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Q349228 Medicina
O estudo HOPE (heart outcomes prevention evaluation) avaliou os efeitos do ramipril e da vitamina E, isolados e associados, no tocante à prevenção de eventos isquêmicos em pacientes de alto risco. O planejamento do estudo foi randomizado, duplo-cego e controlado por placebo. No total, 9.541 pacientes foram randomizados para vitamina E ou placebo e 9.297 pacientes foram randomizados para ramipril ou placebo. O número de pacientes com eventos combinados (óbito cardiovascular ou infarto do miocárdio ou acidente vascular cerebral) foi igual a 1.546 no grupo vitamina E e 1.479 no grupo placebo (p = 0,33). O número de pacientes com eventos combinados foi correspondente a 1.302 no grupo ramipril e 1.655 no grupo placebo (p < 0,001).

Com base nas informações acima apresentadas, julgue os itens a seguir.

O uso do ramipril possibilitou redução de 22% do risco absoluto de eventos combinados.
Alternativas

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Gabarito: E (Errado)

Tema central: O foco da questão é a interpretação crítica de resultados de estudos clínicos, especialmente a distinção entre redução do risco relativo (RRR) e redução do risco absoluto (RRA) – conceitos fundamentais na avaliação de medidas preventivas e impacto terapêutico em Cardiologia, muito cobrados em provas para Médico do Trabalho.

Por que a alternativa está errada?
A afirmação de redução de 22% do risco absoluto com ramipril está incorreta. Na verdade, o estudo HOPE demonstrou redução de 22% do risco relativo para eventos cardiovasculares combinados, mas a redução do risco absoluto foi de 3,8% (diferença entre as incidências nos grupos placebo e ramipril: 17,8% - 14%).
Segundo a Sociedade Brasileira de Cardiologia:
“A redução do risco absoluto reflete o real impacto da intervenção na população estudada.” (Diretriz SBC, p. 47)

Como interpretar a diferença?

  • RRR (Redução do Risco Relativo): Compara a taxa de eventos entre grupos, resultando em uma razão percentual (22% no HOPE).
  • RRA (Redução do Risco Absoluto): Mostra a diferença efetiva entre incidências – no HOPE, apenas 3,8% a menos de eventos no grupo ramipril.

Pegadinha clássica de prova: É frequente aparecerem dados de risco relativo sendo confundidos com risco absoluto. Sempre que a questão citar “redução absoluta”, calcule a diferença entre as incidências dos grupos, não o percentual de redução entre eles.

Aplicação prática e diretrizes:
Em provas e na prática clínica, a distinção entre RRR e RRA é fundamental para determinação do impacto populacional de qualquer intervenção e para o cálculo do Número Necessário para Tratar (NNT), essencial em decisões ocupacionais.
Segundo o estudo original HOPE (revistas.ufpr.br, 2000):
“A redução do risco absoluto de eventos cardiovasculares foi de 3,8%, com um NNT de 26 para evitar um evento em 5 anos.”

Estratégia de prova: Cuidado com termos genéricos ou palavras-chave como “absoluto” e “relativo”, pois confundir esses termos é um erro comum que elimina candidatos bem preparados.

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