Uma interpretação possível para a palavra problema, no penúl...

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Q930922 Português

Atenção: Considere o poema a seguir para responder à questão.


                    Não mais no quadro negro

                    o tempo de criança.

                    A escola isolada

                    desapareceu.

                    As meninas casaram

                    ou ficaram no mundo,

                    os meninos viraram homens,

                    uns de pés descalços,

                    uns de mãos vazias.

                    Minha mestra, onde anda?

                    Que problema difícil

                    de solucionar.

(MARINHO, Arthur Neri. Disponível em:

www.alcinea.com/poetas-do-amapa)

Uma interpretação possível para a palavra problema, no penúltimo verso, relaciona-a com
Alternativas

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Gabarito Comentado – Interpretação de Texto (Poema)

Tema central da questão:
A questão avalia a interpretação de texto poético, exigindo do candidato a percepção dos elementos temáticos e do principal sentido semântico do poema, de acordo com o contexto apresentado.

Segundo Cunha & Cintra, a interpretação de poemas demanda atenção especial ao “dito e ao não dito”, procurando significados que ultrapassam o literal. O conceito-chave aqui é: problema como representação simbólica, e não concreta/literal.

Justificativa da alternativa correta (A):
A alternativa A está correta, pois identifica que o problema difícil citado pelo eu-lírico é a impossibilidade de conter a passagem do tempo e de controlar o destino humano. O poema aborda a transformação – a infância ficou no passado, a escola desapareceu, as pessoas seguiram rumos distintos. O questionamento “Minha mestra, onde anda?” reforça o tom de busca por algo que, com o tempo, tornou-se inalcançável. Essa dificuldade é marcada como um "problema difícil de solucionar", evidenciando a inevitabilidade do tempo.

Análise das alternativas incorretas:

B) Associa “problema” à frustração pelos ensinamentos não aprendidos. Falsa, pois o poema não julga resultados escolares, mas expõe mudanças e distanciamentos naturais.
C) Fala em indiferença entre pessoas do passado comum. O texto não sugere ausência de afeto, mas sim separação forçada pelo tempo.
D) Sugere perda de memórias de infância. O eu-lírico preserva recordações e até demonstra saudade; não há relação direta com esquecimento.
E) Relaciona-se à conservação dos costumes infantis para a vida adulta, o que não é abordado na mensagem central do poema.

Estratégia para resolução: Ao interpretar poesia, destaque sempre os termos com valor simbólico e concentre-se no sentido global, observando o tom nostálgico e as mudanças de personagem/tempo.

Autores referência: Bechara e Cunha & Cintra reforçam a importância da leitura atenta ao contexto para captar significados implícitos.

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Comentários

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Correta, A


A impossibilidade de conter a passagem do tempo e de ter total controle sobre o destino humano:

"...Não mais no quadro negro o tempo de criança. A escola isolada desapareceu. Veja que a partir desse trecho, o autor disserta demonstrando que as pessoas da sua época de escola tiverem destinos diferentes.

Eu acertei a questão, mas acho que o poema suscita, também, outras interpretações.

É inegável que ele fala da passagem do tempo e do destino das pessoas. Portanto, o gabarito está correto.

Além disso, o questionamento final dá uma ideia - na minha interpretação - de nostalgia. O poeta fica pensando onde seus mestres estão e como seria útil a ajuda deles para solucionar os problemas da vida adulta.

Então, acho que a envolve uma questão entre infância x vida adulta também. Vocês também concordam? Dá uma curtida se também concorda.

Vida à cultura democrática, Monge.

Sei que na linguagem literária o autor tem carta branca para fugir as regras gramaticais. Contudo, o emprego do "onde" em "onde andas?" está equivocado. Deveria ser "aonde" pois  no contexto  indica movimento. 

Acredito que essa passagem aqui faz a letra C tbm correta

As meninas casaram

ou ficaram no mundo,

os meninos viraram homens,

uns de pés descalços,

uns de mãos vazias.

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