Os riscos cardiovascular e do procedimento são, respectivame...

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Q4235923 Medicina

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Mulher, 58 anos de idade, em avaliação pré-operatória de gastroduodenopancreatectomia por neoplasia de cabeça de pâncreas. A cirurgia tem duração estimada de 8 horas, com perda sanguínea estimada de 500 a 1.000 mL e está programada para ser realizada em duas semanas. Tem antecedente de hipertensão arterial sistêmica, diabetes melito tipo 2, dislipidemia mista e tabagismo de 35 anos-maço. Foi submetida à revascularização miocárdica com colocação de stent farmacológico há 8 meses. Relata dispneia aos moderados esforços. Nega angina, dispneia paroxística noturna, ortopneia e edema de membros inferiores. Está em uso de losartana, anlodipino, atenolol, metformina, dapagliflozina, rosuvastatina, Ácido Acetilsalicílico (AAS) e clopidogrel. Exame clínico sem alterações. Eletrocardiograma (ECG) com alteração de repolarização difusa. 

Os riscos cardiovascular e do procedimento são, respectivamente: 
Alternativas

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Gabarito: D

Fundamento decisivo: Na avaliação perioperatória não cardíaca, o risco deve ser classificado separadamente para a paciente e para o procedimento: a gastroduodenopancreatectomia é de alto risco por ser cirurgia abdominal de grande porte, prolongada e com perda sanguínea relevante, e a paciente tem alto risco cardiovascular por doença arterial coronariana estabelecida com stent farmacológico há 8 meses, dispneia aos moderados esforços e múltiplos fatores ateroscleróticos; assim, a combinação correta é alto e alto.

Tema central: Risco perioperatório cardiovascular
Análise das alternativas
A
Errada
Incorreta porque subestima os dois componentes. O procedimento não é moderado: gastroduodenopancreatectomia oncológica, longa e com perda sanguínea relevante se enquadra como cirurgia de alto risco. O risco cardiovascular também não é moderado, porque a paciente é coronariopata com stent farmacológico há 8 meses, tem dispneia aos moderados esforços e acumula múltiplos fatores de risco aterosclerótico.
B
Errada
Incorreta porque acerta o alto risco do procedimento, mas erra ao classificar o risco cardiovascular como moderado. Coronariopatia estabelecida com revascularização e stent no último ano, associada a limitação funcional sugerida por dispneia aos esforços e a HAS, DM2, dislipidemia e tabagismo, sustenta risco cardiovascular alto, mesmo sem angina no momento.
C
Errada
Incorreta porque, embora reconheça o alto risco cardiovascular, classifica erroneamente o procedimento como moderado. A decisão do risco cirúrgico depende do porte, duração e estresse hemodinâmico/metabólico esperados; nessa situação, trata-se de cirurgia abdominal maior, oncológica, prolongada e com sangramento não desprezível, portanto de alto risco.
D
Certa
A alternativa D está correta porque acerta os dois eixos pedidos. O procedimento é de alto risco pela magnitude cirúrgica: cirurgia abdominal alta de grande porte, com duração estimada de 8 horas e sangramento de 500 a 1.000 mL. O risco cardiovascular da paciente também é alto, pois há doença arterial coronariana documentada, já tratada com revascularização e stent farmacológico no último ano, associada a dispneia aos esforços, que não tranquiliza a capacidade funcional, além de hipertensão, diabetes, dislipidemia e tabagismo importante. A ausência de angina ou de sinais de insuficiência cardíaca descompensada afasta instabilidade manifesta, mas não rebaixa esse cenário para risco moderado.
Pegadinha da questão
A banca separa dois julgamentos independentes: risco cardiovascular da paciente e risco do procedimento. A confusão real é deixar a ausência de angina reduzir indevidamente o risco clínico, ou tratar uma duodenopancreatectomia de grande porte como cirurgia apenas moderada.
Dica para questões semelhantes
  • Classifique sempre em dois passos: primeiro o risco do paciente, depois o risco intrínseco da cirurgia.
  • Não use ausência de dor torácica isoladamente para rebaixar risco em paciente com DAC documentada e revascularização prévia.
  • Em cirurgia abdominal oncológica de grande porte, longa e com perda sanguínea relevante, o procedimento tende a ser de alto risco.
  • Dispneia aos esforços na avaliação pré-operatória deve ser incorporada como dado de capacidade funcional não claramente boa.

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