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Q3990481 Português
Sistema de saúde mais igualitário 

    São muitos os desafios para melhorar o acesso à saúde no Brasil, mas, qualquer que seja o caminho, é preciso estruturá-lo por meio da colaboração de todos os agentes do sistema, desde os usuários, profissionais de saúde e laboratórios farmacêuticos, até os gestores de hospitais, operadoras e membros do serviço público. Afinal, cuidar da vida é um objetivo comum, que demanda colaboração, interesse e envolvimento coletivo.
    Um conceito que tem sido bastante discutido como estratégia eficaz para a promoção da saúde é o “triple win”, ou seja, ganho triplo. Ele significa estabelecer uma relação bem-sucedida entre os três principais elementos do ecossistema de saúde: o paciente, a indústria farmacêutica e o sistema em si, seja ele público, na figura do SUS, seja privado, que no Brasil acontece por meio das operadoras de planos de saúde, sob regulação da ANS (Agência Nacional de Saúde Suplementar).
    Mas, para que o “triple win” se torne uma realidade, um de seus pilares deve estar calcado na prevenção. Precisamos de um esforço contínuo para melhorar as atuais políticas públicas em saúde, transformando-as em mecanismos que coloquem o indivíduo como usuário de um sistema que fortalece as ações de prevenção e promoção de saúde. É a mudança do modelo de assistência ao beneficiário passando a ênfase para a saúde e não para a enfermidade.
    Se conseguirmos evoluir para um modelo centrado no paciente, nas suas reais necessidades, valorizando os desfechos que realmente importam para ele, fica mais fácil conseguirmos alinhar as expectativas de todas as partes interessadas. Sabemos que, atualmente, a sociedade como um todo se mostra cada vez mais suscetível a enfermidades. A carga de doenças, novas ou crônicas, cresce de forma significante. A consequência disso é a necessidade ainda maior de utilização do sistema de saúde, privado e público. O que aconteceu com a Covid-19 foi uma demonstração do perigo que é ter um sistema sobrecarregado.
    Por isso, temos falado também em saúde populacional, um conceito cujo foco é influenciar determinantes sociais que afetam desfechos clínicos. Essa ideia se apresenta como outro caminho possível, intrínseco ao “triple win”, para uma transformação sustentável, com a redução no impacto das doenças crônicas, queda na utilização inadequada do serviço de saúde e promoção de melhor qualidade de vida. É uma abordagem extremamente benéfica ao paciente, pois o coloca no centro das tomadas de decisão, vantajosa para o poder público, que consegue reduzir índices de doenças, e lucrativa para a indústria, que se beneficia com a introdução de um medicamento com rapidez e escala.
    Não é nenhuma novidade, mas precisamos reforçar: a Atenção Primária à Saúde é dever de todos que desejam construir um modelo mais colaborativo. A sociedade precisa entender como funciona a jornada do paciente, o que é o SUS e que ele vai além do pronto-socorro, do hospital e das vacinas. Para isso, é necessário reduzir barreiras e promover o diálogo e a cooperação, ou seja, nova forma de concorrência colaborativa. [...]

(PAULO REBELLO – Diretor-presidente da Agência Nacional de Saúde
Suplementar (ANS) Correio Braziliense. 26/05/2022.)

Considerando o quarto parágrafo do texto, pode-se afirmar que é a conjunção inicial introduz um(a):
Alternativas

Gabarito comentado

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Gabarito: C

Fundamento decisivo: No quarto parágrafo, a conjunção inicial "Se" em "Se conseguirmos evoluir para um modelo centrado no paciente, nas suas reais necessidades, valorizando os desfechos que realmente importam para ele, fica mais fácil conseguirmos alinhar as expectativas de todas as partes interessadas" tem valor condicional: introduz uma hipótese/condição, e a oração principal expressa a consequência associada a essa hipótese. Isso conduz ao gabarito C.

Tema central: valor condicional de "se"
Análise das alternativas
A
Errada
Está errada porque o período não organiza uma premissa factual seguida de inferência. A relação marcada por "se" é de condição e consequência, não de premissa já dada como verdadeira.
B
Errada
Está errada porque a primeira oração não exprime fato real. O trecho apresenta a evolução como possibilidade condicionante, e não como algo já ocorrido.
C
Certa
A alternativa C está correta porque o período apresenta uma condição hipotética — "Se conseguirmos evoluir para um modelo centrado no paciente..." — à qual se associa a consequência — "fica mais fácil conseguirmos alinhar as expectativas de todas as partes interessadas". Portanto, não se trata de fato realizado, mas de hipótese com efeito consequente.
D
Errada
Está errada porque o texto não marca a hipótese como remotamente provável. A presença de "se" indica condição/hipótese, mas não autoriza concluir baixa probabilidade.
Pegadinha da questão
A questão explora a confusão entre hipótese condicional e fato real, além da tendência de ler "se" como premissa argumentativa ou como marca de improbabilidade, o que o trecho não explicita.
Dica para questões semelhantes
  • Ao analisar "se", verifique se ele introduz condição para a oração principal, e não causa, fato consumado ou premissa.
  • Observe se o verbo da oração subordinada projeta eventualidade; isso ajuda a distinguir hipótese de fato realizado.
  • Não atribua grau de probabilidade à hipótese sem marcador textual explícito; condição não significa, por si, improbabilidade remota.

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