No texto apresentado, Luckesi posiciona-se a respeito de d...

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Q3407380 Pedagogia

Leia o texto a seguir para responder à questão.



        A atual prática da avaliação escolar estipulou como função do ato de avaliar a classificação e não o diagnóstico, como deveria ser constitutivamente. Ou seja, o julgamento de valor, que teria a função de possibilitar uma nova tomada de decisão sobre o objeto avaliado, passa a ter a função estática de classificar um objeto ou um ser humano histórico num padrão definitivamente determinado. Do ponto de vista da aprendizagem escolar, poderá ser definitivamente classificado como inferior; médio ou superior. Classificações essas que são registradas e podem ser transformadas em números e, por isso, adquirem a possibilidade de serem somadas e divididas em médias. Será que o inferior não pode atingir o nível médio ou superior? Todos os educadores sabem que isso é possível, até mesmo defendem a ideia do crescimento. Todavia, parece que todos preferem que isto não ocorra, uma vez que optam por, definitivamente, deixar os alunos com as notas obtidas, como forma de “castigo” pelo seu desempenho possivelmente inadequado.


        Vejamos como isso se dá. Trabalha-se uma unidade de estudo, faz-se uma verificação do aprendido, atribuem-se conceitos ou notas aos resultados (manifestação supostamente relevante do aprendido) que, em si, devem simbolizar o valor do aprendizado do educando e encerra-se aí o ato de avaliar. O símbolo que expressa o valor atribuído pelo professor ao aprendido é registrado e, definitivamente, o educando permanecerá nessa situação.


        Dessa forma, o ato de avaliar não serve como pausa para pensar a prática e retornar a ela; mas sim como um meio de julgar a prática e torná-la estratificada. De fato, o momento de avaliação deveria ser um “momento de fôlego” na escalada, para, em seguida, ocorrer a retomada da marcha de forma mais adequada, e nunca um ponto definitivo de chegada, especialmente quando o objeto da ação avaliativa é dinâmico como, no caso, a aprendizagem. Com a função classificatória, a avaliação não auxilia em nada o avanço e o crescimento. Somente com uma função diagnóstica ela pode servir para essa finalidade. 

No texto apresentado, Luckesi posiciona-se a respeito de duas funções diferentes atribuídas ao processo avaliativo: a classificação e o diagnóstico. A seguir, apresentam-se trechos da obra “Avaliação da aprendizagem escolar”, assinale a alternativa que melhor representa a função diagnóstica da avaliação, segundo Luckesi. 
Alternativas

Gabarito comentado

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Alternativa correta: C

1. Tema central da questão
A questão aborda as funções da avaliação escolar, conforme a perspectiva de Cipriano Luckesi, um dos principais autores brasileiros sobre avaliação educacional. O ponto central está em diferenciar a função classificatória (tradicional) da diagnóstica (proposta formativa) na avaliação.

2. Resumo teórico
A avaliação classificatória tem como objetivo principal rotular e estigmatizar os alunos em níveis como “inferior”, “médio” ou “superior” (exemplo: notas finais), sem considerar seu processo de aprendizagem. Segundo Luckesi, a função diagnóstica da avaliação é apoiar o crescimento do estudante, usando o resultado para orientar intervenções e melhorar a aprendizagem, transformando a avaliação em um instrumento de avanço e não de punição.

3. Fontes relevantes
A obra Avaliação da Aprendizagem Escolar (Luckesi, 2011) é referência obrigatória no tema. A Base Nacional Comum Curricular (BNCC) também orienta para uma avaliação diagnóstica e formativa.

4. Justificativa da alternativa correta
A alternativa C afirma que a avaliação é um “momento dialético do processo de avançar no desenvolvimento da ação, do crescimento para a autonomia, do crescimento para a competência”. Isso corresponde exatamente à função diagnóstica, pois trata a avaliação como parte do processo educativo, contribuindo para o desenvolvimento e a autonomia do aluno.

5. Análise das alternativas incorretas
A – Descreve a avaliação como “instrumento estático e frenador”, que corresponde à função classificatória, não diagnóstica.
B – Enfatiza o estigma causado pela classificação, novamente criticando a avaliação classificatória.
D – Fala da reprodução de desigualdades por meio da classificação, evidenciando o efeito negativo da avaliação classificatória.

6. Estratégia de interpretação
Sempre verifique palavras-chave como “crescimento”, “desenvolvimento” e “autonomia” para identificar a abordagem diagnóstica e formativa. Desconfie de termos como “definitivo”, “estático” ou “estigmatizar” – geralmente indicam a perspectiva classificatória.

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