A coesão textual é construída por meio de recursos que pro...
Leia o texto a seguir para responder à questão.
A atual prática da avaliação escolar estipulou como função do ato de avaliar a classificação e não o diagnóstico, como deveria ser constitutivamente. Ou seja, o julgamento de valor, que teria a função de possibilitar uma nova tomada de decisão sobre o objeto avaliado, passa a ter a função estática de classificar um objeto ou um ser humano histórico num padrão definitivamente determinado. Do ponto de vista da aprendizagem escolar, poderá ser definitivamente classificado como inferior; médio ou superior. Classificações essas que são registradas e podem ser transformadas em números e, por isso, adquirem a possibilidade de serem somadas e divididas em médias. Será que o inferior não pode atingir o nível médio ou superior? Todos os educadores sabem que isso é possível, até mesmo defendem a ideia do crescimento. Todavia, parece que todos preferem que isto não ocorra, uma vez que optam por, definitivamente, deixar os alunos com as notas obtidas, como forma de “castigo” pelo seu desempenho possivelmente inadequado.
Vejamos como isso se dá. Trabalha-se uma unidade de estudo, faz-se uma verificação do aprendido, atribuem-se conceitos ou notas aos resultados (manifestação supostamente relevante do aprendido) que, em si, devem simbolizar o valor do aprendizado do educando e encerra-se aí o ato de avaliar. O símbolo que expressa o valor atribuído pelo professor ao aprendido é registrado e, definitivamente, o educando permanecerá nessa situação.
Dessa forma, o ato de avaliar não serve como pausa para pensar a prática e retornar a ela; mas sim como um meio de julgar a prática e torná-la estratificada. De fato, o momento de avaliação deveria ser um “momento de fôlego” na escalada, para, em seguida, ocorrer a retomada da marcha de forma mais adequada, e nunca um ponto definitivo de chegada, especialmente quando o objeto da ação avaliativa é dinâmico como, no caso, a aprendizagem. Com a função classificatória, a avaliação não auxilia em nada o avanço e o crescimento. Somente com uma função diagnóstica ela pode servir para essa finalidade.
A coesão textual é construída por meio de recursos que propiciam a progressão temática de um determinado texto. Conjunções, pronomes, advérbios e verbos são modalidades gramaticais importantes na construção de um texto coeso.
A respeito dos elementos usados pelo autor para garantir a coesão textual, assinale a alternativa em que a palavra destacada é mero conectivo, ou seja, não exerce função sintático-semântica no texto.
Gabarito comentado
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Tema central: Coesão textual e função dos conectivos (pronomes relativos x conjunção integrante).
A questão exige identificar, entre as alternativas, aquela em que a palavra “que” é mero conectivo, ou seja, apenas liga orações, sem exercer função sintática, diferentemente do pronome relativo.
Regra fundamental: Conforme a gramática normativa (por exemplo, Bechara, Rocha Lima), o pronome relativo “que” retoma um termo antecedente e exerce função sintática (sujeito, objeto direto etc.) na oração. Já a conjunção integrante “que” apenas introduz orações subordinadas substantivas e não exerce função sintática; é, portanto, um mero conectivo.
Análise das alternativas:
A) “que teria a função de possibilitar...” – “que” é pronome relativo retomando “julgamento de valor” e funciona como sujeito da oração “teria a função...”.
B) “que, em si, devem simbolizar...” – “que” é pronome relativo substituindo “resultados”, sujeito do verbo “devem simbolizar”.
C) “que são registradas...” – Novamente, pronome relativo retomando “classificações”, sujeito da oração.
D) Correta: “parece que todos preferem...” – Aqui, “que” é conjunção integrante, introduzindo uma oração subordinada substantiva subjetiva: “que todos preferem que isto não ocorra” é o sujeito do verbo “parece”. A conjunção apenas conecta as orações e não tem papel sintático interno.
Resumo da estratégia: Para diferenciar os casos, verifique se “que” retoma um termo anterior (pronome relativo) ou se apenas introduz uma oração completando ou iniciando o sentido da principal (conjunção integrante).
Pegadinha recorrente: Muitas questões tentam confundir com o uso de “que” em estruturas diferentes. Atenção sempre ao termo anterior e à função que “que” exerce!
Portanto, a alternativa D está correta: “que” age somente como conectivo, sem função sintática interna à oração. Nas demais, exerce papel relevante na estrutura sintática como pronome relativo.
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