Mulher de 60 anos, hipertensa e diabética, apresenta baixa a...

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Q3834090 Medicina
Mulher de 60 anos, hipertensa e diabética, apresenta baixa adesão medicamentosa. Em consulta, relata que “Deus decidirá o que acontecer”. Qual interpretação clínica é mais adequada? 
Alternativas

Gabarito comentado

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Gabarito: C

Fundamento decisivo: A fala indica coping religioso-espiritual passivo/delegante, isto é, transferência da responsabilidade do cuidado a um agente externo, o que pode reduzir senso de agência e adesão ao tratamento em HAS e DM; por isso, a alternativa C é a melhor interpretação clínica.

Tema central: Coping religioso passivo
Análise das alternativas
A
Errada
Incorreta. Negação patológica exige distorção mal-adaptativa da realidade do adoecimento, com recusa significativa da doença ou de suas implicações. A frase do caso, isoladamente, não mostra recusa da existência de HAS e DM, nem ausência de insight, delírio ou desorganização psicopatológica; mostra fatalismo religioso associado à baixa adesão.
B
Errada
Incorreta. O erro é generalizar religiosidade como fator de pior prognóstico. Pela base, religiosidade/espiritualidade não é intrinsecamente benéfica nem deletéria; o efeito clínico depende do padrão de enfrentamento. Aqui, o problema é o coping passivo/delegante, não a religiosidade em si.
C
Certa
A alternativa C é a melhor leitura clínica porque a paciente já tem baixa adesão em doenças crônicas que exigem autocuidado contínuo, e a frase "Deus decidirá o que acontecer" sugere postura fatalista/delegante diante do tratamento. Isso favorece menor responsabilização pessoal pelo cuidado, sem caracterizar por si só negação patológica ou psicopatologia. O ponto relevante é o efeito comportamental da crença sobre a adesão.
D
Errada
Incorreta. Fatores psicossociais e comportamentais interferem na adesão, no autocuidado e, portanto, nos desfechos de doenças crônicas. A base afirma que crenças fatalistas podem reduzir engajamento terapêutico; logo, é falso dizer que não há impacto mensurável em desfechos clínicos.
E
Errada
Incorreta. Além de a questão pedir interpretação clínica e não conduta, o confronto direto da crença é tecnicamente inadequado porque tende a aumentar resistência e prejudicar a aliança terapêutica. A base sustenta que a comunicação clínica adequada é explorar o significado da crença, barreiras à adesão e corresponsabilização no cuidado, não confronto abrupto.
Pegadinha da questão
A banca explora a confusão entre expressão religiosa fatalista e negação patológica, além da tendência de julgar a religiosidade como sempre protetora ou sempre prejudicial; o dado decisivo é o padrão passivo/delegante ligado à baixa adesão.
Dica para questões semelhantes
  • Em doença crônica, relacione a fala do paciente ao padrão de adesão e autocuidado, não apenas ao conteúdo religioso isolado.
  • Diferencie religiosidade de psicopatologia: expressão de fé, sem recusa estruturada da realidade, não basta para negação patológica.
  • Quando a crença transfere a responsabilidade do tratamento a agente externo, pense em coping religioso passivo/delegante.
  • Se a alternativa generaliza o efeito da religiosidade como sempre bom ou sempre ruim, ela tende a estar errada.

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