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Ano: 2012 Banca: FUMARC Órgão: TJ-MG Prova: FUMARC - 2012 - TJ-MG - Oficial Judiciário |
Q252399 Português

                                               LEITURA E APRENDIZADO.

*Nilce Rezende Fernandes

1 Um expressivo número de adolescentes, incluindo os alunos de tradicionais colégios da rede particular, apresenta dificuldade de compreensão de texto, o que é detectado pelas respostas vagas, inconsistentes, sem coerência, coesão e com graves erros de ortografia. Esses fatos se devem, na maioria das vezes, à falta de hábito aliado ao prazer da leitura.

2 Há algumas décadas, a maioria dos jovens na faixa dos 14 aos 17 anos, devorava os clássicos da literatura brasileira e até estrangeira, mesmo antes da tão propagada globalização. Havia uma intimidade entre leitores e autores como Machado de Assis, Raquel de Queiroz, Érico Veríssimo, Rubem Braga, Carlos Drumonnd de Andrade, Rubem Fonseca, Lygia Fagundes Telles, Carlos Heitor Cony, Fernando Sabino, Clarice Lispector e Guimarães Rosa, entre tantos outros. As obras eram motivo de discussão entre os amigos, que até simulavam um julgamento para condenar ou inocentar Capitu, personagem da obra-prima Dom Casmurro, de Machado de Assis.

3 Dostoiévski, George Orwell, Hemingway, Tolstoi, Proust, Gabriel Garcia Márquez, entre vários também faziam parte das leituras juvenis. Ler bastante era considerado tão natural quanto dominar a tecnologia nos dias atuais. Foi dessa forma que os adolescentes aprenderam a interpretar textos, argumentar, expressando-se com clareza e no português padrão exigido. O antigo Colégio Estadual Central, famoso pelo corpo docente, era o mais disputado para essa turma amante dos livros, que após o ensino médio, ingressava na UFMG com sucesso.

4 É lamentável que atualmente alunos do curso médio e superior escrevendo “xampu” com sh e “quis” com z, influenciados pelas palavras inglesas “shampoo” “quiz”, mesmo sendo o significado da segunda completamente diferente. O x dá lugar ao ch em “xícara”, “mexer” e “vexame”; o inverso ocorre em “chuchu”, “enchimento” e “pichação”. Devido à semelhança do som, o j de “gorjeta” é trocado pelo g, assim como o s por z em “paralisar”, “alisar” e “puser”.

5 A língua portuguesa é complexa e as regras com uma série de exceções não contemplam cada termo, por isso a leitura é uma importante ferramenta de aprendizagem. Seria injusto jogar a culpa no novo acordo ortográfico, uma vez que as palavras citadas não sofreram nenhuma alteração em função dele.

6 O Estado de Minas publicou (Opinião, 23/02/2012) o artigo “Quando a tecnologia provoca involução”, assinado por Carlos Eduardo Guilherme, afirmando que tamanhos avanços tecnológicos provocam o distanciamento dos jovens em vez de aproximá-los e proporcionam dificuldades de se relacionar em grupo. Fala que “o consumismo excessivo, o uso exagerado do computador, dos jogos eletrônicos, da TV e a superproteção dos pais têm criado situações de isolamento”. Em outro trecho diz que “nos colégios e clubes, mesmo após meses de convívio, eles têm dificuldade de se aproximar dos colegas. São, na grande maioria, garotos individualistas e egocêntricos, vivem em mundos separados da realidade”.

7 Infelizmente, a tecnologia e tudo mais apontado pelo professor podem também ser responsáveis pelos resultados caóticos na língua portuguesa por um grande número de alunos. Passando horas diante de uma tela nas redes sociais, cultivando amizades virtuais ou com jogos intermináveis, são incapazes de descobrir a viagem mágica no mergulho da boa leitura, assim como da convivência saudável pela prática de esporte.
8 Como formar cidadãos críticos, que cumpram seus deveres e lutem por seus direitos se o primeiro passo a ser dado para isso é compreender um texto? Somente há a possibilidade de tomar uma atitude contra ou a favor de determinado tema em pauta tendo acesso a informações precisas. A tecnologia deveria ser uma parceira em vez de contribuir para a alienação dos jovens. Como ensinar redação a estudantes sem argumentos para defender seu ponto de vista? É imprescindível enfatizar a necessidade da leitura para redigir com clareza, no português padrão, usando um vocabulário rico e adequado, de forma coerente, concisa e sem repetição de ideias.

9 O contato dos bebês com os livros emborrachados durante o banho, evoluindo para os contos de fadas contados pelos pais antes de os filhotes pegarem no sono e depois os propícios a cada faixa etária, contribui para que na adolescência já se tenha solidificado amor e intimidade com o romance, conto, crônica ou poema. Aí, certamente, haverá prazer de ler Machado de Assis, Ignácio de Loyola Brandão, Marina Colasanti, Adélia Prado, Nélida Piñon e muitos outros. Sem restrição alguma da substituição do livro impresso pela leitura digital. Afinal, por mais que os contumazes leitores valorizem o papel, na era da tecnologia é fundamental uma flexibilização para incentivar o ato de ler da garotada. Se, pelo contrário, optar-se por uma imposição, provavelmente, o tiro sairá pela culatra, e assim muitos jovens vão preferir ignorar a leitura.

(Jornal Estado de Minas, 13 de Março de 2012. Caderno Opinião. * Professora e escritora).

Assinale a CORRETA correspondência entre o termo em negrito e o substantivo a que ele se refere

Alternativas

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Comentário da Questão — Oficial Judiciário (Médio): Referência Pronominal e Coesão

Tema central: A questão avalia referência pronominal e coesão textual. É necessário identificar a que substantivo um pronome ou expressão retoma no texto, habilidade fundamental para interpretação e clareza de sentido em textos dissertativos.

Comentando a alternativa correta — Letra A:

O pronome “los” em “aproximá-los”, no contexto, refere-se aos “jovens”. O termo é um pronome oblíquo átono e, pela norma-padrão (cf. Bechara e Cunha & Cintra), é empregado para retomar um substantivo mencionado antes, evitando repetição.

Observe:

“tamanhos avanços tecnológicos provocam o distanciamento dos jovens em vez de aproximá-los

Ao analisarmos, torna-se claro que “aproximá-los” significa aproximar os jovens. Assim, o pronome estabelece coesão pelo mecanismo anafórico (retorno ao termo anterior).

Análise das alternativas incorretas:

B)eles” refere-se aos jovens e não aos pais. O contexto do trecho fala dos adolescentes e suas dificuldades, não faz referência direta aos pais, portanto a correspondência indicada está incorreta.

C) O verbo “são” está na 3ª pessoa do plural e o sujeito é subentendido — novamente, os jovens, não “colegas”. O erro é confundir sujeito oculto com o substantivo dos colegas, pois “colegas” aparece apenas como complemento.

D) O termo “outros” refere-se a outros autores, não a “contos”. É uma típica pegadinha: a frase enumera escritores e, ao dizer “muitos outros”, inclui nomes de autores não citados, e não outros tipos de textos.

Dica de prova:

Ao identificar a referência de um pronome, localize o substantivo mais próximo e coerente no contexto anterior. Atenção a distrações como mudança súbita do referente ou termos genéricos! Gramaticalmente, o uso correto do pronome oblíquo átono evita ambiguidade e repetição, conforme exemplificam Bechara (Moderna Gramática) e o Manual de Redação oficial.

Gabarito: Letra A.

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Comentários

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Comentando...

a) “ ( ... ) tamanhos avanços tecnológicos provocam o distanciamento dos jovens em vez de aproximá-los...” § 6 ( jovens). certo!
O pronome los se refere a jovens, vejamos:
...provocam o distanciamento
dos jovens em vez de aproximar os jovens...
b) “nos colégios e clubes, mesmo após meses de convívio, eles têm difculdade de se aproximar dos colegas”. § 6 ( pais ). Errado!
Olhando o parágrafo no início veremos que eles se refere a jovens, vejamos:
... avanços tecnológicos provocam o distanciamento dos
jovens... o uso exagerado do computador, dos jogos eletrônicos, da TV e da superproteção têm criado situações de isolamento.
c) “ ( ... ) são incapazes de descobrir a viagem mágica no mergulho da boa leitura...” § 7 ( colegas ). Errado!
O verbo em destaque se refere a alunos, vejamos:
Infelizmente, a tecnologia e tudo mais apontado pelo professor podem também ser responsáveis pelos resultados caóticos na língua portuguesa por um grande números de
alunos. Passando horas diante de uma tela... são incapazes de...
d) “ Aí, certamente, haverá prazer de ler Machado de Assis, Ignácio de Loyola Brandão, Marina Colasanti, Adélia Prado, Nélida Piñon e muitos outros”. § 9 ( contos ). Errado!
Outros se refere a escritores.

a) “ ( ... ) tamanhos avanços tecnológicos provocam o distanciamento dos jovens em vez de aproximá-los...” § 6 ( jovens).correto: Pronome oblíquo átono "-los" retorna o antecedente.

b) “nos colégios e clubes, mesmo após meses de convívio, eles têm difculdade de se aproximar dos colegas”. § 6 ( pais ).errado: retorna jovens

c) “ ( ... ) são incapazes de descobrir a viagem mágica no mergulho da boa leitura...” § 7 ( colegas ).errado: retorna alunos.

d) “ Aí, certamente, haverá prazer de ler Machado de Assis, Ignácio de Loyola Brandão, Marina Colasanti, Adélia Prado, Nélida Piñon e muitos outros”. § 9 ( contos ).Errado, os outros é referência para outros autores que podem ser lidos tb (metonímia)

Texto de 12 anos atrás e tão atual..

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