Ferramentas de inteligência artificial em registros de
violência contra a mulher
A Polícia Civil começou a adotar, em todas as
delegacias do Estado, um serviço de digitalização e análise
por inteligência artificial (lA) com base no Formulário
Nacional de Avaliação de Risco (Fonar). O recurso permite
identificar sinais de perigo no ambiente doméstico, avaliar
a gravidade das situações e auxiliar a atuação policial com
mais rapidez na prevenção de novas agressões às
mulheres. A ferramenta foi lançada pelo Departamento de
Tecnologia da Informação Policial (DTIP).
Atualmente o Fonar é preenchido quando a vítima
registra ocorrência em uma delegacia física ou na Delegacia
Online (DOL). Na Polícia Civil gaúcha, o Fonar está
disponível no módulo Ocorrência do Sistema de PolÍcia
Judiciária (SPJ) e na DOL. No atendimento presencial, o
Fonar pode ser completado pelo policial civil diretamente
no SPJ (forma já difundida), ou preenchido de forma híbrida
(documento impresso e sistema). Impresso, o formulário
será respondido pela vítima à caneta. Depois, será
escaneado e, caso necessário, será complementado com as
respostas dos policiais diretamente no SPJ, com apoio de
inteligência artificial. A ferramenta atuará como recurso
interpretativo das respostas no processo de digitalização.
Como resultado, todas as respostas geradas no
contexto de violência doméstica e familiar no Estado serão
armazenadas de forma mais adequada e estruturada. Elas
irão compor ferramentas estatísticas, relatórios, mapas e
outros documentos, a fim de subsidiar decisões e políticas
públicas nos âmbitos estadual e nacional, de forma a
ampliar as ações da Secretaria da Segurança Pública,
oferecendo mais proteção às vítimas.
A digitalização do formulário auxiliará os policiais na
coleta e na análise de dados gerados durante o registro de
ocorrências. Compreender melhor os crimes relacionados
à Lei Maria da Penha permite identificar fatores de risco,
bem como apontar sua gravidade.
Para a diretora da Divisão de Sistemas do DTIP e da
DOL, o Fonar é um avanço estratégico na proteção de
mulheres no Brasil. A Polícia Civil vem aprimorando suas
atividades com tecnologia e, agora, concretiza a aplicação
da IA ao seu principal sistema, auxiliando a prestação do
serviço policial, fortalecendo a utilização de instrumentos
que qualificam as políticas públicas relacionadas à
proteção às mulheres. "A ferramenta vem trazer mais
proteção, prevenção e cuidado com as mulheres. A vítima
responde ao formulário no seu tempo e, com o novo
sistema, a análise, a interpretação e a estruturação dos
dados podem facilitar o atendimento, além de agilizar o
encaminhamento ao judiciário. A digitalização e a análise
fortalecem ainda o compartilhamento de informações e a
atuação integrada das forças de segurança", disse.
O documento é parte da Polítlca Judiciária Nacional
de Enfrentamento à Violência contra as Mulheres e das
políticas públicas implementadas pelo Conselho Nacional
do Ministério Público. Foi instituído em 2020 por uma
resolução que definiu a finalidade e as formas de aplicação
e destinação. E composto por questões objetivas e
subjetivas. Deve ser preferencialmente aplicado pela
Polícia Civil no registro da ocorrência ou, em sua
impossibilidade, pelo Ministério Público ou pelo Poder
Judiciário, por ocasião do primeiro atendimento à mulher
em situação de violência doméstica e familiar.
Apos a coleta dos dados, o formulário passa a
integrar inquéritos e procedimentos relacionados aos
crimes, subsidiando pedidos de Medidas Protetivas de
Urgência (MPU), medidas cautelares, bem como outros
encaminhamentos da rede de proteção para gestão
integrada dos riscos.
No trecho Elas irão compor ferramentas
estatísticas, relatórios, mapas e outros documentos, a
fim de subsidiar decisões e políticas públicas nos
âmbitos estadual e nacional, a expressão a fim de
contribui para a progressão das ideias do texto ao: