Criança de 5 anos vem para atendimento em serviço de pediatr...

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Q3833249 Medicina
Criança de 5 anos vem para atendimento em serviço de pediatria com a hipótese diagnóstica de transtorno do espectro autista. Segundo relato, ela não tem fala organizada compatível com a idade cronológica, nem aprendeu a escrever as letras ainda e tem dificuldade de acompanhar nas atividades de sala. Esse relato é verbal e, além dele, a genitora traz o encaminhamento do serviço de atenção básica com os dados de crescimento e marcos do desenvolvimento até o momento. Durante a avaliação, a criança contactua, mas nem sempre sustenta o olhar. Responde e respeita comandos, tira e veste a própria roupa e sabe contar de 1 a 20. Forma frases curtas, de 2 a 3 palavras, mas não desenvolve uma história. Tem tempo estimado de tela de 4 horas diárias desde bebê, quando era cuidado pela bisavó. Ficou brincando com um único brinquedo durante a entrevista com a mãe, mas conhecia os demais brinquedos apresentados. Possui avaliação auditiva, que descartou surdez.
Sua conduta inicial frente a esse quadro, além de orientar sobre o uso abusivo de telas, foi:
Alternativas

Gabarito comentado

Confira o gabarito comentado por um dos nossos professores

Gabarito: C

Fundamento decisivo: Em suspeita ainda não confirmada de TEA ou outro transtorno do neurodesenvolvimento, a decisão inicial depende de avaliação em múltiplos contextos; como a criança de 5 anos tem atraso de linguagem e dificuldade escolar, mas sem sinais que fechem TEA nem alarme neurológico, o passo mais útil entre as opções é obter relato escolar detalhado para documentar funcionamento social, comunicativo, comportamental e acadêmico.

Tema central: Avaliação inicial do neurodesenvolvimento
Análise das alternativas
A
Errada
Incorreta porque o M-CHAT é instrumento de rastreio para crianças menores, não apropriado para uma criança de 5 anos, e não serve para confirmar diagnóstico. O erro decisivo aqui é de faixa etária e de finalidade do instrumento.
B
Errada
Incorreta porque encaminhamento imediato ao neurologista infantil não é o primeiro passo obrigatório na ausência de regressão, convulsões, déficit focal ou outros sinais neurológicos de alarme. Antes disso, a avaliação deve ser qualificada com dados funcionais de outros ambientes, especialmente a escola.
C
Certa
A alternativa C está correta porque a hipótese diagnóstica ainda está em investigação e o enunciado já mostra prejuízo de linguagem e de desempenho escolar. Nessa situação, a informação da escola é tecnicamente valiosa para qualificar o quadro em ambiente estruturado: comunicação funcional, interação social, atenção, rigidez comportamental e impacto acadêmico. Isso ajuda a sustentar ou refinar a hipótese entre TEA e outros transtornos do neurodesenvolvimento, sem presumir diagnóstico fechado. A própria base ressalta que o termo mais adequado seria relatório escolar detalhado, não um documento confirmatório isolado; ainda assim, entre as opções, é a melhor conduta inicial.
D
Errada
Incorreta porque os dados não permitem excluir TEA nem outro transtorno do neurodesenvolvimento. Há atraso de linguagem, dificuldade escolar e sinais sociocomunicativos que mantêm a necessidade de investigação. Contato presente, resposta a comandos e alguma autonomia não afastam o diagnóstico.
E
Errada
Incorreta porque não há indicação de iniciar medicação em um quadro ainda não definido. Além disso, não existe farmacoterapia inicial inespecífica para 'tratar TEA'; quando fármacos são usados, são dirigidos a sintomas-alvo ou comorbidades específicas, após definição clínica.
Pegadinha da questão
A banca mistura sinais inespecíficos de TEA com atraso de linguagem e exposição excessiva a telas para induzir dois erros: usar M-CHAT fora da idade correta e achar que toda suspeita exige neurologista antes de completar a avaliação funcional em múltiplos contextos.
Dica para questões semelhantes
  • Em suspeita de transtorno do neurodesenvolvimento, procure a opção que amplia a avaliação com múltiplos informantes e múltiplos ambientes, especialmente família e escola.
  • Verifique sempre se o instrumento de triagem citado tem faixa etária e finalidade compatíveis com o caso.
  • Não confirme nem exclua TEA com sinais isolados; o critério decisivo é o padrão funcional de comunicação, socialização e comportamento em mais de um contexto.
  • Sem diagnóstico definido e sem sintoma-alvo específico, medicação não é conduta inicial.

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