O que está por trás do aumento de navios
abandonados no mar
Nos últimos meses, cresceu de forma significativa o
número de petroleiros e de outras embarcações
comerciais abandonadas por seus proprietários em
diversas regiões do mundo. Esse fenômeno levanta
questionamentos sobre suas causas e, principalmente,
sobre os impactos humanos sofridos pelos marinheiros
mercantes envolvidos.
Um tripulante, cuja identidade foi preservada, relatou à
imprensa a partir de um petroleiro abandonado fora das
águas territoriais de um país asiático que a tripulação
enfrentou falta de alimentos básicos, como carne, grãos
e peixe. A escassez comprometeu a saúde dos
trabalhadores e agravou o clima a bordo, marcado por
fome, tensão e incerteza quanto ao futuro.
A embarcação transporta cerca de setecentos e
cinquenta mil barris de petróleo bruto, avaliados em
aproximadamente cinquenta milhões de dólares, e havia
partido do Extremo Oriente da Rússia com destino à Ásia
no início de novembro. Após meses sem pagamento de
salários, o navio foi considerado abandonado por uma
federação sindical internacional. A embarcação
permanece em águas internacionais, sem autorização
para atracar, mas houve intervenção sindical para
garantir parte dos salários atrasados e o envio de
alimentos, água potável e suprimentos essenciais.
Apesar da repatriação de alguns tripulantes, a maioria
segue a bordo.
Dados sindicais indicam que, em 2016, foram registrados
apenas vinte navios abandonados no mundo. Em 2025,
esse número saltou para mais de quatrocentos, afetando
mais de seis mil marinheiros, um aumento expressivo em
relação ao ano anterior. A instabilidade geopolítica,
conflitos armados e os efeitos prolongados da pandemia
contribuíram para interrupções nas cadeias de
suprimento e variações nos custos de frete, dificultando
a sobrevivência financeira de algumas empresas
marítimas.
Outro fator relevante é a expansão das chamadas frotas
fantasmas, compostas principalmente por embarcações
antigas, com estruturas de propriedade pouco
transparentes, condições precárias de navegação e
ausência de seguro adequado. Esses navios costumam
operar sob bandeiras de conveniência, registradas em
países com fiscalização limitada, o que permite contornar
sanções internacionais e exportar petróleo em desacordo
com restrições impostas a determinados Estados.
O uso de bandeiras de conveniência não é recente e
historicamente tem sido adotado para escapar de
legislações nacionais mais rigorosas. Atualmente,
poucos países concentram grande parte do registro
dessas embarcações, recebendo taxas em troca do uso
de suas bandeiras. Nos últimos anos, novos Estados
passaram a oferecer esse tipo de registro, ampliando o
problema.
A maioria dos navios abandonados em 2025 navegava
sob bandeiras de conveniência. Embora não seja
possível determinar quantos pertencem diretamente às
frotas fantasmas, o estado precário dessas embarcações
e a falta de transparência aumentam os riscos tanto para os navios quanto para suas tripulações.
Segundo diretrizes internacionais, um marinheiro é
considerado abandonado quando o armador deixa de
garantir sua repatriação, o sustento básico ou o
pagamento de salários por pelo menos dois meses. No
ano passado, tripulações abandonadas acumularam
mais de vinte e cinco milhões de dólares em salários
atrasados, dos quais cerca de dois terços foram
recuperados por meio de intervenções sindicais.
As nacionalidades mais afetadas pelo abandono
marítimo em 2025 foram a indiana, a filipina e a síria.
Diante desse cenário, alguns governos passaram a
restringir a atuação de embarcações envolvidas em
violações de direitos trabalhistas, especialmente aquelas
com proprietários difíceis de identificar ou sem resposta
dos Estados de registro.
Especialistas do setor marítimo apontam que os países
que oferecem bandeiras de conveniência
frequentemente deixam de assumir responsabilidades
sobre as embarcações registradas, apesar de o direito
marítimo internacional prever a existência de um vínculo
efetivo entre o navio, seus proprietários e o Estado de
bandeira. Na prática, esse vínculo ainda é frágil e pouco
definido.
O tripulante que relatou sua experiência afirma que, no
futuro, será mais criterioso ao escolher em que navio
trabalhar, buscando informações sobre condições de
trabalho, salários, provisões e eventuais sanções.
Marinheiros frequentemente dependem das
oportunidades disponíveis, e, enquanto as frotas
fantasmas continuarem a desempenhar papel central no
transporte de petróleo, especialistas alertam que apenas
uma cooperação internacional mais ampla poderá reduzir
os riscos e proteger os trabalhadores do mar.
O texto discute medidas adotadas por governos e
reflexões de especialistas diante do abandono marítimo,
ressaltando responsabilidades institucionais e escolhas
individuais dos trabalhadores do setor.
De acordo com o texto-base, é CORRETO afirmar que:
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