Mulher de 72 anos, tabagista ativa e portadora de DPOC class...

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Q3838556 Medicina
Mulher de 72 anos, tabagista ativa e portadora de DPOC classificada como GOLD E, chega à emergência com dispneia intensa, aumento do volume e purulência do escarro. Apresenta pressão arterial de 118/70 mmHg, frequência respiratória de 28 irpm e saturação de oxigênio de 86% em ar ambiente. Gasometria arterial revela pH 7,28 e PaCO₂ de 60 mmHg, compatível com exacerbação com retenção de CO₂. Segundo o GOLD 2025, qual é a conduta mais adequada?
Alternativas

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Gabarito: A

Fundamento decisivo: Segundo o GOLD Pocket Guide 2025, a exacerbação aguda de DPOC com escarro purulento, hipoxemia e acidose respiratória hipercápnica exige broncodilatadores inalatórios de curta ação, corticoide sistêmico por curto período, antibiótico quando há purulência do escarro e oxigênio suplementar titulado; entre as alternativas, apenas a A contempla esse núcleo terapêutico.

Tema central: Exacerbação aguda da DPOC
Análise das alternativas
A
Certa
A alternativa A é a melhor resposta porque reúne as medidas recomendadas para a exacerbação aguda: antibiótico, pela tríade de piora da dispneia, aumento do volume do escarro e purulência, que sugere infecção bacteriana; corticoide sistêmico por curto período, e não corticoide inalado isolado; broncodilatadores de curta ação, que são a terapia inicial; e oxigênio suplementar, necessário diante da saturação de 86% em ar ambiente. A observação importante é que, na base de decisão, o alvo clássico de saturação em DPOC com retenção de CO2 é 88–92%, de modo que o valor numérico de 92–96% da alternativa não corresponde perfeitamente a esse detalhe. Ainda assim, entre as opções dadas, A permanece a única com o núcleo terapêutico correto da exacerbação. A gasometria com pH 7,28 e PaCO2 60 mmHg também indica insuficiência ventilatória hipercápnica aguda, o que reforça a necessidade de tratamento da exacerbação e avaliação de suporte ventilatório.
B
Errada
Está errada por dois motivos decisivos. Primeiro, corticoide inalado isolado não substitui o corticoide sistêmico na exacerbação aguda; o benefício recomendado nesse contexto é do corticoide sistêmico por curto período. Segundo, na insuficiência respiratória hipercápnica da DPOC, a diretriz aponta ventilação não invasiva como primeiro modo ventilatório quando não há contraindicação, e não ventilação mecânica invasiva imediata de rotina.
C
Errada
Está errada por subtratamento de uma exacerbação grave. A paciente tem purulência do escarro, o que sustenta antibiótico, além de hipoxemia importante e acidose respiratória hipercápnica, que não permitem apenas broncodilatador isolado e observação. Também omite corticoide sistêmico, que faz parte do manejo da exacerbação.
D
Errada
Está errada porque desloca o foco da conduta principal. O quadro central é exacerbação infecciosa de DPOC com insuficiência respiratória, que exige estabilização respiratória e tratamento específico. Anticoagulação profilática não resolve o mecanismo da descompensação atual, e alta precoce em 24 horas é incompatível com apresentação inicial com SpO2 de 86% e acidose respiratória hipercápnica.
E
Errada
Está errada porque contraria a recomendação central do manejo agudo. Broncodilatadores inalatórios de curta ação são a terapia inicial da exacerbação de DPOC. O risco de taquicardia é um efeito adverso monitorável, mas não justifica suspender o tratamento broncodilatador em uma paciente com dispneia intensa e retenção de CO2.
Pegadinha da questão
A banca explorou duas confusões reais: trocar o corticoide sistêmico da exacerbação por corticoide inalado de manutenção e confundir insuficiência respiratória hipercápnica com indicação automática de intubação imediata. Mesmo com a ressalva de que a VNI deveria ser considerada e de que o alvo de saturação clássico em retentor de CO2 não é genérico, a única alternativa com o núcleo terapêutico correto continua sendo a A.
Dica para questões semelhantes
  • Na exacerbação aguda de DPOC, procure primeiro o núcleo terapêutico da diretriz: broncodilatador de curta ação, corticoide sistêmico curto, antibiótico se houver purulência do escarro e oxigênio titulado.
  • Purulência do escarro associada a piora clínica não é detalhe: é critério que sustenta antibiótico na exacerbação.
  • Gasometria com acidose respiratória hipercápnica exclui conduta apenas observacional e exige pensar em suporte ventilatório, com preferência por VNI quando possível.
  • Não confunda tratamento de manutenção da DPOC com manejo da crise: corticoide inalado isolado não substitui o corticoide sistêmico na exacerbação.

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