Homem de 54 anos, obeso (IMC 34 kg/m²), hipertenso e roncado...

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Q3838551 Medicina
Homem de 54 anos, obeso (IMC 34 kg/m²), hipertenso e roncador habitual, apresenta sonolência excessiva diurna, cefaleia matinal e episódios noturnos de sufocamento relatados pela esposa. A polissonografia evidencia índice de apneia-hipopneia (IAH) de 38 eventos por hora, com dessaturações frequentes até 80%, caracterizando apneia obstrutiva do sono grave. Em relação ao manejo dessa condição, é INCORRETO afirmar que
Alternativas

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Gabarito: C

Fundamento decisivo: IAH de 38 eventos/hora com dessaturações até 80% caracteriza AOS grave; nessa gravidade, a diretriz AASM/AADSM mantém o CPAP/PAP como terapia primária, enquanto aparelho oral de avanço mandibular fica para intolerância/recusa ao CPAP ou quadros menos graves.

Tema central: Tratamento da AOS grave
Análise das alternativas
A
Errada
Está correta, portanto não pode ser a resposta. Na AOS grave e sintomática, o CPAP/PAP é a primeira linha porque mantém a via aérea superior pérvia com maior eficácia do que aparelho oral, reduzindo melhor IAH e dessaturações. Esse é exatamente o ponto sustentado pela diretriz usada na base.
B
Errada
Está correta no contexto da questão, mas a formulação é mais ampla do que a evidência sustenta com segurança. A base aponta benefício mais consistente em sintomas, carga hipóxica e redução de pressão arterial, especialmente em hipertensos resistentes, enquanto a redução de mortalidade cardiovascular não é uniforme em todos os cenários. Ainda assim, isso não a torna a incorreta da questão.
C
Certa
A alternativa C está errada porque atribui ao dispositivo oral de avanço mandibular um papel preferencial que ele não tem na AOS grave. Segundo a diretriz AASM/AADSM citada na base, o CPAP permanece como terapia primária, especialmente porque é mais eficaz na redução do IAH, do índice de dessaturação e na melhora da oxigenação. O aparelho oral é alternativa sobretudo para intolerância ou recusa ao CPAP, ou em cenários menos graves, não para substituir a primeira linha no caso descrito.
D
Errada
Está correta. A base sustenta que estudos recentes com tirzepatida em adultos obesos com AOS moderada a grave mostraram redução robusta do IAH, em magnitude compatível com a afirmação de cerca de 55%. A possível variação do percentual exato entre análises não invalida a ideia central da alternativa.
E
Errada
Está correta. A obesidade participa da fisiopatologia da AOS, e a perda ponderal pode reduzir sua gravidade. Por isso, a cirurgia bariátrica pode ser considerada em pacientes obesos selecionados, especialmente quando outras medidas falham ou há necessidade de tratamento da obesidade. O erro seria tratá-la como substituta rotineira do CPAP inicial na AOS grave, o que a alternativa não afirma.
Pegadinha da questão
A banca explora a confusão entre terapia alternativa possível e terapia preferencial. O aparelho oral pode ter papel na AOS, mas não como primeira escolha em AOS grave com dessaturação importante.
Dica para questões semelhantes
  • Se o enunciado trouxer IAH alto e dessaturações relevantes, pense primeiro em AOS grave e verifique a terapia de primeira linha antes de avaliar opções alternativas.
  • Em AOS grave, diferencie claramente CPAP de aparelho oral: o primeiro é preferencial; o segundo costuma entrar por intolerância, recusa ou menor gravidade.
  • Quando aparecer tratamento da obesidade, lembre que perda de peso, tirzepatida e cirurgia bariátrica podem ajudar a AOS, mas não apagam a necessidade do tratamento específico inicial da AOS grave.

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