Você está trabalhando em um ambulatório de pediatria geral, ...

Próximas questões
Com base no mesmo assunto
Q3833254 Medicina
Você está trabalhando em um ambulatório de pediatria geral, e em um dos seus turnos atende os seguintes casos: 
A) Menina, 5 anos, foi levada à consulta de rotina pelos pais. Relatam que estão passando por um divórcio e a filha está com dificuldades em se adaptar à nova rotina. Questionam o que podem fazer para ajudar nesse processo, pois percebem que a criança está mais quieta e triste.
B) Menino, 8 anos, chega à consulta acompanhado por avó. Cuidadora traz como queixa que neto está mais agressivo, desde que o pai foi preso. Atualmente está morando com os avós, e a mãe visita-o durante a semana, dependendo dos horários de trabalho.
C) Criança do sexo masculino, 3 anos, iniciou há um mês a vida escolar. Genitora refere que, nos primeiros dias de adaptação, chorou pedindo para voltar para casa. Hoje, no entanto, já conta quais brincadeiras fizeram na escola e fala dos amigos que fez. A mãe está preocupada, pois ainda precisou buscá-lo mais cedo um dia na última semana devido aos pedidos da criança.
Ao fim do expediente, você reflete sobre os efeitos dos fatores estressantes no desenvolvimento infantil e classifica, respectivamente, os pacientes acima em relação aos tipos de estresse da seguinte forma:
Alternativas

Gabarito comentado

Confira o gabarito comentado por um dos nossos professores

Gabarito: C

Fundamento decisivo: A classificação do estresse infantil depende da combinação entre gravidade e duração do evento, repercussão funcional e presença de relações protetoras: o caso A descreve divórcio parental com sofrimento adaptativo, compatível com estresse tolerável; o caso B reúne prisão do pai, mudança de cuidadores e agressividade, sugerindo estresse tóxico; o caso C mostra adaptação escolar progressiva após choro inicial, compatível com estresse positivo.

Tema central: Estresse infantil
Análise das alternativas
A
Errada
Está errada porque superestima os casos A e C como tóxicos. No caso A, o divórcio parental é estressor significativo, porém o enunciado não mostra ausência de proteção suficiente nem ativação intensa e prolongada que justifique toxicidade; a classificação adequada é tolerável. No caso C, houve choro inicial no ingresso escolar, mas a criança passou a relatar brincadeiras, amigos e adaptação, o que caracteriza estresse positivo, não tóxico.
B
Errada
Está errada por subestimar o caso A. Divórcio parental não se encaixa como estresse positivo, porque não é um desafio rotineiro, breve e leve do desenvolvimento; trata-se de adversidade familiar relevante. Na ausência de dados de desproteção extrema, o melhor enquadramento é estresse tolerável. Os casos B e C estão compatíveis com tóxico e tolerável apenas se A estivesse correto, o que não ocorre.
C
Certa
A alternativa C é a única que aplica corretamente o critério médico decisivo da questão. O caso A não é desafio cotidiano leve, porque o divórcio parental é adversidade importante, mas também não há elementos de ausência de suporte suficiente, violência ou sofrimento grave prolongado; por isso, enquadra-se como estresse tolerável. O caso B reúne evento grave, ruptura do arranjo familiar, mudança de cuidadores e alteração comportamental, conjunto que na lógica da classificação pediátrica aponta para estresse tóxico. O caso C descreve resposta breve e esperada ao início escolar, com recuperação funcional e boa adaptação, padrão típico de estresse positivo.
D
Errada
Está errada em dois pontos. O caso A não é positivo, porque o divórcio parental excede o nível de estressores cotidianos esperados do desenvolvimento. O caso C também não é tolerável, porque o enunciado mostra adaptação satisfatória após reação inicial transitória ao início escolar, quadro clássico de estresse positivo.
E
Errada
Está errada por classificar o caso A como tóxico. Para estresse tóxico, a base exige ativação forte, frequente ou prolongada do sistema de estresse na ausência de proteção suficiente. No caso A, há tristeza e retraimento no contexto de divórcio, mas não há descrição de negligência, ruptura total de suporte ou desorganização grave que sustente toxicidade. O caso C como positivo está correto, mas A inviabiliza a alternativa.
Pegadinha da questão
A banca explora a confusão entre tipo de evento e tipo de resposta ao estresse: divórcio não é automaticamente tóxico, e choro na adaptação escolar não transforma um estressor positivo em quadro patológico; o decisivo é gravidade, duração, suporte e evolução funcional.
Dica para questões semelhantes
  • Classifique o estresse infantil pelo conjunto gravidade do evento, duração e existência de relações protetoras, não pelo nome do evento isoladamente.
  • Adversidade importante com possibilidade de amortecimento relacional tende a ser tolerável; ativação intensa ou prolongada com disrupção familiar e repercussão comportamental aponta para tóxico.
  • Separação breve do cuidador, início escolar e frustrações cotidianas com adaptação posterior são exemplos típicos de estresse positivo.

Clique para visualizar este gabarito

Visualize o gabarito desta questão clicando no botão abaixo