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Q3838555 Medicina
Homem de 70 anos, agricultor de Águas Belas (PE), portador de insuficiência cardíaca congestiva, é internado no Hospital da Restauração (Recife) com dispneia intensa. Ele tinha derrame pleural bilateral, previamente caracterizado como transudato típico, mas, durante a internação, passou a apresentar febre persistente, dor torácica à direita e leucocitose. Nova toracocentese revelou líquido turvo, com proteínas de 3,8 g/dL, DHL 950 U/L, pH 7,05, glicose 40 mg/dL e predomínio de neutrófilos, compatível com derrame parapneumônico complicado/empiema.
Qual a conduta mais adequada neste cenário?
Alternativas

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Gabarito: C

Fundamento decisivo: O caso deixa de ser compatível com simples derrame por insuficiência cardíaca e passa a preencher critérios de derrame parapneumônico complicado/empiema: pH pleural 7,05, glicose 40 mg/dL, DHL elevada, líquido turvo e neutrofilia. Esses achados indicam infecção pleural ativa e tornam necessária a drenagem pleural com tubo em selo d’água, além de antibióticos.

Tema central: Derrame parapneumônico complicado
Análise das alternativas
A
Errada
Está errada porque diurético trata congestão por insuficiência cardíaca, mas o quadro atual deixou de ser explicado por transudato congestivo isolado. A mudança clínica e bioquímica do líquido pleural para padrão infeccioso exclui manejo apenas com aumento de diurese.
B
Errada
Está errada porque pleurodese com talco não é tratamento inicial de derrame parapneumônico complicado/empiema. Em espaço pleural infectado, a prioridade técnica é drenar o conteúdo infectado; provocar aderência pleural não trata o foco infeccioso agudo.
C
Certa
A alternativa C está correta porque os achados pleurais caracterizam infecção pleural complicada, não mais um transudato por insuficiência cardíaca. pH muito baixo, glicose baixa, DHL elevada, aspecto turvo e neutrofilia pleural são critérios clássicos de derrame parapneumônico complicado/empiema e indicam necessidade de controle do foco por drenagem pleural. Nessa situação, a drenagem com tubo em selo d’água é a medida terapêutica necessária, associada à antibioticoterapia.
D
Errada
Está errada porque corticoide sistêmico não é terapia padrão para empiema ou derrame parapneumônico complicado. O problema central é uma coleção pleural infectada, cujo tratamento exige antibiótico e drenagem, não imunossupressão como estratégia principal.
E
Errada
Está errada porque antibiótico isolado pode ser suficiente em derrame parapneumônico não complicado, mas não quando há pH muito baixo, glicose baixa, DHL alta, líquido turvo e neutrofilia. Esses achados indicam infecção pleural com baixa chance de resolução sem drenagem.
Pegadinha da questão
A banca induz ancoragem no antecedente de insuficiência cardíaca e no transudato prévio, mas o ponto decisivo é reconhecer que o derrame mudou de mecanismo e passou a ser infeccioso, com critérios de empiema/derrame parapneumônico complicado.
Dica para questões semelhantes
  • Se o derrame antes era transudativo, mas surgem febre, dor pleurítica e leucocitose, reavalie o mecanismo do líquido em vez de manter o raciocínio na causa inicial.
  • pH pleural muito baixo, glicose baixa, DHL elevada, líquido turvo e neutrofilia apontam infecção pleural complicada e deslocam a conduta para drenagem.
  • Diferencie derrame parapneumônico simples de complicado: o complicado não se resolve adequadamente com antibiótico isolado.
  • Em coleção pleural infectada, o princípio decisivo é controle do foco; por isso drenagem vem antes de estratégias pleurais como pleurodese.

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