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Q3995457 Medicina
R.M.A, feminino, 41 anos, apresenta quadro de urticária crônica espontânea há aproximadamente 14 meses, com pápulas e placas eritemato edematosas intensamente pruriginosas, de surgimento diário, com resolução completa em menos de 24 horas, sem lesão residual ou sinais sistêmicos; a paciente já realizou tratamento otimizado com anti histamínicos H1 de segunda geração em dose quadruplicada por 12 semanas, associado a antagonista de leucotrieno e cursos intermitentes de corticosteroide sistêmico para controle de exacerbações, mantendo atividade da doença com UAS7 persistentemente elevado e prejuízo funcional importante; exames laboratoriais básicos, incluindo hemograma, função tireoidiana, PCR e FAN, são normais; não há contraindicações infecciosas ou imunológicas; considerando o algoritmo terapêutico atual para urticária crônica espontânea refratária e os mecanismos de ação das terapias alvo específicas disponíveis, qual é a conduta mais adequada neste momento?
Alternativas

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Gabarito: D

Fundamento decisivo: UCE típica e refratária após anti-histamínico H1 de 2ª geração em dose quadruplicada por tempo adequado; nessa etapa, a próxima conduta do algoritmo é omalizumabe 300 mg a cada 4 semanas, não corticoide contínuo nem ciclosporina antes dele.

Tema central: Escalonamento terapêutico da UCE refratária
Análise das alternativas
A
Errada
Está errada porque corticosteroide sistêmico contínuo não é terapia de manutenção recomendada na UCE. Pela base, seu papel é apenas em curso curto para exacerbações. O erro decisivo é transformar uma medicação de controle transitório em estratégia crônica, o que contraria o algoritmo terapêutico e a segurança farmacológica do uso prolongado.
B
Errada
Está errada porque dupilumabe não ocupa, nesta questão, o lugar de escolha padrão após falha ao anti-H1 em dose quadruplicada. O racional de inflamação tipo 2 e prurido crônico não substitui o algoritmo específico da UCE, no qual omalizumabe é a terapia-alvo preferencial nessa etapa.
C
Errada
Está errada por dois motivos técnicos objetivos: ciclosporina não é terapia biológica e não é a etapa preferencial imediatamente após falha ao anti-histamínico otimizado. Pela diretriz usada na base, ela fica como opção subsequente para pacientes não controlados com anti-histamínicos e omalizumabe. Portanto, a alternativa erra na classificação do fármaco e na sequência terapêutica.
D
Certa
A alternativa D corresponde ao passo seguinte do algoritmo terapêutico vigente para urticária crônica espontânea refratária ao anti-H1 em dose quadruplicada. A paciente já percorreu a etapa de tratamento otimizado e segue com UAS7 elevado e prejuízo funcional, o que caracteriza falha de controle. Nessa situação, a diretriz internacional de urticária de 2021 e a EAACI Biologicals Guideline de 2022 sustentam o uso de omalizumabe 300 mg a cada 4 semanas como terapia-alvo preferencial. O fundamento farmacológico também é compatível com a doença: o omalizumabe reduz IgE livre e modula a ativação mastocitária e basofílica dependente de FcεRI, mecanismo coerente com a fisiopatologia da UCE.
Pegadinha da questão
A banca mistura mecanismos e nomes de terapias para deslocar o candidato do algoritmo correto: induz erro com ciclosporina chamada de 'biológica', com corticoide como falsa manutenção e com dupilumabe por associação genérica a prurido tipo 2, quando o critério decisivo é a etapa terapêutica da UCE refratária.
Dica para questões semelhantes
  • Em UCE típica, confirme primeiro se houve falha real ao anti-H1 de segunda geração em dose quadruplicada por tempo adequado; isso define a próxima etapa.
  • Depois dessa falha, o passo padrão do algoritmo é omalizumabe; ciclosporina vem depois, não antes.
  • Corticoide sistêmico na UCE serve para curso curto em exacerbação, não para manutenção crônica.
  • Não troque o algoritmo específico da doença por um raciocínio mecanístico genérico sobre prurido ou inflamação tipo 2.

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