Descartes em sua obra Discurso do método afirma: “Minha exi...
“Minha existência como coisa que pensa está doravante garantida e vejo claramente que esta coisa pensante é mais fácil, enquanto tal, de conhecer do que o corpo, a cujo respeito até agora nada me certifica. Este Cogito, este "eu penso", modelo de pensamento claro e distinto, dá-me a garantia subjetiva de toda ideia clara e distinta no tempo em que a percebo.”
(2ª ed. São Paulo: Abril Cultural, 1979, p.14 - Coleção Os Pensadores)
De acordo com esse pensamento, a filosofia
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Alternativa correta: B
1. Tema central da questão
O foco está na filosofia cartesiana, principalmente na distinção entre mente e corpo e no Cogito ergo sum (“Penso, logo existo”) de René Descartes. Trata-se de compreender como o conhecimento seguro para Descartes se apoia no pensamento, não nos sentidos.
2. Resumo teórico
Descartes inaugura o racionalismo moderno. Diante da dúvida, ele descobre que só pode ter certeza de que pensa, pois até o corpo pode ser duvidado. O conhecimento sensível é considerado por ele menos confiável do que o conhecimento produzido pela razão.
Fonte: Descartes, R. Discurso do Método.
3. Justificativa da alternativa correta (B)
A alternativa B está correta porque reflete o dualismo cartesiano. Para Descartes, o corpo pode enganar (ilusões sensoriais), enquanto a mente é o fundamento do conhecimento verdadeiro. Por isso ele exclui o corpo como fonte primeira de certeza, focando na razão, onde não há incerteza.
4. Análise das alternativas incorretas
A – Incorreta. Descartes não considera o conhecimento sensível (sensação, percepção, imaginação) como base segura para o saber. Ele propõe a desconfiança dos sentidos.
C – Incorreta. O autor não defende que o conhecimento verdadeiro dependa do sensível. Para ele, o verdadeiro conhecimento está no intelectual, não no sensível.
D – Incorreta. O conhecimento sensível não é considerado verdadeiro por Descartes, mesmo que se sigam regras. O foco é no conhecimento claro e distinto da razão.
5. Estratégias de interpretação
Sempre destaque palavras-chave como “sensível”, “razão”, “conhecimento verdadeiro” e “corpo” nas alternativas. Descartes é marcado por confiar na razão e desconfiar dos sentidos. Cuidado com alternativas que misturem elementos sensíveis ao conhecimento verdadeiro em Descartes – geralmente estarão erradas!
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Comentários
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Eu não fiquei convencido que a resposta é a letra B, afinal ele não “exclui o corpo” para sempre, apenas ainda não tem certeza dele nesse ponto do método; depois ele volta a demonstrar a existência da matéria....
Essa questão é passível de anulação e recurso, pois é muito mal formulada. Não faz o menor sentido o enunciado da alternativa B, visto que o próprio Descartes, em seu sistema, vincula o corpo. Ele é um autor cuja ontologia é dualista (corpo + alma/mente): res cogitans (mente/alma/ sujeito pensante), res extensa (corpo, ou máquina. Aqui temos um aspecto da visão do mecanicismo cartesiano).
Ao mesmo tempo, a alternativa C, apesar de estranha, tem algo que faz sentido. Visto que a questão fala abertamente da obra "Discurso do Método", nós temos um detalhe pertinente, a saber:
Neste livro, Descartes parte da dúvida hiperbólica como sendo a única certeza, a partir da qual pode-se levar à busca de outros conhecimentos. A dúvida radical me faz chegar à certeza de minha própria existência (o famoso mote "cogito ergo sum"; "penso, logo sou/existo).
Se eu tivesse feito este concurso, teria entrado com recurso contra a questão.
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