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Ano: 2020 Banca: IADES Órgão: SES-DF Prova: IADES - 2020 - SES-DF - Hepatologia |
Q1673770 Medicina
Uma paciente de 38 anos de idade, casada, do lar, natural e procedente de Brasília (DF), queixa-se de diarreia há três meses. As fezes são líquidas, amarronzadas, com sangue e muco – cerca de 10 evacuações por dia, com episódios noturnos. Refere perda de 5 kg de peso, artralgia, febre e distensão abdominal. Nega intolerâncias alimentares. Restringiu leite e derivados por conta própria, com melhora parcial da diarreia. Ao exame físico, verificaram-se PA = 110 mmHg x 90 mmHg, FC = 80 bpm e satO2 = 95% em ar ambiente. A paciente encontra-se em REG, descorada 2+, desidratada 2+, anictérica, acianótica, com os aparelhos respiratório e cardiovascular sem anormalidades, o abdome plano, normotenso, com ruídos hidroaéreos aumentados, descompressão brusca negativa, sem visceromegalias.
Com base nesse caso clínico e nos conhecimentos médicos correlatos, julgue o item a seguir.
O diagnóstico diferencial obrigatório, nesse caso, é de intolerância à lactose.
Alternativas

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Tema central: O caso descreve uma paciente com diarreia crônica, episódios noturnos de diarreia, fezes com sangue e muco, febre, perda de peso e artralgia. O objetivo é distinguir entre doença inflamatória intestinal (DII) e intolerância à lactose.

Justificativa da alternativa correta (E – errado): O diagnóstico diferencial obrigatório neste contexto não é intolerância à lactose. Sintomas da intolerância à lactose envolvem, predominantemente, diarreia aquosa, distensão e flatulência, geralmente sem sangue ou muco nas fezes, e não cursam com febre ou perda ponderal significativa. Episódios noturnos de evacuação e sintomas sistêmicos são raros.

Pontos-chave que afastam intolerância à lactose:

  • Sangue e muco nas fezes: sugerem processo inflamatório (DII, como retocolite ulcerativa ou Doença de Crohn).
  • Sintomas sistêmicos: febre, artralgia e perda de peso são incomuns na intolerância à lactose.
  • Persistência dos sintomas: mesmo após retirada de leite e derivados, houve apenas melhora parcial, indicando que a restrição não foi suficiente para cessar as manifestações.

De acordo com o Caderno de Atenção Básica 28, MS, orienta-se buscar sinais de gravidade (como sangue nas fezes, febre, perda ponderal) na avaliação de diarreias persistentes. Segundo o documento (seção 4.5.2 Diagnóstico):
“A presença de muco ou sangue nas fezes, febre e sintomas sistêmicos aponta para causas inflamatórias e não para intolerância alimentar.”

Análise da alternativa incorreta (C – certo):
Esta alternativa estaria correta se o quadro fosse compatível com intolerância à lactose, o que não ocorre diante de sintomas inflamatórios intestinais e sistêmicos notáveis.

Pegadinhas: Atenção ao detalhe da restrição do leite: em concursos públicos, alunos tendem a dar peso exagerado à “melhora parcial” com restrição. No entanto, esta informação sozinha não define o diagnóstico, e pode ser um dado supérfluo diante de outros sinais de gravidade (sangue, febre, sintomas sistêmicos).

Resumo estratégico: Toda diarreia crônica com sangue, muco e sintomas sistêmicos exige a consideração prioritária de DII. Intolerância à lactose pode coexistir, mas não explica o quadro apresentado.

Gabarito: E (errado)

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Comentários

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O texto apresentado não sugere que o diagnóstico diferencial obrigatório seja de intolerância à lactose. A paciente apresenta sintomas mais graves e persistentes, como diarreia com presença de sangue e muco, perda de peso, febre e distensão abdominal, o que indica uma possível doença inflamatória intestinal ou infecção gastrointestinal. A restrição de leite e derivados pela própria paciente pode ter aliviado parcialmente os sintomas, mas não é suficiente para um diagnóstico conclusivo. Portanto, é importante que a paciente passe por uma avaliação médica completa para identificar a causa da diarreia e iniciar o tratamento adequado.

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