Os pacientes com diagnóstico concomitante de tuberculose men...
Em relação à indicação de tratamento, assinale a alternativa correta.
Gabarito comentado
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Tema central: manejo do início do tratamento antirretroviral (TARV) em coinfecção HIV–tuberculose, com ênfase no timing entre iniciar antibacilares e TARV para reduzir mortalidade e evitar síndrome inflamatória da reconstituição imune (IRIS), especialmente grave no sistema nervoso central.
Alternativa correta: B – Em pacientes virgens de TARV com CD4 < 50 células/mm³, recomenda-se iniciar TARV até 2 semanas após o começo do tratamento da TB. Evidências de ensaios randomizados (p. ex., CAMELIA, SAPIT) mostraram redução de mortalidade quando o TARV é antecipado nesse subgrupo. Diretrizes da OMS (2021), NIH/US DHHS (2023–2024), UpToDate e Harrison’s sustentam essa conduta para TB em geral.
Pegadinha importante: na tuberculose meningoencefálica, há exceção: recomenda-se postergar o TARV 4–8 semanas após iniciar antibacilares devido ao alto risco de IRIS do SNC e piores desfechos com início muito precoce (Török et al., NEJM 2011). O PCDT/MS Brasil orienta iniciar após estabilização clínica, tipicamente por volta de 8 semanas. Apesar disso, muitas bancas cobram a regra geral (como no gabarito), que corresponde à alternativa B.
Análise das incorretas
A) Propõe começar antibacilares após o TARV. Incorreto: o correto é tratar TB imediatamente e introduzir TARV conforme CD4 (≤2 semanas se CD4<50; até 8 semanas se ≥50). Atrasar antibacilares aumenta mortalidade, sobretudo em TB meníngea, na qual também se indica corticosteroide adjuvante (p. ex., dexametasona).
C) Diz que, com CD4 ≥ 50, o TARV deve iniciar na “manutenção” a partir da 4ª semana. Inconsistente: a fase de manutenção inicia por volta de 8 semanas. A recomendação é iniciar TARV entre 2 e 8 semanas (não necessariamente na 4ª semana) na TB em geral; e, na TB meníngea, postergar 4–8 semanas.
D) Sugere suspender TARV por 2 semanas em coinfectados já em uso. Errado: não se interrompe TARV. Deve-se ajustar interações com rifampicina (ex.: dolutegravir 50 mg 2x/dia com RIF; efavirenz 600 mg/dia; evitar inibidores de protease com RIF; usar rifabutina quando disponível).
E) Propõe iniciar simultaneamente antibacilares e TARV. Não recomendado: aumenta risco de IRIS e toxicidade. A prática é TB primeiro, depois TARV conforme CD4; na TB meníngea, adiar 4–8 semanas.
Referências essenciais: OMS (Consolidated Guidelines, 2021); NIH/US DHHS Guidelines (2023–2024); UpToDate (TB/HIV coinfection, 2024); Harrison’s Principles of Internal Medicine; PCDT HIV/Aids – Ministério da Saúde (Brasil).
Estrategia de prova: Identifique o CD4 e lembre a regra geral (≤2 sem se CD4<50; ≤8 sem se ≥50). Marque a exceção: TB meníngea → postergar TARV 4–8 semanas pelos riscos de IRIS do SNC.
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