A cárie dentária é uma doença multifatorial e biofilme-depen...
Gabarito comentado
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Tema central: manejo contemporâneo da cárie como doença multifatorial e biofilme‑dependente, modulada por consumo de açúcares, que exige abordagem integrada: prevenção + intervenção terapêutica.
Alternativa correta: C
Por quê? O cuidado atual baseia-se no controle do risco individual (hábitos alimentares, higiene/biofilme, flúor, condições socioeconômicas e apoio familiar) e na escolha de medidas proporcionais ao risco e ao estágio da lesão (não cavitada x cavitada). Diretrizes internacionais e nacionais (ICCMS/ICDAS, ADA Guidelines para terapias não restauradoras, OMS – recomendação de redução de açúcares livres, Ministério da Saúde – Saúde Bucal) sustentam que cárie é dinâmica e potencialmente reversível nas fases iniciais por fluoretos, selantes, educação dietética e controle de biofilme. Assim, prevenção e terapia caminham juntas, considerando também determinantes sociais que afetam adesão e exposição a açúcar.
Entenda a fisiopatologia: o balanço desmineralização ↔ remineralização é guiado por pH do biofilme (fermentação de açúcares), frequência de ingestão, saliva e flúor. Reduzir açúcar e aumentar exposição a flúor desloca o balanço para remineralização.
Por que as demais estão incorretas?
A – Afirma que após instalada a doença tudo é “irreversível” e o foco deve ser apenas reparar cavidades. Falso. Lesões iniciais podem ser paralisadas/remineralizadas (dentifrício 1000–1500 ppm F, verniz 2,26% F-, selantes; ADA 2018/2020). Mesmo lesões cavitadas em dentição decídua podem ser paralisadas com SDF 38%.
B – Desconsidera contexto social e familiar. Errado. Determinantes sociais influenciam risco e adesão (acesso a flúor, alimentos ultraprocessados, rotina de higiene, supervisão dos cuidadores). OMS e Ministério da Saúde reforçam abordagem biopsicossocial.
D – Coloca o restaurador como “principal e mais eficaz” e diz que desmineralização é “irreversível”. Inadequado. Restauração trata a consequência (cavidade), não a doença. Medidas preventivas e terapias remineralizadoras são efetivas e custo-efetivas; a filosofia atual é Odontologia Minimamente Invasiva (ICCMS/ADA).
Estratégia para provas: desconfie de termos absolutos como “exclusivamente”, “irreversível”, “apenas” e “não pode”. A alternativa correta costuma integrar prevenção + terapia e considerar risco individual e determinantes sociais.
Conduta prática (resumo): estratificar risco; orientar redução de açúcares livres e frequência (OMS); higiene 2x/dia com dentifrício fluoretado; verniz fluoretado periódico conforme risco; selantes em fóssulas/fissuras; SDF para lesões cavitadas selecionadas; recall mais curto em alto risco.
Referências: ICCMS/ICDAS; ADA Clinical Practice Guidelines (nonrestorative caries treatments); OMS – Guideline on sugars intake; Ministério da Saúde – Política Nacional de Saúde Bucal/Caderno Saúde Bucal.
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