P.R.S, masculino, 36 anos, portador de dermatite atópica des...

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Q3995455 Medicina
P.R.S, masculino, 36 anos, portador de dermatite atópica desde a infância, evolui nos últimos dois anos com exacerbações frequentes, prurido intenso refratário, insônia, múltiplas lesões liquenificadas extensas em tronco e membros, escore EASI elevado e prejuízo funcional importante; já foi submetido a tratamento otimizado com emolientes, corticosteroides tópicos de alta potência em esquema proativo, tacrolimo tópico, fototerapia NB UVB e ciclosporina oral por 20 semanas, suspensa por nefrotoxicidade; apresenta história concomitante de asma moderada persistente parcialmente controlada, rinite alérgica perene e eosinofilia periférica persistente; IgE total encontra-se elevada, porém sem correlação direta com gravidade clínica; não há história de infecções recorrentes nem contraindicações imunológicas formais. Considerando os mecanismos inflamatórios predominantes, as comorbidades associadas e as evidências atuais para terapias alvo- -específicas na dermatite atópica moderada a grave, qual imunobiológico é mais apropriado como primeira escolha para este paciente?
Alternativas

Gabarito comentado

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Gabarito: A

Fundamento decisivo: O caso descreve dermatite atópica moderada a grave refratária/intolerante ao tratamento convencional, com predomínio de inflamação tipo 2 e comorbidades atópicas respiratórias; entre as opções, o bloqueio de IL-4Rα com inibição de IL-4 e IL-13 pelo dupilumabe é o mecanismo mais alinhado à fisiopatologia central da doença e ao benefício esperado no contexto.

Tema central: Biológico na dermatite atópica
Análise das alternativas
A
Certa
O dupilumabe é a alternativa correta porque atua exatamente no mecanismo mais relevante da dermatite atópica moderada a grave: a inflamação tipo 2 mediada por IL-4 e IL-13, implicada na disfunção de barreira, no prurido e na inflamação cutânea. O caso já mostra falha de medidas tópicas, fototerapia e intolerância à ciclosporina por nefrotoxicidade, o que coloca o paciente em cenário de terapia-alvo. Além disso, asma moderada persistente e rinite alérgica perene reforçam a escolha de um agente que também beneficia comorbidades respiratórias do mesmo eixo imunológico.
B
Errada
Omalizumabe neutraliza IgE, mas IgE total elevada não define a melhor terapia biológica para dermatite atópica moderada a grave. A própria base destaca que IgE elevada não tem correlação direta suficiente com gravidade clínica e não desloca a primeira escolha para anti-IgE. O erro da alternativa é tomar um marcador de atopia como se fosse o alvo terapêutico central da doença cutânea.
C
Errada
Mepolizumabe bloqueia IL-5 e reduz eosinofilia, porém eosinofilia periférica persistente, neste contexto, é marcador de inflamação tipo 2 e não o eixo terapêutico principal da dermatite atópica. Reduzir eosinófilos sistêmicos não equivale a tratar de forma mais apropriada a fisiopatologia nuclear da doença cutânea descrita. Portanto, o anti-IL-5 não é a primeira escolha aqui.
D
Errada
Secuquinumabe inibe IL-17, via classicamente relacionada a psoríase e espondiloartrites, não à fisiopatologia central da dermatite atópica. A liquenificação extensa não muda o eixo imunológico predominante; ela indica cronicidade por prurido e escoriação. O erro médico da alternativa é inferir indicação pelo aspecto crônico das lesões, ignorando que o mecanismo do fármaco não corresponde à doença de base.
Pegadinha da questão
A banca tentou induzir a escolha por biomarcadores: IgE alta sugere omalizumabe e eosinofilia sugere mepolizumabe. O ponto decisivo, porém, era priorizar o mecanismo central da dermatite atópica e o benefício sobre as comorbidades respiratórias tipo 2, o que favorece dupilumabe.
Dica para questões semelhantes
  • Na dermatite atópica moderada a grave, escolha o biológico pelo eixo fisiopatológico predominante da doença cutânea, não apenas por biomarcadores como IgE ou eosinófilos.
  • Se o caso trouxer falha de tópicos, fototerapia e intolerância a imunossupressor sistêmico, pense em terapia-alvo alinhada ao mecanismo central da doença.
  • Quando houver asma e rinite atópicas associadas, valorize biológico com ação no mesmo eixo tipo 2 compartilhado.
  • Liquenificação extensa indica cronicidade da dermatite atópica, não mudança automática para vias como IL-17.

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