgesia e anestesia veterinária com foco em estratégias multimodais e diferenças espécie-específicas de fármacos.
Alternativa correta – A: A analgesia multimodal consiste em combinar fármacos de classes distintas para atuar em múltiplos níveis da via nociceptiva: transdução (AINEs, anestésicos locais), transmissão (bloqueios locais), modulação (cetamina em baixa dose – antagonismo NMDA; agonistas α2), e percepção (opióides, sedativos). Isso potencializa o efeito analgésico e reduz doses e efeitos adversos individuais. Exemplo prático: cão em OSH com opioide + AINE + bloqueio local + cetamina subanestésica. Referências: Lumb & Jones’ Veterinary Anesthesia and Analgesia; WSAVA Pain Guidelines; AAHA/AAFP Pain Management Guidelines.
Por que as demais estão incorretas?
B: Dizer que “bovinos são mais sensíveis aos opióides que equinos” e por isso seriam a escolha preferida em cirurgia é equivocado. Em ruminantes, opióides podem causar excitação, bradicardia e hipomotilidade ruminal, além de restrições regulatórias. Em equinos, opióides puros μ podem causar excitação e redução da motilidade gastrointestinal se usados isoladamente, devendo ser associados a agonistas α2. A chave não é “maior sensibilidade de bovinos”, mas sim o uso criterioso por espécie e contexto. Referências: Merck Veterinary Manual; Lumb & Jones.
C: A xilazina em equinos é sedativo/analgésico α2-agonista, não um “agente anestésico” para produzir anestesia geral sozinho. Costuma ser usada para sedação e premedicação e, então, induz-se anestesia com cetamina (ex.: protocolo xilazina–cetamina). Sozinha, não mantém plano anestésico cirúrgico e pode causar bradicardia e depressão respiratória. Referências: Lumb & Jones; WSAVA.
D: Embora a anestesia inalatória possa ser usada em suínos, não é “frequentemente escolhida por manter plano estável por longos períodos”. O motivo citado é frágil e ignora desafios da espécie: intubação difícil (laringe estreita, laringoespasmo), acesso venoso complexo e risco de hipertermia maligna com certos anestésicos inalatórios em linhagens suscetíveis. Na prática, combinam-se técnicas injetáveis para contenção/indução e, quando indicado, manutenção inalatória com monitorização rigorosa. Referências: Merck Veterinary Manual; Lumb & Jones.
Estratégia de prova: Identifique “palavras-chave” que sinalizam pegadinhas: - Multimodal = combinação de classes e alvos diferentes. - Sedação ≠ anestesia (xilazina não é anestésico geral). - Evite generalizações por espécie com opióides; pense em efeitos adversos e associações. - Justificativas “universais” para suínos tendem a ignorar dificuldades de via aérea e termorregulação.
Referências de apoio: Lumb & Jones’ Veterinary Anesthesia and Analgesia (6ª ed.); WSAVA Global Guidelines for Pain; AAHA/AAFP Pain Management; Merck Veterinary Manual.
Gabarito: A.
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