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Q3833214 Medicina
Um paciente de 55 anos, com histórico epidemiológico positivo para doença de Chagas na infância e disfagia progressiva para sólidos e líquidos há 3 anos, realiza uma manometria de alta resolução (HRM) como parte da investigação diagnóstica. O exame revela: Pressão de Relaxamento Integrada (IRP) consistentemente elevada (> 15 mmHg). 100% de falha peristáltica (ausência de contrações esofágicas normais). Pressurização panesofágica (pressurização simultânea de todo o esôfago) em 30% das deglutições avaliadas. Com base na Classificação de Chicago versão 4.0 e na apresentação clínica típica de um megaesôfago chagásico, qual é o tipo de acalasia e a conduta clínica inicial mais apropriada para esse caso?
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Gabarito: C

Fundamento decisivo: Pela Chicago Classification v4.0, IRP elevada associada a 100% de falha peristáltica e pressurização panesofágica em pelo menos 20% das deglutições define acalasia tipo II; como o exame mostrou panesofagização em 30%, o subtipo é tipo II, e entre as opções dadas a conduta inicial mais apropriada é uma terapia definitiva para reduzir a obstrução funcional do EEI, representada pela miotomia de Heller.

Tema central: Acalasia tipo II
Análise das alternativas
A
Errada
Está errada em dois pontos. Primeiro, o subtipo não é tipo I, porque a presença de pressurização panesofágica em 30% das deglutições, com IRP elevada e aperistalse, define tipo II pela Chicago v4.0. Segundo, esofagectomia não é tratamento inicial da acalasia; fica para situações de doença muito avançada, refratária ou com complicações específicas, o que não foi demonstrado no enunciado.
B
Errada
Erra o subtipo, porque tipo I não apresenta o critério decisivo de panesofagização relevante; aqui ela ocorre em 30%, o que caracteriza tipo II. Além disso, a toxina botulínica tem papel menos durável e geralmente paliativo, reservada a pacientes sem condições para terapias definitivas. Embora a dilatação pneumática possa ser opção em tipos I e II, a alternativa permanece incorreta pela classificação errada e por equiparar botulínica a estratégia inicial preferencial nesse perfil clínico.
C
Certa
A alternativa C é a única que combina corretamente o subtipo manométrico e uma terapia definitiva apropriada. O exame preenche o critério da Chicago v4.0 para acalasia tipo II: IRP elevada, ausência de peristalse normal e pressurização panesofágica em 30% das deglutições. Para acalasia tipos I e II, diretrizes de manejo aceitam terapias definitivas como dilatação pneumática, POEM e miotomia de Heller; entre as alternativas apresentadas, a miotomia de Heller é uma escolha adequada para um paciente típico, sem informação de fragilidade ou contraindicação cirúrgica.
D
Errada
O subtipo está correto, mas a conduta está errada. Nitratos sublinguais podem reduzir temporariamente a pressão do EEI, porém não são tratamento inicial preferencial para acalasia tipo II em paciente sem impedimento para abordagem definitiva. O objetivo terapêutico é reduzir de modo mais eficaz e duradouro a obstrução funcional da junção esofagogástrica, o que se obtém com miotomia ou dilatação.
E
Errada
Está errada porque o padrão manométrico não é de tipo III. Acalasia tipo III exige contrações prematuras ou espásticas em pelo menos 20% das deglutições. O enunciado descreve falha peristáltica completa com pressurização panesofágica em 30%, que é o padrão do tipo II. Portanto, a justificativa de POEM como primeira escolha "devido ao espasmo" não se sustenta nos achados fornecidos.
Pegadinha da questão
A banca explorou a confusão entre pressurização panesofágica e espasmo: panesofagização em pelo menos 20% das deglutições aponta para acalasia tipo II, enquanto o tipo III exige contrações prematuras/espásticas, que não foram descritas.
Dica para questões semelhantes
  • Na HRM, primeiro classifique o subtipo pelo critério-chave: tipo II = IRP elevada + aperistalse + pressurização panesofágica em pelo menos 20% das deglutições.
  • Não chame de tipo III sem contrações prematuras ou espásticas documentadas; pressurização simultânea do esôfago não é o mesmo que espasmo.
  • Em acalasia tipos I e II, priorize terapias definitivas que reduzem a resistência do EEI; toxina botulínica e nitratos ficam para cenários selecionados, não como melhor resposta de rotina.
  • Não transforme megaesôfago chagásico em indicação automática de esofagectomia; sem sinais de doença terminal ou refratária, essa não é a conduta inicial.

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