As normas de concordância verbal encontram-se plenamente res...

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Q3506101 Português

Atenção: Para responder à questão, baseie-se no texto abaixo.


Perigo da Inteligência Artificial (IA) não vem dos robôs, mas de nós


        Em seu livro mais recente, "The Al Mirror" ("O espelho da IA"), a filósofa americana Shannon Vallor sustenta que o perigo oferecido pela inteligéncia artificial é muito diferente do que se costuma imaginar. O "risco existencial" para nossa espécie não viria da progressiva substituição de gente por máquinas, geradora de desemprego e, no limite, de nossa extinção. O perigo estaria em nós mesmos, em nosso enamoramento pela imagem quea IA reflete, como o de Narciso em seu lago.


        Especialista em ética da tecnologia, a autora acredita que, se não abrirmos o olho, veremos "os poderes e virtudes mais vigorosos da espécie - nossa capacidade de pensamento criativo, ambição moral, imaginação política e, acima de tudo, sabedoria serem afogados no espelho da lA". Afogados porque rendidos, entregues de graça ou em troca de miçangas coloridas. Terceirizados, por narcisismo e preguiça, a algoritmos que se baseiam no que decidimos no passado para decidir em nosso nome no futuro. Decidir tudo: escolher gente para vagas de emprego, prender gente com base em reconhecimento facial, dosar fluxos de socorro humanitário para populações flageladas, resumir um grosso relatório em meia página.


        Mas qual seria o problema disso tudo, ferramentas que podem ser tão úteis na solução de problemas? Segundo a autora, o risco é nada menos que a estagnação da espécie. Junto com o poder de decidir, estamos abrindo mão do domínio dos próprios meios para a tomada de decisões: escrever, fazer contas, projetar, raciocinar, escolher.


        Todas as tecnologias sempre desafiaram moralmente os seres humanos, levando-os a conceber novos valores e formas de viver em sociedade. A seta sempre apontou para o futuro - até agora. "Precisamos abraçar, renovar e aprofundar esse aprendizado moral", pregaa autora, "porque a IA representa uma forte tentação de esquecé-lo, aceitando em seu lugar um reflexo pálido e estático daquilo que um dia soubemos a nosso respeito. Estamos diante de crises planetárias e civilizacionais que a humanidade nunca enfrentou antes. Você planejaria sua escalada de uma montanha perigosa e desconhecida olhando pelo espelho, para aquilo que ficou para trás?"


(Adaptado de: RODRIGUES, Sérgio. Folha de S.Paulo. 02/04/2025)

As normas de concordância verbal encontram-se plenamente respeitadas na frase:
Alternativas

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Tema central: A questão aborda concordância verbal, ou seja, a adequação entre o verbo e seu sujeito em número e pessoa, conforme preconiza a norma-padrão da Língua Portuguesa. Esse tema é fundamental em provas de concursos, pois exige atenção para identificar o verdadeiro sujeito da oração, especialmente quando há inversão, construções longas ou frases com sujeitos oracionais.

Alternativa correta: B

Na frase “Não derivam do uso mesmo da IA os presumíveis prejuízos éticos, mas do enamoramento nosso pelas vantagens míticas de seu desempenho.”, temos:

  • Sujeito: os presumíveis prejuízos éticos (plural).
  • Verbo: derivam (plural).

Logo, a concordância verbal está perfeita, conforme a regra: “O verbo concorda em número e pessoa com o sujeito.” (Bechara, 2009).

Comentário das alternativas incorretas:

A) O sujeito de “caber” é tomar medidas preventivas (oração subordinada substantiva, núcleo singular), portanto o correto seria “Não cabe aos simples usuários...”. O uso do plural “cabem” viola a concordância.

C) O verbo “recorram” está em concordância incorreta com o pronome relativo “quem”. Pela regra, esse pronome exige o verbo no singular: “a quem recorre...”.

D) O verbo “enumera-se” deveria concordar com o sujeito “os que nos destituem...”, ou seja, pediria o plural: “enumeram-se os que...”.

E) A oração “quem abusem de seus usos” apresenta erro. Após “quem”, o verbo deve ser singular: “quem abusa de seus usos”.

Dica para provas: Sempre identifique o núcleo do sujeito e afaste-se de distrações (expressões entre vírgulas, orações longas, inversão). Há pegadinhas frequentes com sujeitos oracionais e orações relativas (“quem”, “o que”), exigindo atenção redobrada.

Referência: Bechara, Evanildo. Moderna Gramática Portuguesa. Veja também as recomendações do Manual de Redação da Presidência da República sobre clareza e precisão sintática.

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Comentários

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Gabarito B

A) O verbo "submeter" deveria concordar com "simples usuários" (eles se submetem), ou seja, "a que se submetem".

C) O verbo "recorram" deveria estar no singular, concordando com "quem" (quem recorre), ou seja, "quem recorre".

D) O verbo "enumerar" deveria concordar com "os que nos destituem" (eles se enumeram), ou seja, "enumeram-se os que".

E) O verbo "enfatizar" deveria concordar com "seu alerta" (ele se enfatiza), ou seja, "Enfatiza-se nos recentes estudos... seu alerta". Além disso, "abusem" deveria ser "abuse" (quem abuse).

Fonte: Gemini

A - Não cabem (cabe) aos simples usuários da IA tomar medidas preventivas contra os riscos a que se submete (submetem) por falta de maiores informações. ERRADA

B - Não derivam do uso mesmo da IA os presumíveis prejuízos éticos, mas do enamoramento nosso pelas vantagens míticas de seu desempenho. CORRETA

C - Os riscos que ameaçam a quem recorram (recorre) aos meios da IA são iminentes, caso não se lancem (lance) mão de medidas restritivas. ERRADA

D - Entre os danos que podem implicar o uso indiscriminado dos meios da IA, enumera-se (enumeram-se) os que nos destituem da condição de sujeitos. ERRADA

E - Enfatizam-se (enfatiza-se) nos recentes estudos da filósofa americana sobre a IA seu alerta sobre o risco da despersonalização de quem abusem (abuse) de seus usos. ERRADA

#REVISAR

Cheguei em duas opções. Escolhi a frase mais estranha entre elas. Acertei a questão.

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