Uma paciente de 38 anos de idade, casada, do lar, natural e ...

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Ano: 2020 Banca: IADES Órgão: SES-DF Prova: IADES - 2020 - SES-DF - Hepatologia |
Q1673774 Medicina
Uma paciente de 38 anos de idade, casada, do lar, natural e procedente de Brasília (DF), queixa-se de diarreia há três meses. As fezes são líquidas, amarronzadas, com sangue e muco – cerca de 10 evacuações por dia, com episódios noturnos. Refere perda de 5 kg de peso, artralgia, febre e distensão abdominal. Nega intolerâncias alimentares. Restringiu leite e derivados por conta própria, com melhora parcial da diarreia. Ao exame físico, verificaram-se PA = 110 mmHg x 90 mmHg, FC = 80 bpm e satO2 = 95% em ar ambiente. A paciente encontra-se em REG, descorada 2+, desidratada 2+, anictérica, acianótica, com os aparelhos respiratório e cardiovascular sem anormalidades, o abdome plano, normotenso, com ruídos hidroaéreos aumentados, descompressão brusca negativa, sem visceromegalias.
Com base nesse caso clínico e nos conhecimentos médicos correlatos, julgue o item a seguir.
O tratamento indicado seria a aspirina 200 mg ao dia, por 30 dias.
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Tema central: A questão aborda o manejo terapêutico da Retocolite Ulcerativa (RCU), uma doença inflamatória intestinal crônica, focando especificamente na escolha do medicamento adequado para tratamento inicial.

Análise clínica do caso: Trata-se de uma paciente jovem, com diarreia mucossanguinolenta crônica, febre, artralgia e perda ponderal. A diarreia noturna e a eliminação de muco e sangue são altamente sugestivas de doença inflamatória intestinal, mais precisamente RCU, principalmente pela ausência de intolerância alimentar e sinais sistêmicos. A presença de desidratação reforça gravidade e necessidade de avaliação e intervenção precoce.

Justificativa da alternativa correta (E - errado): Segundo o Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas (PCDT) da Retocolite Ulcerativa do Ministério da Saúde: "O manejo da RCU moderada a grave envolve o tratamento com aminossalicilatos orais ou tópicos (como mesalazina), ou com corticosteroides caso haja contraindicação ou intolerância aos aminossalicilatos." (PCDT RCU, 2023).

A aspirina (ácido acetilsalicílico) não é considerada medicamento de escolha. Pelo contrário, seu uso pode agravar o quadro ao aumentar o risco de sangramento gastrointestinal, além de não possuir ação terapêutica comprovada na RCU. Portanto, assinalar "E" (errado) é o correto.

Motivos das alternativas erradas: A indicação da aspirina para RCU contraria as diretrizes nacionais e internacionais (UpToDate, Sociedade Brasileira de Coloproctologia), sendo inclusive potencialmente prejudicial. O exame minucioso das alternativas é fundamental, já que perguntas desse tipo frequentemente testam a atenção do candidato para detalhes farmacológicos e evidenciação clínica atualizada.

Estratégias para evitar pegadinhas: Atenção ao nome dos fármacos e à diferença entre anti-inflamatórios utilizados em doenças autoimunes: aminossalicilatos (mesalazina, sulfassalazina) NÃO são sinônimos de anti-inflamatórios não esteroides (como aspirina). Cuidado também com doses e tempo de uso sugeridos em questões, que podem ser irrelevantes se a indicação do fármaco já for inadequada.

Resumindo: A paciente apresenta quadro de RCU. O tratamento padrão envolve aminossalicilatos. Aspirina não só não é indicada, como oferece risco adicional. Isso exige raciocínio clínico alinhado às recomendações oficiais.

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Comentários

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Essa afirmativa está errada. O caso descrito sugere um quadro de diarreia crônica com perda de peso e sangramento nas fezes, que não é tratado com aspirina. Pode ser uma doença inflamatória intestinal, como a doença de Crohn ou colite ulcerativa, ou uma infecção intestinal crônica. O tratamento dependerá do diagnóstico definido, podendo incluir antibióticos, medicamentos imunossupressores ou alterações na dieta. Portanto, a afirmativa está incorreta e demonstra falta de conhecimento sobre o diagnóstico e tratamento adequados para essa condição clínica.

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