Em “A valoração dá lugar à exaltação.” (2º§), o emprego do s...

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Q1369061 Português
Entre os mundos real e virtual


    Ninguém precisa mais se preocupar em invadir a nossa privacidade. Nós nos expomos em rede global.
    Nosso mundo pós-moderno é fragmentado. Uma de suas expressões mais evidentes é o videoclipe. Enxurrada de flashes, vibrações acústicas, sons distorcidos. Rompe-se a linearidade, enquanto a simultaneidade embaralha passado, presente e futuro. Tudo é simuladamente aqui e agora.
    O Iluminismo, ancorado na literatura, cede lugar à digitalização frenética. Mundo que carece de sentido. Forma que dispensa conteúdo. A performance do artista ultrapassa a arte que ele produz. Seu nome vale mais que seu desempenho. A valoração dá lugar à exaltação.    
    Einstein, que desnudou o mistério do Universo com suas equações, foi sucedido por Steve Jobs, que nos ofereceu maravilhas tecnológicas embaladas de refinamento estético, movidas a velocidade que desafia o cérebro humano.
    Agora a alienação já não resulta de ideologias que distorcem a realidade para nos incutir a mentira como verdade. Basta que sejamos deslocados do real para o virtual. Somos seres que trafegam simultaneamente em dois mundos: o da realidade de nossas necessidades e o da virtualidade de nossos sonhos e desejos.
    Trancados em nossos egos, avessos à sociabilidade, navegamos nas redes sociais que dispensam texto e contexto. Bastam vocábulos desconexos, abreviações, o balbuciar de sinais gráficos que nos conectam com a plateia global que, acomodada no teatro do mundo, desconectada do real, mantém os olhos fixos no palco vazio.
    As grandes narrativas são deletadas por esse tempo desprovido de memória e utopia. O passado passou, o futuro é uma quimera... Só resta o presente que se sucede prisioneiro da circularidade infinita.
    Ninguém ingressa em uma casa sem antes avisar ou ser convidado, marcar hora, identificar-se com o porteiro e justificar a espera e atenção.
    No entanto, centenas de pessoas invadem, pelas redes sociais, o nosso espaço privado, ferem a nossa sensibilidade com ofensas e desaforos, desafiam os nossos valores, jogam-nos na vala comum das emoções cifradas. Tudo se assemelha a um jogo de pingue-pongue com rede, porém sem mesa.
    Viciados em digitalização, aprisionados pela tecnologia que assegura retorno imediato ao capital, perdemos horas e horas da vida atirados ao ringue onomatopaico. Não navegamos, naufragamos. Deixamo-nos aprisionar pelas redes que nos favorecem a evasão de privacidade.
    Ora, ninguém precisa mais se preocupar em invadir a nossa privacidade. Nós mesmos nos expomos em rede global, arrancamos máscaras e roupas, escancaramos nossa indigência cultural e nossa miséria espiritual.
    Como artefato tecnológico, somos também apenas uma forma. Um objeto jogado aleatoriamente no turbulento mar da dessignificação.
    Escravos da virtualidade, acorrentados nas redes, não somos mais capazes de desligar o celular e de nos desligar dele. É ele que nos permite olhar o mundo pela janelinha eletrônica dessa prisão em que nos trancamos, cuja chave jogamos nas águas que cercam a ilha na qual nos isolamos, desprovidos de alteridade e sentido.
(Frei Betto. O Globo, 10/08/2015.)
Em “A valoração dá lugar à exaltação.” (2º§), o emprego do sinal indicativo de crase justifica-se pelo mesmo motivo de seu emprego em: 
Alternativas

Gabarito comentado

Confira o gabarito comentado por um dos nossos professores

Tema central: Uso da crase por regência nominal. A questão avalia o reconhecimento do motivo gramatical para o uso do acento indicativo de crase, especificamente a fusão da preposição “a” (governada por um termo regente) com o artigo feminino “a” (do termo regido).

Justificativa da alternativa correta:

Na frase do enunciado (“A valoração dá lugar à exaltação”), há crase porque a expressão “dar lugar a” exige preposição “a” e “exaltação” é substantivo feminino antecedido de artigo “a”. Ocorre, portanto, a fusão: a (preposição) + a (artigo) = à.

Alternativa C - CORRETA: “A referência à ajuda foi feita na reunião.”
O substantivo “referência” exige preposição “a” (quem faz referência, faz a referência a algo) e “ajuda” é feminino, com artigo “a”: portanto, à ajuda. O mecanismo gramatical é idêntico ao do enunciado.

Análise das alternativas incorretas:

A) “Pediram arroz à grega.”
Aqui, a crase ocorre por locução prepositiva implícita: “à moda de grega”. É um caso de expressão fixa, não por regência direta do termo anterior, então o motivo é diferente.

B) “Estarei em sua casa à meia-noite.”
Temos uma locução adverbial feminina de tempo. O uso da crase justifica-se pela fusão para indicar momento exato, e não por regência nominal. O motivo, mais uma vez, difere do enunciado.

D) “Às vezes, é preciso ter um pouco de paciência.”
Ocorre crase pois trata-se de locução adverbial feminina de tempo no plural (“às vezes”), não por regência nominal. Portanto, motivo distinto do utilizado na frase de referência.

Resumo para concursos: sempre identifique regência nominal (termo que exige preposição) + termo feminino com artigo “a”. Observe também os casos de locuções fixas e adverbiais, que justificam crase, mas por outro motivo. Autores como Bechara e Cunha & Cintra reforçam: “a incidência da crase depende da regência + artigo feminino”.

Alternativa correta: C

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Comentários

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Gabarito letra C, pois justifica se a crase pela regência do termo antecedente.

A- Ocorreu a crase por está explicita a palavra MODA. "à moda grega"

B- Crase diante de numerais que indicam horas exatas. "à meia noite"

D- Locução adverbial feminina. "às vezes"

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Caso tenha algum erro comenta. =)

GABARITO - C

A valoração dá lugar à exaltação.”

Lugar ao êxtase

A referência à ajuda foi feita na reunião.

Referência ao amparo

Pode ajudar na maioria dos casos:

Trocando o feminino pelo masculino.. Apareceu " ao" = crase.

REGRA DO PARALELISMO:

Se o primeiro dos termos não possui artigo a, o segundo também não terá. Se o primeiro tiver, o segundo receberá a crase.

Por ex.: Ficarei das às 13 horas.

Mas no trecho é a regência verbal que exige a crase, e na letra "C" é a regência nominal que exige a crase.

A) Pediram arroz à (maneira) grega - termo subentendido

B) Estarei em sua casa à meia-noite - faça a troca por ''ao meio-dia''

C) Correta

D) Às vezes - locução adverbial feminina.

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