Leia o texto a seguir: Ao lado de meu interesse por tem...
Ao lado de meu interesse por temas específicos e variados, se criou para sempre um amplo interesse metodológico — talvez relacionado ao meu antigo interesse por filosofia — que subjaz, meio obsessivamente, a tudo o que escrevo. Quando decidi estudar feitiçaria, não estava fundamentalmente interessado na perseguição às bruxas, mas o que me seduzia era abordar as perguntas dos inquisidores de modo a poder escapar de seu controle, o que, evidentemente, envolvia um problema metodológico.
(Maria Lúcia Garcia Pallares-Burke. As muitas faces da história – Nove entrevistas. São Paulo: Editora UNESP, 2000. Adaptado)
O trecho, destacado da entrevista da autora Maria Lúcia Garcia Pallares Burke com o historiador italiano Carlo Ginzburg, discute uma metodologia de pesquisa histórica relacionada à leitura dos documentos
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Alternativa correta: A
1. Tema central da questão
A questão aborda metodologias de leitura e interpretação de documentos históricos. O foco está na maneira como o historiador pode analisar fontes, especialmente aquelas produzidas em contextos de repressão, para além do que está explicitamente dito. Esse método é essencial para compreender histórias de grupos silenciados ou perseguidos, como no caso dos julgamentos de feitiçaria, tema de Carlo Ginzburg.
2. Resumo teórico
Nos estudos históricos, especialmente a partir do século XX, questionou-se a leitura “pura” dos documentos. Historiadores como Ginzburg e a Escola dos Annales propuseram métodos que privilegiam a análise das entrelinhas e dos silêncios dos documentos. O objetivo é perceber intenções ocultas e contradições, escapando do controle ideológico imposto pelos autores originais das fontes (ver: GINZBURG, C. O Queijo e os Vermes). Isso é chamado de “leitura a contrapelo” (inspirado em Walter Benjamin).
3. Justificativa da alternativa correta
A – A alternativa descreve precisamente o método de leitura crítica dos documentos, buscando ir além das intenções explícitas e desvelar sentidos ocultos, especialmente em fontes de perseguição ou repressão. Isso permite ao historiador questionar o ponto de vista dominante e trazer à tona vozes ocultas.
4. Análise das alternativas incorretas
B – Leitura literal limita-se ao que está escrito, ignorando contextos e intenções ocultas. A história contemporânea exige questionamento crítico das fontes.
C – A crítica externa é válida, mas trata apenas da autenticidade, não da interpretação do conteúdo ou da superação das intenções originais.
D – Apesar de mencionar interpretação e intenção, não destaca a necessidade de escapar ao controle do inquisidor ou ir além dos objetivos da fonte.
E – Análise formal considera aspectos materiais e linguísticos, mas não discute a leitura crítica de conteúdos e intenções.
5. Estratégias de interpretação
Fique atento a palavras-chave no enunciado e nas alternativas, como “escapar do controle”, “além das razões”, “entrelinhas”, pois indicam a necessidade de uma análise crítica. Desconfie de opções que sugerem literalidade ou análise apenas formal, pois, em questões sobre método histórico, geralmente se busca a capacidade de questionar e problematizar as fontes.
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nas entrelinhas e a contrapelo, desvirtuando as intenções das evidências, indo contra ou além das razões pelas quais elas foram construídas, adotando uma estratégia de leitura tortuosa.
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