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Q3833224 Medicina
Mulher de 60 anos realizou ultrassonografia de abdome por queixas ginecológicas que identificou cisto de pâncreas. Complementou investigação com ressonância magnética de abdome que identificou cisto pancreático de 2,6cm em corpo do pâncreas, sem comunicação com ductos pancreáticos, sem nódulo mural ou realce sólido. Ducto pancreático de 3mm. Ca 19-9 dentro da normalidade.
Diante do quadro, qual seria a conduta mais apropriada?
Alternativas

Gabarito comentado

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Gabarito: B

Fundamento decisivo: Cisto pancreático assintomático de 2,6 cm, sem nódulo mural, sem componente sólido, sem dilatação significativa do ducto principal (3 mm) e com CA 19-9 normal não reúne critérios de alto risco para ressecção imediata; a conduta indicada é vigilância por imagem em curto intervalo inicial.

Tema central: Cisto pancreático incidental
Análise das alternativas
A
Errada
Pancreatectomia distal laparoscópica é inadequada porque a lesão não apresenta critérios de alto risco que justifiquem ressecção pancreática. O enunciado traz exatamente os achados que afastam indicação cirúrgica imediata: ausência de nódulo mural, ausência de componente sólido, ducto principal não dilatado e tamanho abaixo de 3 cm. Indicar pancreatectomia nesse contexto expõe a morbidade cirúrgica sem base oncológica suficiente.
B
Certa
A alternativa B está correta porque o quadro descrito não preenche critérios de alto risco para ressecção imediata. Pela base, diretrizes contemporâneas como AGA e europeias/Fukuoka convergem em que cistos pancreáticos assintomáticos sem nódulo mural, sem componente sólido, sem dilatação relevante do ducto principal e abaixo dos limiares clássicos de maior risco devem ser acompanhados com imagem. O tamanho de 2,6 cm, isoladamente, não impõe cirurgia nem punção obrigatória, e a ausência de achados suspeitos torna o seguimento em 3-6 meses a conduta mais apropriada entre as opções.
C
Errada
Pancreatectomia total é ainda mais incompatível com o caso. Trata-se de lesão focal em corpo pancreático, sem evidência de malignidade invasiva, sem multifocalidade descrita e sem critérios de alto risco. A extensão cirúrgica proposta é desproporcional ao risco da lesão e não encontra sustentação na estratificação fornecida pelo enunciado.
D
Errada
Biópsia guiada por ecoendoscopia não é a melhor conduta de rotina nesse cenário. Pela base, a EUS-FNA é reservada para presença de características de maior risco ou para incerteza diagnóstica com potencial de mudar a conduta. A diretriz AGA citada na base sugere EUS-FNA quando há pelo menos duas características de maior risco, como tamanho >=3 cm, dilatação ductal ou componente sólido; esse caso não reúne esses achados, portanto não há indicação mandatória de punção.
E
Errada
Quimioterapia neoadjuvante com FOLFIRINOX não tem papel em cisto pancreático incidental sem evidência de neoplasia invasiva. O enunciado não descreve adenocarcinoma pancreático, doença localmente avançada, borderline ressecável ou qualquer confirmação oncológica que sustente tratamento sistêmico. Mistura-se aqui manejo de cisto pancreático de baixo risco com tratamento de câncer pancreático, o que é tecnicamente incorreto.
Pegadinha da questão
A banca explora a tendência de supervalorizar o tamanho de 2,6 cm ou a possibilidade de lesão mucinosa e concluir por cirurgia ou ecoendoscopia. O ponto decisivo era perceber que, abaixo de 3 cm e sem nódulo mural, componente sólido ou dilatação ductal, a conduta padrão permanece vigilância por imagem.
Dica para questões semelhantes
  • Em cisto pancreático incidental, procure primeiro os marcadores de alto risco: nódulo mural, componente sólido e dilatação do ducto principal.
  • Tamanho abaixo de 3 cm, isoladamente, não obriga cirurgia nem punção se os demais achados forem de baixo risco.
  • Ecoendoscopia com punção não é etapa automática; ganha força quando há características suspeitas ou quando o resultado muda a conduta.
  • Sem diagnóstico de câncer invasivo, não há indicação de quimioterapia neoadjuvante.

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