Considerando elementos fonéticos e fonológicos de determina...
Os impactos ambientais da computação
Intensivo em uso de energia e água, o setor responde por 1,7% das emissões de carbono na atmosfera; uma nova área de pesquisa surge para lidar com o problema
Parte essencial da vida moderna, a computação
está em todos os lugares. É difícil imaginar o
cotidiano sem os recursos do mundo digital, como
internet, redes sociais, streaming de vídeo,
programas de inteligência artificial e os mais variados
aplicativos. Governos, organizações e empresas de
diversos setores dependem cada vez mais das
tecnologias da informação e comunicação (TIC). O
crescente aumento da demanda computacional,
contudo, gera impactos no meio ambiente. Estima-se
que entre 5% e 9% da energia elétrica consumida no
mundo se destine à infraestrutura de TI e
comunicações em geral e ao seu uso. A Agência
Internacional de Energia (IEA) alerta para uma
tendência de forte aumento nessa demanda. O gasto
energético de data centers, instalações com robusto
poder de armazenamento e processamento de dados,
e dos setores de inteligência artificial (IA) e
criptomoedas, segundo a entidade, poderá dobrar no
mundo em 2026 em relação a 2022, quando foi de
460 terawatts-hora (TWh) – naquele mesmo ano, o
Brasil consumiu 508 TWh de energia elétrica.
“O uso de energia é inerente à computação”, constata a cientista da computação Sarajane Marques Peres, da Escola de Artes, Ciências e Humanidades da Universidade de São Paulo (EACH-USP) e pesquisadora do Centro de Inteligência Artificial C4AI, financiado por FAPESP e IBM. [...]
“Todas as nossas atividades digitais, como navegar na internet, acessar redes sociais, participar de videoconferências e enviar fotos para os amigos, têm, em última instância, efeitos sobre o ambiente”, aponta a cientista da computação Thais Batista, presidente da Sociedade Brasileira de Computação (SBC) e professora do Departamento de Informática da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN).
A energia destinada aos data centers é usada não apenas para a operação dos servidores, mas também para manter em funcionamento seu sistema de refrigeração. “Por trabalharem sem parar em processamento numérico, os computadores aquecem, emitem calor e precisam ser resfriados e mantidos em uma temperatura razoavelmente baixa”, ressalta o cientista da computação Marcelo Finger, do Instituto de Matemática e Estatística (IME) da USP. “A depender da matriz que produz essa energia, haverá mais ou menos efeitos nocivos no ambiente”, afirma Peres, referindo-se à emissão de dióxido de carbono (CO₂) quando são queimados combustíveis fósseis para a obtenção da energia elétrica utilizada.
Google, Microsoft, Apple, Amazon e outras grandes multinacionais de tecnologia, as chamadas big techs, comprometeram-se a zerar suas emissões de carbono até 2030 – segundo especialistas ouvidos pela reportagem, não há indícios de que esse objetivo possa ser atingido. Em 2023, último ano com dados disponíveis, as emissões dessas companhias cresceram principalmente por causa dos sistemas de inteligência artificial, que demandam grande poder de processamento – e, portanto, elevada carga energética – para serem treinados e funcionar.
O aumento do consumo de energia e da emissão de carbono não é o único fator que preocupa. O uso intensivo de água por data centers para manter em operação seus sistemas de refrigeração, bem como a emissão de calor no ambiente, também acendem um sinal de alerta. “O consumo hídrico é uma preocupação mais recente, visto que a maioria dos grandes data centers usa refrigeração líquida para seus equipamentos de grande porte”, ressalta o bacharel em computação científica Álvaro Luiz Fazenda, do Instituto de Ciência e Tecnologia da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), campus de São José dos Campos. Uma das soluções é usar fontes de água não potável para realizar os processos de resfriamento.
A exploração muitas vezes insustentável de elementos terras-raras e outros minerais, como silício, cobre e lítio, usados para a produção de discos rígidos, chips e baterias, e o descarte de computadores, celulares e outros aparelhos eletrônicos que rapidamente se tornam obsoletos, também elevam a pressão da computação sobre os ecossistemas. [...]
Buscando enfrentar o problema, uma nova área de estudos, conhecida como computação verde ou sustentável, tem ganhado força no Brasil e no mundo. “Ela se refere ao conjunto de práticas, técnicas e procedimentos aplicados à fabricação, ao uso e ao descarte de sistemas computacionais com a finalidade de minimizar seu impacto ambiental”, explica o pesquisador da UFABC.
A fim de alcançar esse objetivo, várias práticas têm sido propostas, como elevar a eficiência energética de hardwares e softwares, permitindo que realizem as mesmas operações consumindo menos energia. Projetar sistemas mais duradouros, reparáveis e recicláveis, que reduzam a geração de lixo eletrônico, é outra abordagem, assim como priorizar o emprego de materiais sustentáveis na produção e operação de dispositivos computacionais e o uso de energias renováveis em data centers. [...]
Reduzir o gasto energético dos sistemas de inteligência artificial foi o que tentaram fazer os pesquisadores da startup chinesa DeepSeek. O chatbot DeepSeek-V3, lançado no fim de janeiro, causou surpresa ao apresentar desempenho comparável ao dos modelos da OpenAI e do Google, mas com custo substancialmente menor.
“O DeepSeek é um exemplo de que é possível desenvolver IA de boa qualidade usando menos recursos computacionais e energia”, ressalta o cientista da computação Daniel de Angelis Cordeiro, da EACH-USP. “Investir em pesquisa de algoritmos mais eficientes e em melhorias na gestão dos recursos computacionais usados nas etapas de treinamento e inferência pode contribuir para a criação de uma IA mais sustentável.” [...]
Adaptado de: https://revistapesquisa.fapesp.br/os-impactosambientais-da-computacao/ Acesso em: 15 mar. 2025.
Gabarito comentado
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Gabarito: D
Fundamento decisivo: No trecho "[...] ao apresentar desempenho comparável ao dos modelos da OpenAI [...]", a alternativa D se confirma pela distinção entre letras e fonemas, com atenção ao dígrafo consonantal em "desempenho".
- Não conte letras como se cada uma valesse automaticamente um fonema; primeiro verifique se há dígrafo.
- Separe dígrafo de encontro consonantal: no dígrafo, duas letras representam um só fonema; no encontro consonantal, os fonemas se mantêm distintos.
- Desconfie de alternativas que tratam grafia e pronúncia como correspondência perfeita, porque letras como “h” podem não ter realização sonora.
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Comentários
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Em “[...] programas de inteligência artificial e os mais variados aplicativos.”, os sons iniciais das palavras em destaque contribuem para a fluidez da pronúncia, em razão da presença de três dígrafos: dois no primeiro e um no segundo termo em análise.
Assertiva errada. Programas e aplicativos. Não há, na primeira palavra, dois digrafos; tampouco um digrafo na segunda palavra. há "pr" e "gr" são encontros consonantais, não são dígrafos.
Em “O consumo hídrico é uma preocupação mais recente [...]”, a sequência de letras do termo em destaque corresponde diretamente à forma como a palavra é pronunciada.
Assertiva errada. A palavra hídrico (proparoxitona) corresponde a 7 (sete) letras) e 6 (seis) fonemas.
Em “[...] ressalta o bacharel em computação científica Álvaro Luiz Fazenda [...]”, o som das consoantes presentes nos termos em destaque são mantidos na fala, sem supressão ou acréscimo de fonemas.
Assertiva errada. A palavra ressalta e bacharel possuem digrafos consonantal em suas análise morfologica, isso reduz o número de fonemas em relação ao número de letras.
Em “[...] ao apresentar desempenho comparável ao dos modelos da OpenAI [...]”, tanto o primeiro quanto o segundo termo destacados dispõem de 10 letras, porém divergem quanto ao número de fonemas que cada um apresenta.
Assertiva correta. A palavra apresentar e desempenho apresentam 10 (dez) letras, não obstante divergem no tocante ao numero de fonemas. Segue esclarecimentos:
A palavra "apresentar" possui um encontro consonantal "pr". Sob outra conjuntura, a palavra "desempenho" contém um dígrafo vocálico "em", representando som nasal, e um dígrafo consonantal "nh", que representa um único som consonantal.
Em “[...] pode contribuir para a criação de uma IA mais sustentável.”, cada uma das palavras destacadas apresenta um encontro consonantal e um ditongo nasal em sua respectiva estrutura.
Assertiva errada. A palavra contribuir tem encontro consonantal "tr", não obstante não tem ditongo nasal. Por outro lado, a palavraa criação há encontro consonantal, mas não há ditongo nasal.
Gab. D não falamos separadamente o nh
Na a, a pronúncia do PR não é fácil. Muitos falantes confundem um com outro.
Na b e c, o h não tem som.
Na e, bu-ir logo é hiato.
Minha formação do ensino fundamental!
Essa AOCP cobra de tudo um pouco.
Gad. D de delta
cadê as palavras destacadas
A) “Em “[…] programas de inteligência artificial e os mais variados aplicativos.”, os sons iniciais das palavras em destaque contribuem para a fluidez da pronúncia, em razão da presença de três dígrafos: dois no primeiro e um no segundo termo em análise.” - ERRADA
- DÍGRAFO: 2 letras = 1 som (SC, CH, LH, NH, RR…)
- PROGRAMAS –> não tem nenhum dígrafo, apenas encontros consonantais “pr” e “gr”
B) “Em “O consumo hídrico é uma preocupação mais recente [...]”, a sequência de letras do termo em destaque corresponde diretamente à forma como a palavra é pronunciada.” - ERRADA
- O “H” não é pronunciado!!!
C) “Em “[…] ressalta o bacharel em computação científica Álvaro Luiz Fazenda [...]”, o som das consoantes presentes nos termos em destaque são mantidos na fala, sem supressão ou acréscimo de fonemas.” - ERRADA
- As palavras RESSALTA e BACHAREL possuem dígrafos –> 2 letras = 1 som
- Isso reduz o número de fonemas: Nº DE LETRAS – DÍGRAFOS = Nº FONEMAS
- Ressalta: 8 letras – 1 dígrafo (ss) = 7 fonemas
- Bacharel: 8 letras – 1 dígrafo = 7 fonemas
D) “Em “[...] ao apresentar desempenho comparável ao dos modelos da OpenAI [...]”, tanto o primeiro quanto o segundo termo destacados dispõem de 10 letras, porém divergem quanto ao número de fonemas que cada um apresenta.” - CERTA
- APRESENTAR: 10 letras – 1 dígrafo = 9 fonemas
- DESEMPENHO: 10 letras – 2 dígrafos = 8 fonemas
- Vogais seguidas de “M” ou “N” são dígrafos
- na MESMA sílaba –> CA-MA: não tem dígrafo!
- Não pode vir vogal depois do “M” ou do “N”!!
E) “Em “[...] pode contribuir para a criação de uma IA mais sustentável.”, cada uma das palavras destacadas apresenta um encontro consonantal e um ditongo nasal em sua respectiva estrutura.” - ERRADA
- CONTRIBUIR:
- Tem um encontro consonantal: TR
- Não tem ditongo nasal!!!
- “ON” é dígrafo nasal ou vocálico
- “UI” –> SV + SV sem nasalização!
- CRIAÇÃO:
- Tem um encontro consonantal: CR
- Tem ditongo nasal!!! –> “ÃO”
- “IA” não é ditongo, pois ficam em sílabas separadas! São HIATOS!!!
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