Em relação à toxoplasmose na gestação, é correto afirmar que
Gabarito comentado
Confira o gabarito comentado por um dos nossos professores
Tema central: toxoplasmose na gestação — interpretação sorológica (IgG/IgM), avidez da IgG e risco de transmissão vertical. O objetivo é diferenciar infecção antiga vs. recente e decidir conduta para proteger o feto.
Alternativa correta: A — A avidez da IgG é mais útil no 1º trimestre e início do 2º. Alta avidez antes de 16 semanas praticamente exclui infecção recente (no início da gestação). Após 16 semanas, a avidez pode já ter “amadurecido”, e uma avidez alta não afasta infecção adquirida na gestação. Por isso, não se indica solicitar avidez tardiamente para “excluir” infecção recente (Ministério da Saúde – Protocolo de Toxoplasmose Gestacional; UpToDate; Remington & Klein; Harrison’s).
Por que as demais estão incorretas?
- B — Em imunocomprometidas (ex.: HIV, uso de imunossupressores), pode haver reativação com parasitemia e transmissão transplacentária. Afirmar que “não é possível” é falso (MS; UpToDate; CDC).
- C — Gestante suscetível (IgG–/IgM–) não deve fazer “uma única” sorologia. Recomenda-se rastreamento seriado (mensal ou periódico) para detectar soroconversão durante a gestação (MS; protocolos europeus/franceses; UpToDate).
- D — Há risco de reinfecção por cepas diferentes (sobretudo cepas atípicas/virulentas) e risco de reativação em imunossuprimidas. Dizer que “não existe risco” é incorreto (Harrison’s; literatura de casos na América Latina).
- E — A IgA pode positivar nas primeiras semanas, mas a janela é variável e sua sensibilidade é limitada; pode estar ausente mesmo em infecção aguda. Além disso, não é exame de rotina para diagnóstico materno; o padrão é IgG/IgM e avidez da IgG. A assertiva simplifica um marcador que não orienta conduta na gestação (MS; UpToDate).
Como interpretar na prática
- IgM+ e IgG– ou soroconversão: suspeitar infecção recente; solicitar avidez (ideal até 16s) e confirmar em laboratório de referência.
- IgM+ e IgG+: usar avidez para datar; se tardio, interpretar com cautela.
- Conduta: suspeita materna sem confirmação fetal — espiramicina. Infecção fetal confirmada (PCR de líquido amniótico positivo, após 18s) — pirimetamina + sulfadiazina + ácido folínico, em esquemas alternantes com espiramicina (MS; UpToDate).
Pegadinhas de prova: “Avidez alta sempre exclui infecção recente” — apenas se feita precocemente. “Sorologia única no 1º trimestre” — insuficiente em suscetíveis.
Referências: Ministério da Saúde (Guia de Vigilância/Protocolo de Toxoplasmose Gestacional); UpToDate (Toxoplasmosis in pregnancy); Harrison’s Principles of Internal Medicine; Remington & Klein.
Gostou do comentário? Deixe sua avaliação aqui embaixo!
Clique para visualizar este gabarito
Visualize o gabarito desta questão clicando no botão abaixo
Comentários
Veja os comentários dos nossos alunos
A) Correto.
B) no caso de gestantes imunocomprometidas com infecção crônica (IgG reagente prévia à gestação), é possível ocorrer transmissão transplacentária por reativação da infecção. Essas gestantes devem ser acompanhadas por um infectologista para investigação apropriada.
C) Todas as gestantes suscetíveis devem realizar, no mínimo, três sorologias durante a gestação. Se possível, a sorologia deve ser repetida no momento do parto.
D) A reinfecção pode ser caracterizada, em uma gestante com infecção crônica pelo T. gondii e conhecida ausência de IgM, pela identificação de IgM reagente novamente, associada à elevação do índice ou do título de IgG.
E) a IgA torna-se positiva após 14 dias da infecção.
Clique para visualizar este comentário
Visualize os comentários desta questão clicando no botão abaixo