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Q349229 Medicina
O estudo HOPE (heart outcomes prevention evaluation) avaliou os efeitos do ramipril e da vitamina E, isolados e associados, no tocante à prevenção de eventos isquêmicos em pacientes de alto risco. O planejamento do estudo foi randomizado, duplo-cego e controlado por placebo. No total, 9.541 pacientes foram randomizados para vitamina E ou placebo e 9.297 pacientes foram randomizados para ramipril ou placebo. O número de pacientes com eventos combinados (óbito cardiovascular ou infarto do miocárdio ou acidente vascular cerebral) foi igual a 1.546 no grupo vitamina E e 1.479 no grupo placebo (p = 0,33). O número de pacientes com eventos combinados foi correspondente a 1.302 no grupo ramipril e 1.655 no grupo placebo (p < 0,001).

Com base nas informações acima apresentadas, julgue os itens a seguir.

Os valores de p são úteis para expressar a magnitude do efeito de uma intervenção. Na situação acima descrita, percebe-se, por meio dessa variável, que o ramipril foi significativamente mais eficaz para redução de óbito cardiovascular, infarto do miocárdio e acidente vascular cerebral que a vitamina E.
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Gabarito: E) Errado

Tema central: A questão trata da interpretação do valor de p em estudos clínicos e sua relação com a avaliação da eficácia de intervenções em Cardiologia, exemplificada pelo estudo HOPE.

Explicação didática:

O valor de p representa a probabilidade de que uma diferença observada entre grupos seja devida ao acaso. Um valor de p menor que 0,05 geralmente indica significância estatística, ou seja, é improvável que a diferença seja aleatória. Entretanto, o valor de p não informa a magnitude do efeito, ou seja, o quanto a intervenção é efetiva. Para isso, devemos examinar medidas de efeito como risco relativo, redução absoluta do risco e número necessário para tratar (NNT).

No estudo HOPE:

  • Ramipril reduziu significativamente eventos cardiovasculares (p < 0,001), demonstrando eficácia comprovada.
  • Vitamina E não mostrou diferença significativa em relação ao placebo (p = 0,33), portanto, sem benefício comprovado.

Segundo o Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas (PCDT) da Atenção Básica à Saúde Cardiovascular do Ministério da Saúde: “Valores de p traduzem significância estatística, não magnitude de efeito clínico.”

Análise crítica da alternativa afirmando: "Os valores de p são úteis para expressar a magnitude do efeito de uma intervenção"
Essa afirmação está errada. O p apenas indica se existe diferença estatística, não o tamanho ou relevância clínica dessa diferença. Um valor de p pequeno pode estar associado a um efeito pequeno, dependendo do tamanho da amostra, por isso, jamais use p para mensurar magnitude.

Pegadinhas comuns em provas:

  • Confundir significância estatística (valor do p) com significância clínica (magnitude e relevância do efeito).
  • Considerar apenas o valor de p sem avaliar as medidas do impacto clínico.

Resumo estratégico: Sempre que um enunciado relacionar p à magnitude, desconfie. Volte-se para as medidas clínicas de efeito.

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