No parágrafo 189 da Fenomenologia do Espírito, Hegel, ao tra...
“(...) e uma consciência de si não é puramente para si, mas para um outro, isto é, como consciência essente, ou consciência na figura da coisidade. São essenciais ambos os momentos; porém como, de início, são desiguais e opostos, e ainda não resultou sua reflexão na unidade, assim os dois momentos são como duas figuras opostas da consciência: uma a consciência independente para a qual o ser-para-si é a essência; outra, a consciência dependente para a qual a essência é a vida, ou o ser para um Outro”.
(HEGEL, Georg Wilhelm Friedrich. A Fenomenologia do Espírito. Tradução de Paulo Meneses. Vozes: Petrópolis, 2014, p. 146 - 147)
Essa passagem da obra de Hegel diz respeito à dialética
Gabarito comentado
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Alternativa correta: A - do senhor e do escravo
1. Tema central da questão
A questão explora um momento fundamental da filosofia de Hegel: a dialética do senhor e do escravo, também conhecida como “dialética da servidão”. O contexto é a formação da consciência de si, aspecto central para entender o sujeito moderno.
2. Resumo teórico
Em sua obra Fenomenologia do Espírito, Hegel apresenta a ideia de que a consciência de si não se forma isoladamente, mas em relação com outra consciência. Surge então a famosa passagem sobre o “senhor” e o “escravo”: dois sujeitos que se reconhecem, mas ocupam posições opostas. O “senhor” é aquele cuja essência é o ser-para-si (autonomia), enquanto o “escravo” é aquele cuja essência é o ser-para-outro (dependência). Este confronto revela que a identidade do sujeito só se constrói na relação dialética com o outro, um conceito chave para a filosofia moderna (cf. HEGEL, 2014).
3. Justificativa da alternativa correta
A alternativa A está correta porque o trecho citado descreve precisamente esse momento da dialética do senhor e do escravo, quando Hegel expõe a oposição entre duas consciências: uma independente e outra dependente, estabelecendo a relação assimétrica que leva ao reconhecimento.
4. Análise das alternativas incorretas
B - do jogo de forças: Embora o início da dialética envolva luta por reconhecimento, o conceito hegeliano clássico se refere à oposição senhor/escravo, não a um “jogo de forças” isolado.
C - da razão observadora: Esse conceito aparece posteriormente em Hegel, ligado à razão científica, e não à formação da consciência de si.
D - da eticidade: A eticidade (Sittlichkeit) diz respeito à vida ética e social, tema desenvolvido depois na obra, não neste estágio da consciência de si.
5. Estratégias de interpretação
Observe sempre palavras-chave como “consciência independente��, “consciência dependente” e “ser para si/outro”. Essas expressões remetem diretamente à dialética do senhor e do escravo. Fique atento também à ordem dos estágios da Fenomenologia: primeiro o reconhecimento, depois temas como razão e eticidade.
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