Mulher de 29 anos, vivendo com HIV, foi diagnosticada há 8 m...

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Q3838583 Medicina
Mulher de 29 anos, vivendo com HIV, foi diagnosticada há 8 meses com contagem de linfócitos CD4 de 180 células por milímetro cúbico e sorologia positiva para toxoplasmose. Iniciou tratamento antirretroviral combinado na mesma época. Atualmente apresenta contagem de CD4 de 320 células por milímetro cúbico em dois exames consecutivos, carga viral indetectável e está assintomática. De acordo com o Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas para Manejo da Infecção pelo HIV em Adultos do Ministério da Saúde – versão mais recente, é INCORRETO afirmar que
Alternativas

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Gabarito: D

Fundamento decisivo: O PCDT 2024 diferencia o tratamento preventivo da tuberculose das profilaxias oportunistas dependentes de reconstituição imune. Em PVHIV, o TPT é indicado por critérios clínico-epidemiológicos, imunológicos e/ou radiológicos, e não há recomendação de suspensão automática apenas porque o CD4 ultrapassou 350 células/mm3. Assim, a alternativa D contraria o protocolo e é a incorreta.

Tema central: Suspensão de profilaxias no HIV
Análise das alternativas
A
Errada
Está correta segundo o PCDT 2024. A profilaxia para Pneumocystis jirovecii pode ser suspensa após boa resposta à TARV quando o CD4 permanece acima de 200 células/mm3 por mais de 3 meses. O enunciado traz dois exames consecutivos com CD4 de 320 e carga viral indetectável, compatíveis com reconstituição imune.
B
Errada
Está correta no contexto apresentado. A paciente é soropositiva para toxoplasmose e não há relato de doença prévia por Toxoplasma, o que direciona a leitura para profilaxia primária. Nessa situação, o PCDT permite suspensão com CD4 acima de 200 células/mm3 por mais de 3 meses após resposta à TARV. A carga viral indetectável reforça a boa resposta virológica, embora o núcleo do critério seja a reconstituição imune.
C
Errada
Embora a redação simplifique o critério do PCDT 2024 para MAC secundário, que exige após 1 ano de tratamento, ausência de sintomas e CD4 acima de 100 células/mm3 por mais de 6 meses, essa não é a alternativa cobrada como incorreta pela base. O ponto decisivo da questão é que a alternativa D contraria frontalmente o manejo do tratamento preventivo da tuberculose. Portanto, C não é a resposta a ser marcada nesta questão.
D
Certa
A alternativa D é a incorreta porque aplica à tuberculose latente a lógica de suspensão por reconstituição imune usada em outras infecções oportunistas. Pelo PCDT 2024, o tratamento preventivo da tuberculose em pessoas vivendo com HIV é indicado por critérios clínico-epidemiológicos, testes imunológicos e achados radiológicos, e não existe recomendação de interrompê-lo automaticamente quando o CD4 ultrapassa 350 células/mm3. Além disso, o próprio protocolo mantém indicação de TPT em cenários que podem ocorrer com CD4 acima desse valor, como PT/IGRA positivos ou cicatriz radiológica sem tratamento prévio.
E
Errada
Está correta. O PCDT prevê reintrodução da profilaxia se o CD4 voltar a cair abaixo dos limiares de indicação. Para PCP, reinicia-se se o CD4 cair abaixo de 200; para toxoplasmose, se cair abaixo de 100. Logo, a ideia de reiniciar quando houver nova queda do CD4 está de acordo com o protocolo.
Pegadinha da questão
A banca mistura dois grupos diferentes: profilaxias oportunistas dependentes de reconstituição imune e tratamento preventivo da tuberculose. A confusão real é transferir para tuberculose latente a mesma lógica de suspensão por aumento do CD4 usada para PCP e toxoplasmose.
Dica para questões semelhantes
  • Separe TPT das demais profilaxias oportunistas: tuberculose latente é indicada por critérios clínico-epidemiológicos, testes e imagem, não por uma regra de parar quando o CD4 sobe.
  • Para PCP e toxoplasmose, confira sempre se a questão está falando de profilaxia primária ou secundária, porque o tempo exigido para suspensão pode mudar.
  • Não use carga viral indetectável isoladamente como critério de suspensão; compare sempre com o limiar de CD4 e o tempo exigido no protocolo.
  • Se o enunciado trouxer sorologia positiva para toxoplasmose sem história de doença prévia, a leitura favorecida é de risco para profilaxia primária, não de manutenção secundária.

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