Homem de 60 anos, fumante de longa data (40 maços-ano), cheg...

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Q3838559 Medicina
Homem de 60 anos, fumante de longa data (40 maços-ano), chega ao ambulatório para seguimento clínico assintomático. Em um check-up recente, apresentou CEA discretamente elevado em 6,2 ng/mL (valor de referência até 5 ng/ml). Demais exames laboratoriais normais, incluindo função hepática, e colonoscopia sem alterações realizada há 2 anos. Não há perda de peso, dor abdominal ou queixas respiratórias.
Qual a conduta mais apropriada?
Alternativas

Gabarito comentado

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Gabarito: B

Fundamento decisivo: O ponto decisivo é que o CEA não tem utilidade para rastreamento de câncer em assintomáticos e pode se elevar discretamente em tabagistas; assim, uma elevação isolada de 6,2 ng/mL, sem sintomas, sem alterações laboratoriais e com colonoscopia recente normal, não justifica investigação oncológica adicional.

Tema central: Interpretação do CEA
Análise das alternativas
A
Errada
Está errada porque propõe tomografia de tórax e abdome como investigação imediata de neoplasia oculta com base apenas em marcador tumoral discretamente elevado. Isso contraria o critério médico central: CEA isolado tem baixo valor preditivo para câncer oculto e não indica imagem extensiva em paciente assintomático sem sinais clínicos ou laboratoriais de malignidade.
B
Certa
A alternativa B está correta porque separa corretamente uso de monitorização e rastreamento: o CEA é um marcador com baixa especificidade e baixa sensibilidade para detectar neoplasia oculta, sendo mais útil no acompanhamento de doença já diagnosticada do que na busca de câncer em paciente assintomático. Neste caso, a elevação é discreta, o tabagismo é uma causa benigna reconhecida e não há sintomas, alteração de função hepática ou outro achado que sustente propedêutica oncológica ampliada.
C
Errada
Está errada porque amplia de forma indevida um erro de princípio: usar marcadores tumorais para rastreamento inespecífico. Solicitar múltiplos marcadores séricos em assintomático não é estratégia validada para descartar malignidade subclínica e aumenta a chance de falso-positivos e cascata diagnóstica sem base clínica.
D
Errada
Está errada porque transforma um achado laboratorial inespecífico em presunção diagnóstica de câncer. Estadiamento oncológico é etapa indicada após neoplasia conhecida ou suspeita robustamente sustentada, o que não existe com CEA de 6,2 ng/mL isolado em fumante assintomático.
E
Errada
Está errada porque propõe seguimento seriado em curto intervalo de um marcador que, neste contexto, não orienta conduta. Sem neoplasia previamente diagnosticada e sem suspeita clínica concreta, repetir CEA a cada 15 dias apenas perpetua sobreinvestigação de um achado de baixo significado clínico.
Pegadinha da questão
A banca explora a confusão entre marcador tumoral alterado e necessidade automática de procurar câncer. O ponto-chave era reconhecer que o CEA pode estar discretamente elevado no tabagismo e que seu uso principal é no seguimento de neoplasia conhecida, não no rastreamento de assintomáticos.
Dica para questões semelhantes
  • Antes de investigar câncer por marcador tumoral, confirme se esse exame tem utilidade para rastreamento; no caso do CEA, não tem.
  • Valor discretamente acima do limite, isolado e sem sintomas, tem baixo peso para neoplasia oculta, especialmente se houver causa benigna plausível como tabagismo.
  • Não confunda utilidade de seguimento de câncer já diagnosticado com indicação de investigação inicial em paciente assintomático.
  • Achados prévios normais, como colonoscopia recente sem alterações, reduzem ainda mais a plausibilidade de atribuir uma pequena elevação isolada do CEA a câncer colorretal.

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