Leia o texto a seguir: Roma jamais conheceu a transform...
Roma jamais conheceu a transformação social de um governo despótico, que quebrasse a dominação aristocrática e conduzisse a uma subsequente democratização da cidade, baseada em uma firme agricultura média ou pequena. Em vez disto, uma nobreza hereditária manteve seu poder sólido baseado em uma constituição cívica extremamente complexa, que passou por importantes modificações populares no decorrer de uma prolongada luta social violenta dentro da cidade, mas que nunca foi abolida ou substituída. A luta das classes mais pobres sempre fora conduzida por plebeus enriquecidos, que defendiam a causa popular para promover seus próprios interesses adventícios.
(Perry Anderson, Passagens da Antiguidade ao Feudalismo. São Paulo: Brasiliense, 1998. Adaptado)
De acordo com Perry Anderson, os tribunos da plebe foram homens que
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Alternativa correta: B - se tornaram instrumentos da dominação e do controle exercidos pelo senado.
1. Tema Central:
A questão aborda a estrutura social e política da Roma Antiga, especialmente o papel dos tribunos da plebe no contexto das lutas entre patrícios e plebeus. O foco está em compreender como, segundo Perry Anderson, os representantes da plebe muitas vezes atuaram de maneira a favorecer os interesses da elite senatorial.
2. Resumo Teórico:
Em Roma, a sociedade era dividida entre patrícios (aristocracia) e plebeus (populares). Os tribunos da plebe surgiram como uma conquista dos plebeus para defender seus direitos, mas, com o tempo, muitos desses líderes plebeus passaram a integrar a elite política, defendendo mais seus próprios interesses do que os da população em geral. Conforme o historiador Perry Anderson (Passagens da Antiguidade ao Feudalismo), os tribunos frequentemente se transformaram em intermediários do poder aristocrático, mantendo a estrutura social vigente.
3. Justificativa da Alternativa Correta (B):
A alternativa B está correta pois expressa a análise crítica de Anderson: os tribunos, originalmente criados para proteger as classes populares, acabaram agindo em muitos momentos como instrumentos de controle social do Senado, ajudando a conter e canalizar as demandas populares sem ameaçar de fato o domínio aristocrático. Essa interpretação é recorrente em estudos acadêmicos de História Antiga (cf. Anderson, 1998).
4. Análise das Alternativas Incorretas:
A: Incorreta. Não houve uma transformação profunda; as mudanças ficaram restritas, sem romper o domínio aristocrático.
C: Incorreta. Os tribunos, ao se integrarem à elite, muitas vezes não enfrentaram de fato os patrícios, mas buscaram seus próprios benefícios.
D: Incorreta. Não realizaram reforma agrária efetiva em Roma, pois a concentração fundiária permaneceu.
E: Incorreta. Sua atuação foi principalmente política, não militar.
Dica de Interpretação:
Observe palavras-chave como “instrumentos” e atente para a crítica sutil do texto. Pergunte-se sempre: o texto aponta uma transformação real ou uma manutenção do status quo?
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