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Q3838580 Medicina
Homem de 72 anos, hipertenso e ex-tabagista, chega ao Hospital da Restauração, em Recife, 85 minutos após início súbito de hemiparesia direita e afasia. A tomografia computadorizada inicial não mostrou hemorragia, e o escore na NIHSS era 12. Na sala, apresentava pressão arterial de 178/100 mmHg mesmo após uso de labetalol, sendo iniciado tratamento trombolítico com alteplase 0,9 mg/kg (bolus seguido de infusão). Aproximadamente duas horas após o início da infusão, evoluiu com cefaleia súbita intensa, vômitos em jato, piora neurológica importante (NIHSS 20) e rebaixamento do nível de consciência (GCS 11), mantendo PA de 180/105 mmHg, saturação de 95% em ar ambiente, glicemia de 128 mg/dL e sem uso prévio de anticoagulantes. Diante desse quadro de deterioração clínica após trombólise, qual é a conduta imediata mais adequada? 
Alternativas

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Gabarito: B

Fundamento decisivo: Deterioração neurológica súbita após alteplase, sobretudo com cefaleia intensa, vômitos, piora do NIHSS e rebaixamento do nível de consciência, deve ser considerada hemorragia intracraniana sintomática até prova em contrário; por isso, a conduta imediata é suspender o rt-PA, solicitar TC de crânio emergente e iniciar reversão da fibrinólise/coagulopatia com controle pressórico.

Tema central: Hemorragia intracraniana pós-trombólise
Análise das alternativas
A
Errada
Repetir alteplase é contraindicado nesse cenário porque a piora clínica após rt-PA, associada a cefaleia, vômitos e rebaixamento do nível de consciência, aponta para hemorragia intracraniana sintomática, não para necessidade de mais trombólise. Nova dose ampliaria a fibrinólise e favoreceria progressão do sangramento.
B
Certa
A alternativa B corresponde à resposta técnica esperada diante de suspeita forte de hemorragia intracraniana sintomática relacionada ao rt-PA. O quadro não é de simples flutuação do déficit: há cefaleia súbita intensa, vômitos em jato, piora neurológica importante e rebaixamento do sensório após alteplase, sinais clássicos de complicação hemorrágica. Nessa situação, a prioridade é interromper o agente que mantém a fibrinólise, confirmar o evento com neuroimagem urgente e iniciar reversão hemostática com crioprecipitado ou reposição de fibrinogênio, podendo associar antifibrinolítico, além de controle pressórico para reduzir risco de expansão do sangramento.
C
Errada
Aumentar a velocidade da infusão agrava o mesmo mecanismo de risco: mais fibrinólise em um paciente com forte suspeita de sangramento intracraniano. Não é medida reconhecida para piora neurológica pós-trombólise e é tecnicamente inadequada porque parte de uma interpretação errada da deterioração clínica.
D
Errada
Anticoagulação plena com heparina é inadequada e potencialmente perigosa diante de suspeita de hemorragia intracraniana. O problema aqui não é progressão trombótica presumida, e sim um quadro clínico compatível com sangramento maior após alteplase; anticoagular aumentaria o risco hemorrágico.
E
Errada
Observar apenas e manter a infusão em curso ignora sinais de alarme para hemorragia intracraniana sintomática. A piora importante do NIHSS, somada a cefaleia, vômitos e queda do nível de consciência, exige interrupção imediata do trombolítico, TC urgente e reversão hemostática; conduta expectante atrasa intervenção necessária.
Pegadinha da questão
A banca explora a confusão entre piora neurológica por falha de recanalização e piora neurológica por hemorragia pós-trombólise. Neste caso, cefaleia intensa, vômitos e rebaixamento do sensório pesam para hemorragia intracraniana, e a TC inicial sem sangramento não exclui hemorragia subsequente após alteplase.
Dica para questões semelhantes
  • Após alteplase, piora neurológica com cefaleia, vômitos ou redução do nível de consciência deve acender suspeita imediata de hemorragia intracraniana sintomática.
  • Na suspeita de sangramento pós-rt-PA, a sequência decisiva é: suspender o trombolítico, pedir neuroimagem urgente e iniciar reversão hemostática.
  • Não interprete automaticamente toda piora após trombólise como falha terapêutica; primeiro exclua complicação hemorrágica.
  • Pressão arterial persistentemente elevada nesse contexto reforça a necessidade de controle pressórico em paralelo às demais medidas.

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