A intrincada teia de obstáculos que envolve o
empreendedorismo e a inconstante insegurança jurídica fazem
do Brasil um país hesitante para os responsáveis pelas
decisões de investimento na hora de iniciar ou expandir os
negócios. O excesso de regras — muitas impraticáveis, ou
difíceis de serem aplicadas, e outras reinterpretadas conforme
a conjuntura política — impede que a Nação leve adiante
grandes projetos. “Há, na Ciência Política, o termo ‘vetocracia’,
que explica que, em várias democracias, há um exagero nos
pontos de veto para iniciativas empreendedoras. O emaranhado
de indivíduos e comitês que têm o poder de negar uma proposta
é excessivamente amplo. O que ocorre é que, justamente
quando um empreendedor acredita ter superado um obstáculo,
outro surge, interrompendo abruptamente a execução do
projeto. No contexto brasileiro, como as interpretações das
regras mudam várias vezes, isso nos torna uma ‘hesitocracia’”,
adverte Diogo Costa, Professor de Ciência Política.