Homem de 52 anos chega ao ambulatório, com fadiga crônica, d...

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Q3838543 Medicina
Homem de 52 anos chega ao ambulatório, com fadiga crônica, desconforto abdominal leve e artralgia discreta em mãos. Nega álcool ou uso de medicamentos. Ao exame físico, apresenta hepatomegalia palpável, sem ascite. Exames: AST 310 U/L (aspartato aminotransferase, ≤40), ALT 330 U/L (alanina aminotransferase, ≤45), FA 105 U/L (fosfatase alcalina, ≤120), bilirrubina 1,9 mg/dL, imunoglobulina G 2250 mg/dL (≤1600), anticorpo anti-músculo liso (anti-ASMA) positivo, fator antinuclear (FAN) 1:160. Sorologias virais negativas.
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Gabarito: A

Fundamento decisivo: A combinação de padrão hepatocelular (AST/ALT elevadas com FA normal), IgG aumentada, FAN positivo, anti-ASMA positivo e sorologias virais negativas caracteriza hepatite autoimune tipo 1 e define a alternativa A como a mais provável.

Tema central: Hepatite autoimune tipo 1
Análise das alternativas
A
Certa
A alternativa A está correta porque reúne o núcleo diagnóstico clássico da hepatite autoimune tipo 1 neste contexto: aminotransferases elevadas em padrão hepatocelular, hipergamaglobulinemia com IgG aumentada e autoanticorpos típicos do tipo 1, que são FAN e anti-ASMA. A negatividade das sorologias virais remove um diferencial importante de hepatite crônica. O fato de o paciente ser homem não invalida o diagnóstico, porque o padrão sorológico e bioquímico é o dado decisivo.
B
Errada
Está errada porque a hepatite autoimune tipo 2 se associa principalmente a anti-LKM1 e/ou anti-LC1, e não ao eixo FAN/anti-ASMA descrito no caso. Além disso, o tipo 2 é mais típico de crianças e adultos jovens, enquanto o enunciado mostra homem de 52 anos com marcadores clássicos de tipo 1.
C
Errada
Está errada porque a variante hepatite autoimune/colangite biliar primária exige evidência de componente colestático, habitualmente com fosfatase alcalina elevada, e tipicamente anticorpo antimitocôndria. Aqui a FA está normal e não há marcador sorológico de colangite biliar primária, portanto falta o critério bioquímico e sorológico que sustentaria sobreposição.
D
Errada
Está errada porque doença de Wilson não é sustentada pelos dados apresentados: não há elementos de distúrbio do metabolismo do cobre, como achados específicos laboratoriais ou clínicos, e a faixa etária é menos típica. Além disso, o caso traz uma assinatura autoimune forte, com IgG elevada, FAN positivo e anti-ASMA positivo, que aponta para outra etiologia.
E
Errada
Está errada porque esteato-hepatite não alcoólica não explica adequadamente, por si, a combinação de IgG marcadamente elevada com anti-ASMA e FAN positivos em padrão clássico de hepatite autoimune. Também não há no enunciado dados que sustentem hepatopatia metabólica, enquanto o perfil imunológico favorece claramente doença autoimune.
Pegadinha da questão
A banca explora duas confusões reais: achar que homem de meia-idade afasta hepatite autoimune e confundir qualquer autoanticorpo positivo com síndrome colestática de sobreposição, ignorando que a FA normal mantém o padrão hepatocelular e favorece hepatite autoimune tipo 1.
Dica para questões semelhantes
  • Primeiro classifique o padrão bioquímico: AST/ALT altas com FA normal favorecem lesão hepatocelular, não colestática.
  • Em hepatopatia crônica, associe IgG elevada + FAN e/ou anti-ASMA à hepatite autoimune tipo 1 após excluir hepatites virais.
  • Diferencie os subtipos pela sorologia: tipo 1 se liga a FAN/anti-ASMA; tipo 2 exige anti-LKM1/anti-LC1.
  • Só pense em sobreposição com colangite biliar primária como melhor resposta quando houver componente colestático e marcador compatível.

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