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Q1335071 Português

TEXTO 2


 Frustração infantil: a importância de dizer ‘não’


Outro dia, em um supermercado, deparei-me com uma criança que se debatia no chão enquanto a mãe explicava o porquê de não levar o chocolate pedido naquele dia.
Ao ver aquela cena, logo pensei nos sentimentos ali envolvidos: o constrangimento da mãe, a raiva da criança, e o que deu início a tudo isso: a frustração.  
Mas, afinal, o que é frustração? É o sentimento que nos atinge pela não realização de um desejo ou expectativa e, em geral, vem de “mãos dadas” com a raiva e a tristeza. Apesar de a frustração ser muito associada ao fracasso, ela é de extrema importância para o desenvolvimento emocional sadio.
Vivemos em uma era de imediatismos. Desde pequenas, as crianças estão habituadas a ter acesso à satisfação instantânea. Lembram-se dos tempos de “outrora”? Eram tempos em que recebíamos, diariamente, uma pequena dose de frustração! Aí está, a tal da frustração presente, desde cedo, em nossas vidas, nas pequenas ações diárias. 
Como adultos, sabemos que nem sempre podemos ter o que desejamos, ou na velocidade desejada. Assim, percebemos que as frustrações são parte inerente da vida; encontrar formas de lidar com o desconforto causado por elas é fundamental para o bem-estar emocional. 
Na ânsia de ver nossos filhos felizes, acabamos por atender a todos os seus desejos, acreditando que, ao negar-lhes algo, estaremos lhes causando sofrimento. Quando os pais tentam evitar qualquer tipo de frustração, estão sendo imediatistas, pois privam seus filhos de oportunidades de crescimento pessoal e de compreensão de mundo. O excesso de proteção pode resultar em adultos que não sabem lidar com as adversidades cotidianas.
A cada frustração, a criança aprende a encontrar uma forma de lidar com o desconforto gerado pela negação do seu desejo, a encontrar novos caminhos e superar adversidades. Passar por situações de frustração abre espaço para desenvolver resiliência, tão importante em nosso desenvolvimento social e emocional. 
Ao permitirmos que as crianças se frustrem algumas vezes, contribuímos para que elas sejam adultos mais compreensivos. O não é, pode ser ato de amor. 
Aprender, desde cedo, a lidar com o desconforto e a encontrar formas de se sentir melhor, pode ser uma poderosa aliada na hora das frustrações. 


Paola Centieiro - disponível em (http://www.asecbrasil.org.br/blog/frustracao-infantil-e-importanciade-dizer-nao/) Acessado em 05/10/2017.

Avalie o deslocamento da expressão destacada em “Ao permitirmos que as crianças se frustrem algumas vezes, contribuímos para que elas sejam adultos mais compreensivos” e identifique a alternativa em que o sentido da afirmação não foi alterado.
Alternativas

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Tema central: Interpretação de Texto aliada ao emprego e posição do advérbio. A questão exige identificar se o deslocamento do advérbio “algumas vezes” altera ou não o sentido original da frase, foco essencial para vestibulares.

Conceito-chave: Segundo a norma-padrão (Gramática de Celso Cunha & Lindley Cintra), a posição do advérbio pode mudar completamente o sentido da oração, caso ele passe a modificar outro termo da frase, criando ambiguidades.

Sentido original: Na frase apresentada, “algumas vezes” modifica o verbo “se frustrem” — ou seja, o importante é permitir que as crianças se frustrem, de vez em quando, para que, futuramente, se tornem adultos mais compreensivos. Esse é o eixo central para acertar a questão.

Gabarito: Alternativa A

No trecho: “Ao permitirmos que as crianças, algumas vezes, se frustrem, contribuímos para que elas sejam adultos mais compreensivos.”, o advérbio “algumas vezes” continua ligado a “se frustrem”, mantendo o sentido original.

Justificativa: Por regra normativa, advérbios de tempo posicionados junto ao verbo ao qual se referem são menos ambíguos (Cunha & Cintra; Bechara). Aqui, não há ambiguidade: a frustração das crianças ocorre algumas vezes.

Análise das alternativas incorretas:

B) “contribuímos, algumas vezes...” – O advérbio passa a modificar “contribuímos”, sugerindo que a contribuição ocorre somente algumas vezes. Sentido alterado.

C) “para que elas, algumas vezes, sejam adultos...” – Aqui, “algumas vezes” recai sobre o verbo “sejam”, indicando que elas são adultos compreensivos só de vez em quando. Afronta o sentido original.

D) “…sejam, algumas vezes, adultos mais compreensivos.” – Mesmo equívoco da C: a compreensão surge apenas algumas vezes.

E) “…sejam adultos, algumas vezes, mais compreensivos.” – Ambígua e desconexa, gera dúvida sobre o que o advérbio recai, prejudicando a clareza e a coesão.

Dica de vestibular: Leia a frase e teste mentalmente a quem o advérbio está se referindo. Mude sua posição e veja se o foco (comportamento da criança X resultado do adulto) permanece. Avance apenas quando a frase continuar com o mesmo sentido!

Conclusão: Manche bem este conteúdo! A posição do advérbio é decisiva para o sentido do texto. Assim, você acerta não apenas esta, mas muitas outras questões de interpretação e gramática!

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