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Q3990473 Português
Sistema de saúde mais igualitário 

    São muitos os desafios para melhorar o acesso à saúde no Brasil, mas, qualquer que seja o caminho, é preciso estruturá-lo por meio da colaboração de todos os agentes do sistema, desde os usuários, profissionais de saúde e laboratórios farmacêuticos, até os gestores de hospitais, operadoras e membros do serviço público. Afinal, cuidar da vida é um objetivo comum, que demanda colaboração, interesse e envolvimento coletivo.
    Um conceito que tem sido bastante discutido como estratégia eficaz para a promoção da saúde é o “triple win”, ou seja, ganho triplo. Ele significa estabelecer uma relação bem-sucedida entre os três principais elementos do ecossistema de saúde: o paciente, a indústria farmacêutica e o sistema em si, seja ele público, na figura do SUS, seja privado, que no Brasil acontece por meio das operadoras de planos de saúde, sob regulação da ANS (Agência Nacional de Saúde Suplementar).
    Mas, para que o “triple win” se torne uma realidade, um de seus pilares deve estar calcado na prevenção. Precisamos de um esforço contínuo para melhorar as atuais políticas públicas em saúde, transformando-as em mecanismos que coloquem o indivíduo como usuário de um sistema que fortalece as ações de prevenção e promoção de saúde. É a mudança do modelo de assistência ao beneficiário passando a ênfase para a saúde e não para a enfermidade.
    Se conseguirmos evoluir para um modelo centrado no paciente, nas suas reais necessidades, valorizando os desfechos que realmente importam para ele, fica mais fácil conseguirmos alinhar as expectativas de todas as partes interessadas. Sabemos que, atualmente, a sociedade como um todo se mostra cada vez mais suscetível a enfermidades. A carga de doenças, novas ou crônicas, cresce de forma significante. A consequência disso é a necessidade ainda maior de utilização do sistema de saúde, privado e público. O que aconteceu com a Covid-19 foi uma demonstração do perigo que é ter um sistema sobrecarregado.
    Por isso, temos falado também em saúde populacional, um conceito cujo foco é influenciar determinantes sociais que afetam desfechos clínicos. Essa ideia se apresenta como outro caminho possível, intrínseco ao “triple win”, para uma transformação sustentável, com a redução no impacto das doenças crônicas, queda na utilização inadequada do serviço de saúde e promoção de melhor qualidade de vida. É uma abordagem extremamente benéfica ao paciente, pois o coloca no centro das tomadas de decisão, vantajosa para o poder público, que consegue reduzir índices de doenças, e lucrativa para a indústria, que se beneficia com a introdução de um medicamento com rapidez e escala.
    Não é nenhuma novidade, mas precisamos reforçar: a Atenção Primária à Saúde é dever de todos que desejam construir um modelo mais colaborativo. A sociedade precisa entender como funciona a jornada do paciente, o que é o SUS e que ele vai além do pronto-socorro, do hospital e das vacinas. Para isso, é necessário reduzir barreiras e promover o diálogo e a cooperação, ou seja, nova forma de concorrência colaborativa. [...]

(PAULO REBELLO – Diretor-presidente da Agência Nacional de Saúde
Suplementar (ANS) Correio Braziliense. 26/05/2022.)

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Alternativas

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Gabarito: C

Fundamento decisivo: A tese explícita do texto está no trecho: “São muitos os desafios para melhorar o acesso à saúde no Brasil, mas, qualquer que seja o caminho, é preciso estruturá-lo por meio da colaboração de todos os agentes do sistema, desde os usuários, profissionais de saúde e laboratórios farmacêuticos, até os gestores de hospitais, operadoras e membros do serviço público. Afinal, cuidar da vida é um objetivo comum, que demanda colaboração, interesse e envolvimento coletivo.” Esse critério textual, centrado em desafios, colaboração entre agentes distintos e objetivo comum, conduz ao gabarito C.

Tema central: colaboração no sistema de saúde
Análise das alternativas
A
Errada
Está errada porque contradiz o texto. O autor vincula diretamente os desafios à melhoria do acesso à saúde no Brasil, e não os desvincula.
B
Errada
Está errada porque distorce o sentido do texto. Não há denúncia nem protagonismo exclusivo da indústria farmacêutica; há defesa de cooperação entre vários agentes.
C
Certa
A alternativa C está correta porque reproduz a ideia central do texto: a melhoria do acesso à saúde depende da atuação articulada de diferentes segmentos do sistema. O autor também explicita que essa atuação tem finalidade comum ao afirmar que “cuidar da vida é um objetivo comum”, o que sustenta a noção de propósito compartilhado.
D
Errada
Está errada porque inverte o sentido do texto. O autor não defende a existência de obstáculos e dificuldades; ele propõe reduzir barreiras e promover diálogo e cooperação.
Pegadinha da questão
A questão explora a confusão entre reconhecer desafios e defender obstáculos, além de tentar deslocar a tese colaborativa para uma leitura de denúncia ou de protagonismo isolado da indústria farmacêutica.
Dica para questões semelhantes
  • Localize a tese explícita do primeiro parágrafo antes de analisar as alternativas.
  • Verifique se a opção preserva desafios, colaboração entre agentes diversos e objetivo comum.
  • Desconfie de alternativas que transformem proposta colaborativa em denúncia.
  • Cuidado com opções que trocam a existência de problemas pela defesa deles como condição necessária.

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