Mulher de 52 anos apresenta nefrolitíase recorrente há três ...

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Q3833193 Medicina
Mulher de 52 anos apresenta nefrolitíase recorrente há três anos, além de fadiga crônica, dor óssea difusa e constipação ocasional. Os exames mostram cálcio sérico de 11,6 mg/dL, PTH de 125 pg/mL, fósforo de 2,2 mg/dL, vitamina D de 35 ng/mL e função renal normal. Não utiliza suplementos e não houve imobilização prolongada. Qual é o diagnóstico e o tratamento mais indicado?
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Gabarito: C

Fundamento decisivo: Hipercalcemia com PTH inadequadamente elevado indica hipercalcemia PTH-dependente; no caso, isso se associa a fósforo baixo e nefrolitíase recorrente, compatíveis com hiperparatireoidismo primário sintomático, cuja conduta indicada é paratireoidectomia.

Tema central: Hiperparatireoidismo primário
Análise das alternativas
A
Errada
Está errada porque hipercalcemia maligna é causa PTH-independente e, nesse cenário, o PTH deveria estar suprimido, não elevado. O padrão do caso é o oposto: PTH alto apesar do cálcio alto, além de fósforo baixo e nefrolitíase recorrente, o que aponta para hiperparatireoidismo primário. Hidratação venosa pode ter papel de suporte em hipercalcemia, mas não é o tratamento etiológico mais indicado aqui.
B
Errada
Está errada porque hiperparatireoidismo secundário cursa tipicamente com PTH elevado em resposta a cálcio normal-baixo ou hipocalcemia, com frequência por deficiência de vitamina D ou doença renal crônica. Neste caso há hipercalcemia, vitamina D normal e função renal normal, o que exclui esse padrão bioquímico. Iniciar vitamina D nesse contexto contraria a fisiopatologia descrita e pode agravar a hipercalcemia.
C
Certa
A alternativa C está correta porque o conjunto laboratorial e clínico é compatível com hiperparatireoidismo primário: hipercalcemia, PTH inadequadamente elevado e fósforo baixo por efeito fosfatúrico do PTH. Além do diagnóstico, a paciente é sintomática, com nefrolitíase recorrente e dor óssea, o que caracteriza indicação de tratamento cirúrgico. Portanto, a conduta mais indicada não é apenas suporte para hipercalcemia, e sim paratireoidectomia.
D
Errada
Está errada porque hipercalcemia por imobilização exige contexto de imobilização prolongada, que o enunciado afasta explicitamente. Além disso, essa é uma hipercalcemia PTH-independente, portanto o esperado seria PTH suprimido, e não elevado como no caso.
E
Errada
Está errada porque hipercalcemia por vitamina D costuma cursar com PTH suprimido, e não elevado. O enunciado também informa vitamina D em nível adequado e ausência de uso de suplementos, retirando o suporte causal para essa hipótese. O fósforo baixo também favorece hiperparatireoidismo primário, não intoxicação por vitamina D.
Pegadinha da questão
A banca explora a confusão entre reconhecer apenas a hipercalcemia e perder o dado que resolve o caso: PTH alto em paciente hipercalcêmica define hipercalcemia PTH-dependente. A outra armadilha é tratar a nefrolitíase recorrente como detalhe, quando ela torna o quadro sintomático e sustenta a indicação de paratireoidectomia.
Dica para questões semelhantes
  • Em toda hipercalcemia, primeiro confronte o PTH com o cálcio: se o cálcio está alto e o PTH não está suprimido, pense em causa PTH-dependente.
  • Hipercalcemia com PTH elevado e fósforo baixo forma o padrão bioquímico clássico de hiperparatireoidismo primário.
  • Nefrolitíase recorrente e dor óssea não são acessórios no enunciado; em hiperparatireoidismo primário, marcam doença sintomática e mudam a conduta para cirurgia.

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