Homem de 58 anos, cirrose Child B por hepatite C, em acompan...

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Q3838544 Medicina
Homem de 58 anos, cirrose Child B por hepatite C, em acompanhamento ambulatorial. Usa espironolactona 200mg/dia e furosemida 80 mg/dia. Realiza paracentese de controle para ascite refratária: líquido límpido, PMN 380/mm³, cultura em andamento, sem febre, dor abdominal ou sinais de peritonite.
Qual a conduta mais apropriada?
Alternativas

Gabarito comentado

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Gabarito: B

Fundamento decisivo: Em cirrótico com ascite, PMN no líquido ascítico >= 250/mm³ define peritonite bacteriana espontânea; como o caso traz PMN de 380/mm³, a conduta é iniciar antibiótico empírico imediato, sem aguardar cultura.

Tema central: Diagnóstico de PBE
Análise das alternativas
A
Errada
Incorreta. Tomografia abdominal não é etapa obrigatória antes do tratamento quando o líquido ascítico já preenche critério diagnóstico de PBE por PMN >= 250/mm³. O enunciado não traz dado que imponha investigação inicial de peritonite secundária antes do antibiótico, e atrasar a terapia por imagem é inadequado nesse contexto.
B
Certa
A alternativa B está correta porque o critério diagnóstico decisivo para PBE já foi preenchido pela paracentese: PMN de 380/mm³ no líquido ascítico. Nesse cenário, a ausência de febre, dor abdominal ou sinais de peritonite não exclui o diagnóstico, já que a PBE pode ser assintomática ou paucissintomática. A cultura em andamento também não deve atrasar a conduta, porque a decisão inicial é guiada pela neutrocitose ascítica. Portanto, o fundamento médico específico é citológico: PMN >= 250/mm³ em cirrótico com ascite indica tratamento antibiótico imediato.
C
Errada
Incorreta. O caso não se resolve por ajuste de diuréticos porque o dado decisivo não é apenas a ascite refratária, e sim a neutrocitose ascítica compatível com PBE. Mesmo que 400 mg/dia de espironolactona e 160 mg/dia de furosemida correspondam a doses máximas usuais, escalonar diuréticos não trata infecção do líquido ascítico e desvia da prioridade terapêutica correta.
D
Errada
Incorreta. Albumina isolada não trata PBE. Pela base, a albumina pode ter papel adjuvante em contextos específicos, mas não substitui antibiótico. Como o problema definido no caso é infecção bacteriana do líquido ascítico, a terapia antimicrobiana é o tratamento de base.
E
Errada
Incorreta. Esperar a cultura para só então tratar contraria o critério diagnóstico da PBE. O diagnóstico inicial é feito pela contagem de PMN no líquido ascítico, não depende de cultura positiva, e a cultura pode demorar ou até vir negativa. Com PMN de 380/mm³, o antibiótico deve ser iniciado sem essa espera. Além disso, bacterascite monomicrobiana não neutrocítica exigiria cultura positiva com PMN < 250/mm³, o que não é o caso.
Pegadinha da questão
A banca explora a falsa impressão de que sem febre, dor abdominal ou cultura positiva não haveria PBE; o dado que decide a questão é o PMN de 380/mm³, que sozinho já define o diagnóstico e impõe tratamento.
Dica para questões semelhantes
  • Em cirrose com ascite, confira primeiro a contagem de PMN do líquido ascítico: >= 250/mm³ define PBE.
  • Não use ausência de sintomas para excluir PBE quando há neutrocitose ascítica.
  • Não espere cultura para iniciar tratamento quando o critério citológico de PBE já foi preenchido.
  • Se houver infecção do líquido ascítico, essa prioridade terapêutica supera ajustes de diuréticos para ascite.

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