A respeito dos posicionamentos expressos por Luckesi em se...
Leia o texto a seguir para responder à questão.
A atual prática da avaliação escolar estipulou como função do ato de avaliar a classificação e não o diagnóstico, como deveria ser constitutivamente. Ou seja, o julgamento de valor, que teria a função de possibilitar uma nova tomada de decisão sobre o objeto avaliado, passa a ter a função estática de classificar um objeto ou um ser humano histórico num padrão definitivamente determinado. Do ponto de vista da aprendizagem escolar, poderá ser definitivamente classificado como inferior; médio ou superior. Classificações essas que são registradas e podem ser transformadas em números e, por isso, adquirem a possibilidade de serem somadas e divididas em médias. Será que o inferior não pode atingir o nível médio ou superior? Todos os educadores sabem que isso é possível, até mesmo defendem a ideia do crescimento. Todavia, parece que todos preferem que isto não ocorra, uma vez que optam por, definitivamente, deixar os alunos com as notas obtidas, como forma de “castigo” pelo seu desempenho possivelmente inadequado.
Vejamos como isso se dá. Trabalha-se uma unidade de estudo, faz-se uma verificação do aprendido, atribuem-se conceitos ou notas aos resultados (manifestação supostamente relevante do aprendido) que, em si, devem simbolizar o valor do aprendizado do educando e encerra-se aí o ato de avaliar. O símbolo que expressa o valor atribuído pelo professor ao aprendido é registrado e, definitivamente, o educando permanecerá nessa situação.
Dessa forma, o ato de avaliar não serve como pausa para pensar a prática e retornar a ela; mas sim como um meio de julgar a prática e torná-la estratificada. De fato, o momento de avaliação deveria ser um “momento de fôlego” na escalada, para, em seguida, ocorrer a retomada da marcha de forma mais adequada, e nunca um ponto definitivo de chegada, especialmente quando o objeto da ação avaliativa é dinâmico como, no caso, a aprendizagem. Com a função classificatória, a avaliação não auxilia em nada o avanço e o crescimento. Somente com uma função diagnóstica ela pode servir para essa finalidade.
A respeito dos posicionamentos expressos por Luckesi em seu texto, avalie as afirmações a seguir.
I – Apesar de reconheceram a possibilidade de crescimento do educando, professores optam por uma avaliação classificatória como forma de penalizar o aluno com desempenho considerado inadequado.
II – Luckesi reconhece a relevância dos conceitos, ou notas, atribuídos pelo processo avaliativo, uma vez que esses conceitos fornecem ao professor elementos essenciais para direcionar o processo de desenvolvimento do educando.
III – A avaliação não deve ser vista como o fechamento de um processo, mas sim, como um ponto de reflexão para a retomada da prática educativa focada no crescimento e desenvolvimento do educando
Assinale a alternativa que apresenta a avaliação correta a respeito das afirmações acima.
Gabarito comentado
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Tema central: Interpretação de Texto, particularmente a análise crítica de afirmarções frente ao texto base. Em provas de concursos, a interpretação exige reconhecer a tese do autor, identificar conceitos-chaves e distinguir o que é explicitamente dito do que é apenas sugerido.
Justificativa para a alternativa correta:
A alternativa B (Há duas afirmações corretas) é a correta. Isso se afirma a partir da análise textual:
Afirmação I: Está correta. O texto explicita que, mesmo sabendo que é possível crescimento do aluno, “preferem que isto não ocorra, uma vez que optam por, definitivamente, deixar os alunos com as notas obtidas, como forma de 'castigo' pelo seu desempenho possivelmente inadequado.” Ou seja, a avaliação classificatória é usada para penalizar, e não para promover crescimento.
Afirmação II: Está incorreta. O autor critica severamente o uso de conceitos/notas apenas como registro, dizendo que “o símbolo que expressa o valor atribuído pelo professor ao aprendido é registrado e, definitivamente, o educando permanecerá nessa situação”. O texto não diz que as notas ajudam o professor a direcionar o desenvolvimento, mas sim que tornam a avaliação estática e classificatória, em vez de diagnóstica e promotora de mudanças.
Afirmação III: Correta. O texto defende que a avaliação “deveria ser um ‘momento de fôlego’ na escalada, para, em seguida, ocorrer a retomada da marcha de forma mais adequada”, ou seja, um ponto de reflexão e não o fechamento definitivo do processo.
Análise crítica das alternativas:
- A (Há somente uma afirmação correta): Incorreta, pois I e III estão corretas.
- C (Todas as afirmações estão corretas): Incorreta, pois II está em desacordo com o texto.
- D (Nenhuma afirmação está correta): Incorreta, o próprio enunciado textual valida I e III.
Estratégia para provas: Ao analisar afirmações, compare-as literalmente com o texto. Cuidado com construções que parecem coerentes, mas distorcem o sentido original ou subvertem a crítica do texto. Esse tipo de pegadinha é comum em avaliações!
Referencial teórico: Como ensina Ingedore Koch em A Coesão Textual, é preciso analisar a relação de ideias e evitar inferências extrapoladas. Bechara reforça que a clareza argumentativa depende da leitura atenta das proposições.
Gabarito: B) Há duas afirmações corretas.
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