Homem de 67 anos, etilista pesado, internado por pancreatite...

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Q3838576 Medicina
Homem de 67 anos, etilista pesado, internado por pancreatite, evolui no 3º dia com tremores, sudorese, taquicardia, agitação e desorientação após suspensão abrupta do álcool. Sobre o manejo do delirium por abstinência alcoólica, assinale a alternativa INCORRETA.
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Gabarito: B

Fundamento decisivo: O enunciado descreve abstinência alcoólica grave com delirium no 3º dia após suspensão abrupta do álcool em etilista pesado, com tremor, sudorese, taquicardia, agitação e desorientação; nesse cenário, benzodiazepínicos são a terapia de primeira linha por atuarem na hiperexcitabilidade do SNC e reduzirem risco de convulsões e delirium tremens, enquanto antipsicóticos isolados não fazem isso de forma adequada nem são superiores, o que torna a alternativa B a incorreta.

Tema central: Abstinência alcoólica grave
Análise das alternativas
A
Errada
Está errada como opção de resposta porque a afirmação é medicamente verdadeira. No delirium por abstinência alcoólica, benzodiazepínicos são primeira linha por tratarem o mecanismo fisiopatológico da abstinência e prevenirem complicações neurológicas, especialmente convulsões e delirium tremens.
B
Certa
A alternativa B é a incorreta porque inverte a hierarquia terapêutica do delirium por abstinência alcoólica. Nessa síndrome, há hiperexcitabilidade central relacionada à redução do tônus inibitório GABAérgico, e os benzodiazepínicos tratam justamente esse mecanismo, além de reduzirem instabilidade autonômica e risco convulsivo. Antipsicóticos podem ter papel apenas adjuvante para agitação ou sintomas comportamentais refratários, mas isoladamente não corrigem o mecanismo central da abstinência, não são superiores para prevenir convulsões e delirium tremens e podem ainda reduzir o limiar convulsivo.
C
Errada
Está errada como opção de resposta porque a afirmação é medicamente verdadeira. Em etilista com risco de deficiência nutricional, a tiamina deve ser administrada antes ou junto da glicose para reduzir o risco de precipitar ou agravar encefalopatia de Wernicke; portanto, a alternativa descreve conduta correta de segurança clínica.
D
Errada
Está errada como opção de resposta porque a afirmação é medicamente verdadeira. A abstinência alcoólica grave cursa com hiperatividade autonômica, como taquicardia e outras instabilidades clínicas, de modo que monitorização de sinais vitais e vigilância de complicações fazem parte do manejo, não sendo medida acessória dispensável.
E
Errada
Está errada como opção de resposta porque a afirmação é medicamente verdadeira. Delirium em paciente internado pode ser multifatorial; mesmo com quadro típico de abstinência alcoólica, continua obrigatório investigar causas associadas como infecção, distúrbios eletrolíticos e complicações da pancreatite, para não haver ancoragem diagnóstica indevida.
Pegadinha da questão
A banca explora a confusão entre delirium inespecífico e delirium por abstinência alcoólica: a presença de agitação e desorientação pode levar o candidato a supervalorizar antipsicóticos, mas nesse contexto o alvo terapêutico principal é a hiperexcitabilidade da abstinência, tratada com benzodiazepínicos.
Dica para questões semelhantes
  • Se houver etilista pesado com suspensão abrupta do álcool, tremor, instabilidade autonômica e alteração do sensório em poucos dias, pense em abstinência alcoólica grave com delirium.
  • Nessa etiologia, diferencie controle de agitação de prevenção de convulsões e delirium tremens: benzodiazepínicos são a base; antipsicóticos, quando usados, são adjuvantes.
  • Em etilista internado, lembre simultaneamente de tiamina antes ou junto da glicose e de pesquisa de causas concorrentes de delirium.

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