Paciente 33 anos, tercigesta, secundípara (partos prematuros...

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Q3833229 Medicina
Paciente 33 anos, tercigesta, secundípara (partos prematuros), 33ª semana de gravidez. Chegou à emergência obstétrica referindo dor em baixo ventre. Referiu sobre os partos anteriores: o 1º prematuro, não sabe o motivo, mas informa que chegou ao hospital com 5 cm de dilatação, por via vaginal, e o recém-nascido apresentou desconforto respiratório; e o 2º parto foi de uma gestação gemelar, os bebês de mesma placenta entraram em sofrimento, sendo preciso realizar uma cesariana e ambos também apresentaram desconforto respiratório, um chegou a ficar no tubo por três dias, e o outro apenas com uma “máscara”. Peso ao nascer: 2.020g (1ª gestação) e 1.750g/2.530g (2ª gestação). Ao exame geral, nada digno de nota. Ao exame obstétrico: dinâmica uterina ausente; altura de fundo uterino de 25cm; pressão arterial de 160 x 110 mmHg; toque vaginal, com colo fechado, longo e posterior e feto alto e móvel. Avaliando apenas os antecedentes obstétricos descritos, assinale a alternativa que melhor representa uma medida preventiva precoce que poderia ter sido realizada. 
Alternativas

Gabarito comentado

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Gabarito: A

Fundamento decisivo: O dado decisivo é o antecedente do primeiro parto prematuro espontâneo, sugerido pelo parto vaginal com 5 cm de dilatação já na admissão; como a questão pede apenas os antecedentes obstétricos e uma medida preventiva precoce, a intervenção clássica nesse cenário é progesterona no início do segundo trimestre.

Tema central: Prevenção de parto prematuro recorrente
Análise das alternativas
A
Certa
A alternativa A está correta porque o primeiro antecedente obstétrico é compatível com trabalho de parto prematuro espontâneo, fator de risco para recorrência em gestações futuras. Nesse contexto, a medida preventiva precoce classicamente associada à redução desse risco é a progesterona iniciada no começo do segundo trimestre. O segundo antecedente, embora também tenha terminado em prematuridade, foi uma cesariana por sofrimento fetal em gestação gemelar, ou seja, um cenário compatível com prematuridade iatrogênica, que não é o fundamento principal para essa profilaxia.
B
Errada
Cálcio é intervenção voltada à prevenção de pré-eclâmpsia em contextos selecionados, não à prevenção específica de recorrência de parto prematuro espontâneo. A questão restringe a análise aos antecedentes obstétricos, e o antecedente decisivo é o primeiro parto prematuro espontâneo.
C
Errada
Ácido acetilsalicílico é usado como prevenção de pré-eclâmpsia em gestantes de maior risco. Isso não responde ao principal risco reprodutivo prevenível descrito no enunciado, que é a recorrência de prematuridade espontânea após um parto prematuro espontâneo prévio.
D
Errada
A ultrassonografia transvaginal cervical pode ter utilidade no rastreio de risco de prematuridade, mas a alternativa erra no momento: terceiro trimestre é tardio para uma estratégia preventiva precoce baseada em avaliação cervical. O erro aqui é de temporalidade da conduta.
E
Errada
Sulfato de magnésio não é medida preventiva precoce baseada apenas em antecedente obstétrico de prematuridade. Seu uso se relaciona à profilaxia/tratamento de eclâmpsia ou à neuroproteção fetal quando há iminência de parto prematuro em situações específicas, portanto tem indicação terapêutica distinta da pedida.
Pegadinha da questão
A banca tentou desviar o raciocínio com a pressão arterial de 160 x 110 mmHg no quadro atual para induzir escolha de AAS ou cálcio, mas o enunciado determina avaliar apenas os antecedentes obstétricos; além disso, nem toda prematuridade prévia é espontânea, e a gestação gemelar interrompida por sofrimento fetal não equivale a parto prematuro espontâneo.
Dica para questões semelhantes
  • Diferencie prematuridade espontânea de prematuridade iatrogênica antes de escolher a medida preventiva.
  • Se o antecedente decisivo for parto prematuro espontâneo prévio, pense em progesterona como prevenção precoce clássica.
  • Quando a questão restringir a análise aos antecedentes, não deixe achados atuais mudarem o alvo da resposta.
  • Em alternativas com exame de rastreio, confira se a janela gestacional proposta faz sentido para prevenção.

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