Uma mulher de 40 anos, residente em Garanhuns e portadora de...

Próximas questões
Com base no mesmo assunto
Q3838573 Medicina
Uma mulher de 40 anos, residente em Garanhuns e portadora de lúpus eritematoso sistêmico em atividade, chega ao pronto-socorro com cansaço intenso, icterícia e dispneia progressiva. Ao exame físico, apresenta taquicardia de 120 bpm, pressão arterial de 100 × 60 mmHg, extremidades frias, mucosas intensamente hipocoradas e sopro sistólico funcional em foco mitral, sem linfonodomegalias ou esplenomegalia palpável. Os exames laboratoriais mostram hemoglobina de 6,5 g/dL, reticulocitose, bilirrubina indireta e LDH elevadas, haptoglobina indetectável e teste de Coombs direto positivo. Diante desse cenário, qual é a conduta inicial mais adequada? 
Alternativas

Gabarito comentado

Confira o gabarito comentado por um dos nossos professores

Gabarito: E

Fundamento decisivo: O achado decisivo é a combinação de hemólise imune por Coombs direto positivo em paciente com LES em atividade, com anemia grave e repercussão clínica. Nessa situação, a conduta inicial de primeira linha é corticosteroide em alta dose; transfusão de hemácias pode ser necessária se houver anemia sintomática ou hemodinamicamente relevante, o que sustenta a alternativa E.

Tema central: AHAI quente no LES
Análise das alternativas
A
Errada
Rituximabe não é a conduta inicial padrão da anemia hemolítica autoimune quente. Pela base, ele é opção de segunda linha ou resgate em refratariedade, recidiva ou dependência de corticoide. Aqui, a primeira medida deve ser corticosteroide em alta dose.
B
Errada
Esplenectomia de urgência é inadequada porque não é tratamento inicial da AHAI quente nesse cenário agudo. A base a coloca como estratégia tardia/segunda linha em casos selecionados, sem indicação de cirurgia imediata neste enunciado.
C
Errada
Plasmaférese não é medida inicial rotineira na anemia hemolítica autoimune quente. O Coombs direto positivo favorece hemólise imune por autoanticorpos, cujo manejo inicial é imunossupressão com corticoide e suporte transfusional.
D
Errada
Suspender imunossupressores e apenas observar é inadequado diante de hemólise autoimune ativa com anemia grave e sinais de repercussão clínica. A base considera essa postura incompatível com a necessidade de tratamento ativo imediato.
E
Certa
A alternativa E está correta porque o quadro é compatível com anemia hemolítica autoimune quente associada ao LES, com anemia grave e sintomas importantes. A primeira linha terapêutica é corticosteroide sistêmico em alta dose para conter a hemólise, e a transfusão de concentrado de hemácias pode ser indicada conforme a repercussão clínica. A base não exige a forma exata de administração para definir o gabarito; o núcleo é iniciar corticoterapia e oferecer suporte transfusional quando necessário.
Pegadinha da questão
A banca explora a diferença entre reconhecer a doença e escolher a etapa correta do tratamento: Coombs direto positivo com hemólise no LES aponta para AHAI quente, cuja conduta inicial é corticoide, não rituximabe, esplenectomia ou plasmaférese; além disso, a transfusão não está contraindicada quando há repercussão clínica importante.
Dica para questões semelhantes
  • Se houver anemia com reticulocitose, LDH e bilirrubina indireta elevados, haptoglobina baixa e Coombs direto positivo, pense em hemólise imune.
  • Em AHAI quente, diferencie tratamento inicial de terapia de resgate: corticosteroide é primeira linha; rituximabe e esplenectomia ficam para refratariedade, recidiva ou dependência de corticoide.
  • Na presença de Hb muito baixa com dispneia, taquicardia ou hipoperfusão, a necessidade de transfusão é definida pela repercussão clínica, não é anulada pelo Coombs positivo.
  • Não exija esplenomegalia para aceitar o diagnóstico de AHAI e não confunda esse quadro com microangiopatia trombótica sem dados compatíveis.

Clique para visualizar este gabarito

Visualize o gabarito desta questão clicando no botão abaixo