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Q3995458 Medicina
G.A.S, feminino, 32 anos, previamente hígida, relata que, cerca de 15 minutos após ingerir peixe grelhado em restaurante, passou a apresentar prurido facial, urticária difusa, rubor cutâneo, sensação de calor, cefaleia leve e discreto aperto na garganta; os sintomas regrediram espontaneamente após cerca de uma hora, com melhora adicional após anti histamínico oral administrado no pronto-socorro; o marido e uma amiga, que compartilharam a mesma refeição, também apresentaram sintomas semelhantes logo após a ingestão; todos negam alergia alimentar prévia ou história de atopia; considerando o padrão clínico, o contexto epidemiológico e o mecanismo fisiopatológico mais provável, qual é a explicação correta para este episódio?
Alternativas

Gabarito comentado

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Gabarito: A

Fundamento decisivo: O que decide a questão é a associação entre início em cerca de 15 minutos após o peixe, sintomas cutâneo-vasomotores típicos de histamina e acometimento simultâneo de vários comensais sem história prévia de alergia, o que aponta para escombrotoxicose por histamina exógena já formada no alimento por degradação bacteriana, e não para alergia IgE-mediada individual.

Tema central: Escombrotoxicose por histamina
Análise das alternativas
A
Certa
A alternativa A descreve o mecanismo que integra os dados do caso: peixe mal conservado pode sofrer degradação bacteriana com conversão de histidina em histamina, e a ingestão dessa histamina provoca quadro pseudoalérgico imediato com rubor, prurido, urticária, sensação de calor, cefaleia e desconforto orofaríngeo. O fato de marido e amiga, que comeram a mesma refeição, também terem apresentado sintomas semelhantes favorece evento tóxico relacionado ao alimento. Esse mecanismo independe de sensibilização prévia.
B
Errada
Está errada porque hipersensibilidade tipo I ao peixe depende de sensibilização prévia a proteínas do alimento e é um fenômeno do indivíduo sensibilizado. O acometimento simultâneo de múltiplos comensais após a mesma refeição favorece toxina presente no alimento. O início rápido e a urticária podem imitar alergia IgE-mediada, mas aqui o contexto epidemiológico e a ausência de história prévia deslocam o diagnóstico para intoxicação histamínica.
C
Errada
Está errada por incompatibilidade temporal e semiológica. Reação de hipersensibilidade tipo IV é tardia, mediada por linfócitos T, com instalação em horas a dias, não em 15 minutos. Além disso, urticária e rubor imediato não são o padrão típico de reação tipo IV.
D
Errada
Está errada porque, embora a ocorrência em vários comensais sugira fonte alimentar comum, o fenótipo clínico descrito não é o de intoxicação bacteriana clássica por enterotoxinas. Nesses quadros costumam predominar sintomas gastrointestinais como náuseas, vômitos, cólicas e diarreia, enquanto aqui predominam manifestações histamínicas cutâneo-vasomotoras. Febre também não aparece como manifestação inicial no caso.
Pegadinha da questão
A banca constrói um quadro que parece alergia alimentar imediata, mas o detalhe decisivo é que várias pessoas que comeram o mesmo peixe tiveram sintomas semelhantes, o que favorece histamina pré-formada no alimento e não alergia IgE verdadeira.
Dica para questões semelhantes
  • Se o quadro começa em minutos após peixe e há rubor, urticária, prurido, calor e cefaleia, pense em síndrome histamínica além de alergia.
  • Quando vários comensais adoecem após a mesma refeição, priorize mecanismo tóxico ligado ao alimento antes de mecanismo imunológico individual.
  • Alergia IgE-mediada ao alimento exige sensibilização prévia e costuma explicar reação no indivíduo sensibilizado, não um surto entre expostos.
  • Reação tipo IV cai por tempo de início: horas a dias, não minutos.

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