Homem de 74 anos, diabético e hipertenso, chega após 48 hora...

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Q3833201 Medicina
Homem de 74 anos, diabético e hipertenso, chega após 48 horas de febre alta, calafrios, prostração intensa e redução acentuada da diurese, após dois dias de mal-estar progressivo em casa. Na admissão: PA 82/48 mmHg mesmo após 1,5 L de cristaloide, FC 128 bpm, lactato 6,1 mmol/L, diurese 0,3 mL/kg/h, creatinina 2,1 mg/dL (prévia 1,0). Temperatura 38,9 C, extremidades frias, SatO₂ 90% em 4 L/min. Hemoculturas já colhidas, e urina turva sugere foco urinário. Qual é o próximo passo imediato? 
Alternativas

Gabarito comentado

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Gabarito: B

Fundamento decisivo: O caso descreve choque séptico com hipotensão persistente após reposição inicial de cristaloide e sinais de hipoperfusão orgânica — PA 82/48 mmHg após 1,5 L, lactato 6,1 mmol/L, oligúria, creatinina em elevação e extremidades frias —, o que indica necessidade imediata de vasopressor de primeira linha, preferencialmente norepinefrina, para manter PAM ≥ 65 mmHg.

Tema central: Choque séptico refratário a volume
Análise das alternativas
A
Errada
Está errada porque o paciente já recebeu reposição inicial e permanece hipotenso, com lactato elevado, oligúria e injúria renal aguda. Persistir somente com mais volume ignora a vasoplegia do choque séptico refratário e atrasa a correção da pressão de perfusão. Além disso, a base afirma que insistir apenas em fluidos aumenta risco de sobrecarga hídrica.
B
Certa
A alternativa B está correta porque o quadro já ultrapassou a fase de reposição volêmica isolada: há infecção provável, hipotensão mantida após cristaloide e sinais objetivos de hipoperfusão e disfunção orgânica. Nesse cenário, o passo imediato é restaurar pressão de perfusão com vasopressor, e a norepinefrina é a escolha inicial preferencial no choque séptico. A meta hemodinâmica inicial é PAM ≥ 65 mmHg para reverter a falência circulatória e sustentar perfusão tecidual.
C
Errada
Está errada por dois motivos médicos objetivos: dopamina não é o vasopressor inicial preferido no choque séptico, e a justificativa apresentada na alternativa é falsa, porque ela se associa a maior risco de taquiarritmias em comparação com norepinefrina. O critério decisivo aqui é farmacologia comparativa dos vasopressores em choque distributivo.
D
Errada
Está errada porque antibioticoterapia precoce e suporte vasopressor não são medidas excludentes nem sequenciais obrigatórias. Em choque já estabelecido, não se deve aguardar antibiótico para então corrigir hipotensão refratária. O erro da alternativa é hierarquizar incorretamente a conduta e atrasar o suporte hemodinâmico imediato.
E
Errada
Está errada porque o quadro é incompatível com enfermaria: há choque séptico com necessidade de vasopressor, oligúria, elevação de creatinina, lactato alto e hipoxemia em oxigênio suplementar. A base é explícita em que falência circulatória, renal e respiratória nesse contexto exige ambiente de terapia intensiva.
Pegadinha da questão
A banca testa a troca da prioridade do passo imediato: diante de foco infeccioso e culturas colhidas, o erro é esquecer que a urgência técnica naquele momento é corrigir o choque refratário a fluidos com norepinefrina, e não insistir apenas em volume nem esperar antibiótico.
Dica para questões semelhantes
  • Se houver hipotensão persistente após fluidos mais lactato elevado ou disfunção orgânica, pense em choque séptico com necessidade imediata de vasopressor.
  • Em choque séptico, a meta hemodinâmica inicial cobrada é PAM ≥ 65 mmHg.
  • Norepinefrina é a primeira escolha; dopamina não é preferida por maior risco de arritmia.
  • Antibiótico precoce é obrigatório, mas não deve atrasar o vasopressor quando o paciente já está em choque.

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